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MANÉ GARRINCHA

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

BARNABÉ


Nascido em Ribeirão do Pinhal/PR, em 09 de dezembro de 1949, Barnabé tem o dom de fazer rir. Ele é quieto e sério, porém quando está diante do seu público, surge uma força que o transforma num caipira típico brasileiro: observador, debochado, alegre e cheio de sabedoria interiorana. O nome é uma herança do irmão mais velho: Barnabé- que gravou quatro LPs (1965/66/67/68). Infelizmente sua carreira foi curta, pois faleceu durante a produção do último disco. Então, Barnabé-2 resolveu dar seqüência à vida do personagem adotando a mesma linha caipira com música e piadas. A partir de agora, ele responde a algumas perguntas sobre sua história e trajetória. Como surgiu o personagem Barnabé? Bom, meu irmão cantava, tocava violão e contava piadas. O forte dele eram as piadas. Um dia ele criou um personagem chamado Nhô Fugêncio e saiu da cidade onde a gente morava pra viajar com um parque de diversões. Nessas andanças, ele conheceu a dupla Tonico & Tinoco que o levou pra São Paulo. Foi lá que surgiu o nome Barnabé. Não sei dizer se foi uma sugestão do Tonico ou um apelido que deram pra ele. Só sei que na época era apelido pra funcionário público (os barnabés).Mas não era o caso dele. O importante é que em 1958 - quando isso aconteceu - não existia esse nome no mercado de humoristas e o nome pegou. Por que você quis continuar a carreira dele? Eu era muito influenciado por meu irmão. Quando ele faleceu eu estava no Paraná. Também gostava de contar piadas, compor e cantar algumas músicas. Depois de um ano sem ele, senti muita saudade e vontade de dar continuidade ao personagem. Então, no final de 1968, fui para São Paulo. Fiz um trabalho e mandei para a gravadora Continental. Eles me contrataram em 1970, ano em que lancei meu primeiro disco "Show de Graça Barnabé II" (gravado no Clube Internacional de Franca - SP). Foi um sucesso e acabei gravando dez discos pela Continental (1970-1990). A cada dois anos eu lançava um disco. E depois de 1990? Aí eu vim para o interior fazer programas de rádio e resolvi dar um tempo para preparar um novo repertório de piadas. Comprei uma casa em Indaiatuba - SP e comecei a dedicar mais tempo à família, cuidar dos filhos, etc. Fiquei parado por dez anos. Só voltei a gravar agora, em 2000. Como são seus shows? Eu faço tudo sozinho. Seja em praça pública, teatro, circo, clubes e em convenções. O povo gosta bastante, principalmente as crianças. Os pais compram os discos para eles, pois meu tipo de humor não as fere. Quando a piadinha é marota, a gente deixa a parte forte subentendida. Um show dura cerca de uma hora e meia. Tem piadas, modinhas, causos caipiras, poemas. Meu show atual chama-se "De volta para o passado" onde eu mostro muita coisa que se usava antes e que os adolescentes de hoje não conhecem. A lamparina de querosene, por exemplo. O Mazzaropi fez o filme "O Lamparina", você assistiu? Eu assisti sim. Todos os humoristas caipiras se inspiraram no Mazzaropi. O estilo dele é clássico. Seus filmes caipiras enalteciam o Jeca. Esse também é meu estilo: roupa caipira, botinão, bigodinho, chapéu. Quando a gente coloca o roupa do caipira é como se estivesse invocando um espírito. O jeito de falar, a maneira de contar as histórias... Você tem empresário? Não, não tenho. Eu mesmo é que toco o negócio. Além dos discos, qual veículo você usou, tevê, rádio? Apareci muito na televisão. De 1987 a 1988 fiz um programa no SBT, o "Especial Chitãozinho & Xororó", todos os domingos - eu contava piadas. Fiz o programa "Barros de Alencar" na Rede Record - fazia papel de jurado caipira e na hora da nota eu contava uma piadinha. Também fiz o programa "Flávio Cavalcanti" (1971) durante seis meses. Participei do programa do Wilton Franco. Atualmente tenho participado da Rede família e SBT e outras tevês do interior. E nas rádios? Agora, com a minha volta, o pessoal tem me prestigiado bastante tocando meus CDs. Senti que tenho um nome e que pode ficar mais forte se eu correr atrás. Como você inventa uma piada? Quando eu viajo, conheço pessoas. Vou muito pra roça, visito fazendas e nesses encontros sempre surgem piadas no meio da conversa. Às vezes paro o carro na estrada e vou lá no meio do cafezal conversar com o pessoal. Então surgem histórias que eu adapto para piadas. Às vezes, o causo é cumprido, então dou uma lapidada pra transformá-lo numa piada curtinha. Quantas piadas você já inventou? Bom, eu criei mais de cem, mas devo ter gravado uma média de 400 piadas. Quem na sua família tinha o dom da graça? Meu pai era violeiro, fazia composição com assuntos engraçados. A gente morava em fazenda e ele trabalhava de colono. Era nesse ambiente que as piadas e modinhas surgiam e eu peguei o jeito. Qual é seu projeto atual? Agora vou lançar uma revista pela Editora Escala na qual conto coisas da minha vida. A revista vai sair com o CD "O jeito simples de fazer rir". Qual seu conselho para quem quer seguir a carreira de humorista caipira? DISCOGRAFIA Nasci no interior e minha vida é a do caipira, do caboclo. Até os 18 anos vivi trabalhando na roça. Acho que a gente deve fazer o que gosta, sem passar por cima dos outros nem sentir inveja. Fazer rir é muito mais difícil do que fazer chorar. Mas quem tem o dom de ver graça nas coisas, deve ser persistente e se dedicar a isso sem parar. Eu parei dez anos e foi ruim pra minha profissão. Mas aí vai um conselho: "Não esqueçam de agradar as crianças!". BARNABÉ Contato: contato@caipirabarnabe.com.br caipirabarnabe@gmail.com Site Oficial: http://caipirabarnabe.com.br/ uma produçao: desmanipulador.blogspot.com.br

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