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COPA DAS ZEBRAS

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Dia dos Namorados: G1 lista discos que escondem histórias de amor


John e Yoko, Rita e Roberto, Camelo e Mallu; veja casais que gravaram juntos.
Seleção lembra também dobradinha de Jay-Z e Beyoncé e casal Sonic Youth.

Henrique PortoDo G1 RJ
John e Yoko escancararam na capa. O beijaço de Nick Cave e PJ Harvey nunca foi esclarecido. O "sou" de Marcelo Camelo logo virou "nós" com Mallu Magalhães. Já Rita e Roberto de Carvalho aproveitaram o espaço para assumir um namoro que já se arrastava por muitos carnavais.
Nem sempre se nota à primeira vista, mas muitos discos podem esconder casos de amor por trás de cada capa. Inspirado pelo Dia dos Namorados, o G1 listou dez casais cuja parceria acabou rendendo bem mais do que um álbum.
Capa de 'Two virgins', de John Lennon e Yoko OnoCapa de 'Two virgins', de John Lennon e Yoko Ono
(Foto: Divulgação)
JOHN LENNON & YOKO ONO
Foram muitas as colaborações musicais entre John e Yoko entre o fim dos anos 60, quando se conheceram e se apaixonaram, até 1980, quando o ex-beatle foi assassinado. Mas nada pode ser comparado à trilogia lançada pelo casal em 1968 e 1969: os álbuns “Unfinished music nº 1: two virgins”, “Unfinished music nº 2: life with the lions” e “Wedding álbum”. Exageradamente experimentais, os discos foram classificados pela crítica da época como "pretensiosos", "chocantes" ou simplesmente "bizarros". Fica difícil discordar. A maioria das faixas traz apenas ruídos em loop, instrumentos como piano e bateria tocados de maneira repetitiva e conversas gravadas entre o casal. Em "Baby's heartbeat" (de "Life with the lions") os batimentos cardíacos de John Ono Lennon II, filho do casal morto antes mesmo de nascer.
Apesar do repertório cheio de esquisitisses, foi a capa de "Two virgins" que gerou mais polêmica. Sob o conceito "dois inocentes perdidos num mundo louco", trazia estampada uma foto do casal em nu frontal. Chegou a ser censurada em alguns países — o disco era exposto nas prateleiras das lojas embalado em papel pardo — e criou constrangimento até mesmo entre os próprios Beatles.

PJ Harvey e Nick CaveCapa do single 'Henry Lee' (Foto: Divulgação)
NICK CAVE & PJ HARVEY
Nono álbum de estúdio de Nick Cave, o sinistro “Murder ballads”, de 1996, traz o australiano em duetos somente com cantoras. O repertório é todo composto por músicas sobre dor de cotovelo, crimes passionais e morte. Entre as canções está a faixa “Henry Lee”, em que Cave divide os vocais com Polly Jean Harvey ou, simplesmente, PJ Harvey. A colaboração rendeu um single (cuja capa ao lado mostra o casal de beijando), um romântico videoclipe dirigido por Rocky Schenck e a liderança no Top 20 do Reino Unido. Muito se falou na época sobre um caso amoroso entre os dois. Talvez influenciados pelo clima de suspense do disco, tais rumores nunca foram confirmados publicamente por Cave ou Harvey. E o mistério permanceu.

Paul mcCartney RAM'RAM', de Paul McCartney (Foto: Divulgação)
PAUL & LINDA McCARTNEY
Assim como John Lennon e Yoko Ono, Paul e Linda também formaram um casal inseparável. Os dois se conheceram numa discoteca do Soho londrino em 1967, oficializaram a união dois anos depois e, com o fim dos Beatles, tornaram-se parceiros musicais. Lançado em 1971, “RAM” foi creditado à dupla e marca o início efetivo dessa colaboração. Todo o repertório do álbum foi composto durante as férias de Paul e Linda na fazenda do cantor na Escócia, logo após a traumática separação dos Fab Four. Apesar da vibe “pombinhos em lua de mel” que certas canções do disco sugerem, algumas faixas provocaram a ira de Lennon. Sugestionado por versos de “Too many people”, “Dear boy" e "The back seat of my car", John se convenceu de que teriam sido feitos para atingi-lo. Vestiu a carapuça e contra-atacou com “How do you sleep?”, do álbum “Imagine” (lançado no mesmo ano que “RAM”), um esculacho em forma de música direcionado a Paul McCartney e seus anos como integrante dos Beatles.
Em agosto daquele mesmo ano, Paul recrutou o baterista Denny Seweill e o guitarrista Denny Laine para junta-se a ele e à mulher. Estava formado o Wings — uma óbvia saída encontrada pelo cantor para manter a esposa ao seu lado nas longas e exaustivas turnês. Um década depois, o grupo se desfez. Ainda assim, Paul efetivaria a esposa como tecladista e backing vocal em seus discos de estúdio e apresentações ao vivo.
Em 1997, depois de alguns álbuns solo e outros tantos shows, lança “Flaming pie”, disco em que expõe todo seu sofrimento e tristeza ao testemunhar a luta de Linda contra um câncer de mama. Ela morreria um ano depois.

'The girl in the other room', de Diana Krall'The girl in the other room', de Diana Krall
(Foto: Divulgação)
ELVIS COSTELLO & DIANA KRALL
Influenciada pelo casamento com o músico britânico Elvis Costello em dezembro de 2003, a voz canadense do jazz Diana Krall registrou suas primeiras colaborações com o marido no álbum “The girl in the other room”. Lançado um ano depois da união, traz nada menos do que metade das canções em parceria com o roqueiro, além da regravação de uma música original de Costello chamada “Almost blue”. Um trabalho que, segundo a própria cantora, também remete a outro tipo de casamento: suas melodias com as letras dele.
"Não consigo escrever uma letra em hipótese alguma. É por isso que Elvis e eu combinamos tão bem. Temos a mesma intensidade e paixão pelas coisas, queremos ser artistas e fazer o que sentimos que é o certo", disse a cantora à agência internacional de notícias Reuters na época do lançamento do álbum.
“The girl in the other room” não agradou muito aos puristas, uma vez que os standards jazzísticos — até então, sua marca registrada — foram deixados de lado em razão de um repertório mais contemporâneo. A coisa ficou tão feia que, em 2004, parte da plateia foi embora antes do fim de um show dela no Radio City Music Hall, em Nova York.

Capa de 'Daydream nation', do Sonic YouthCapa de 'Daydream nation', do Sonic Youth
(Foto: Divulgação)
KIM GORDON & THURSTON MOORE
Engrenagem criativa do Sonic Youth, o casal formado por Kim Althea Gordon e Thurston Joseph Moore é um bom exemplo de relacionamento e parceria musical duradouros. São 24 anos de casamento e 24 álbuns em quase 30 anos de banda. Ainda “pulam a cerca” musicalmente falando, tocando diversos projetos paralelamente. “Permanecer juntos durante tanto tempo foi crucial para nos levarem a sério”, disse Moore, durante entrevista em 1987.
A maturidade da “relação” veio justamente um ano depois desta declaração, com o álbum “Daydream nation”, declaradamente o preferido dos fãs e o de mais sucesso. Originalmente um disco duplo de vinil, é considerado um divisor de águas na trajetória da banda. As guitarras com afinações alternativas e a colagem de ruídos e microfonias tornam-se mais comuns. É também em “Daydream nation” que está a canção “Teenage riot”, considerada o hino do grupo. Para completar, foi o último registro em disco por um selo independente — Thurston, Kim e cia. viriam a assinar com a Geffen Records para a gravação de “Goo”, seu disco posterior.

Capa de 'Dangerously in love', de BeyoncéCapa de 'Dangerously in love', de Beyoncé
(Foto: Divulgação)
JAY-Z & BEYONCÉ
Casados há dois anos, a vitoriosa colaboração entre o rapper e a cantora pop começou em 2002, quando ainda eram namorados, na canção “Bonnie & Clyde”, que faz parte do sétimo álbum de estúdio do cantor. Mas foi com “Dangerously in love”, disco de estréia de Beyoncé, que o casal atingiu o topo das paradas em vários países. O disco traz “Crazy in love”, outra canção em parceria. Foi simplesmente eleita a melhor música da década pelos críticos do semanário inglês “New Musical Express”.
O single também permanceu no topo da parada Hot 100 da Billboard durante 8 semanas consecutivas, foi o segundo mais tocado na Europa naquele ano e um dos grandes responsáveis pelo estouro mundial da cantora em sua fase pós-Destiny’s Child.
Recentemente, Jay-Z revelou ainda que a colaboração com a cantora vai além dos discos e das canções. Numa recente declaração, revelou que também foi o criador das coreografias de “Crazy in love” e “Single ladies”, mostrando que as afinidades entre os dois não têm limites.

Capa do disco 'Parallel lines', do BlondieCapa do disco 'Parallel lines', do Blondie
(Foto: Divulgação)
CHRIS STEIN & DEBBIE HARRY
A loirinha Debbie Harry fez um pouco de tudo antes de se tornar cantora: foi garçonete, secretária e até coelhinha da Playboy, revista masculina que a fotografou em poses sensuais. Mas foi ao lado do guitarrista Chris Stein e à frente da banda Blondie que alcançou sucesso mundial nos anos 70. O casal de namorados assinou em parceria um bom número de canções do extenso repertório da banda, sobretudo o hit "Heart of glass". A música fez com que "Parallel lines", terceiro álbum do grupo, lançado em 1978, alcançasse o primeiro lugar das paradas britânicas, sexto lugar nos EUA e a marca de 1 milhão de cópias vendidas. "Heart of glass" também foi incluída na lista das "500 maiores canções de todos os tempos" da revista norte-americana "Rolling Stone".
Três discos e seis anos depois, a banda chegaria ao fim por conta por conta do abuso de drogas e de uma grave doença de pele adquirida por Chris Stein. O relacionamento duraria mais alguns anos até a separação. Continuaram amigos e, por causa disso, ainda reuniram a banda em 1997. De lá para cá, o Blondie lançou mais sete álbuns, entre coletâneas e discos ao vivo.

Capa de 'Sou/Nós', de Marcelo CameloCapa de 'Sou/Nós', de Marcelo Camelo
(Foto: Divulgação)
MARCELO CAMELO & MALLU MAGALHÃES
Tudo começou com "Janta", canção de Marcelo Camelo gravada em dueto com Mallu Magalhães no disco "Sou/Nós", do ex-Los Hermanos. Participações especiais e recíprocas em shows foram pipocando, rumores de um possível namoro também. Até que, em novembro de 2008, assumiram oficialmente o relacionamento. Já como namorados, foi a vez de Camelo retribuir a gentileza fazendo vocais de apoio em três faixas do último disco da cantora, além de assoviar em outra.
Ainda não compuseram juntos, mas, a julgar pelas declarações do casal, é algo que não deve demorar a acontecer. “Como artista, ele me influencia naturalmente", diz Mallu. "Ela mudou o meu jeito de ouvir música e de ver a vida", declarou Camelo.

Capa de 'Acabou chorare', dos Novos BaianosCapa de 'Acabou chorare', dos Novos Baianos
(Foto: Divulgação)
PEPEU GOMES & BABY DE JESUS
Um dos casais mais famosos da música popular brasileira, Pedro Anibal de Oliveira Gomes e Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade compuseram hits como "Masculino e feminino", "Deusa do amor" e "Mil e uma noites de amor" (todos na década de 80). Mas o trabalho que marcou o casal na história da MPB foi o projeto musical coletivo Novos Baianos, na década anterior. Ao lado de Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Dadi e Luiz Galvão, deixaram um legado reverenciado por muita gente e regravado até hoje.
O trabalho mais lembrado do grupo é o segundo álbum, "Acabou chorare". Lançado em 1972, mistura ritmos e instrumentos, como choro e rock 'n' roll, cavaquinho e guitarras. O disco falava sobre temas como amigos, Bahia e futebol. Apesar de não haver canções assinadas pelos dois em parceria, canções como "Preta pretinha" e a própria "Acabou chorare" mostram que, musicalmente, Baby e Pepeu já eram um casal afinado em todos os aspectos. Foram casados por 18 anos e tiveram seis filhos. Durante este tempo, Baby de Jesus já chegou a se chamar Babay Consuelo e Baby do Brasil.

Capa do álbum 'Rita Lee e Roberto de Carvalho'Capa do álbum 'Rita Lee e Roberto de Carvalho'
(Foto: Divulgação)
ROBERTO DE CARVALHO & RITA LEE
Formam o casal mais rock 'n' roll entre os músicos brasileiros. A ex-Mutante e o guitarrista começaram o relacionamento em 1976, mas oficializaram a união apenas em 1996. Já haviam composto alguns sucessos no álbum "Rita Lee", de 1980, mas foi dois anos depois, com "Rita Lee & Roberto de Carvalho", que chegaram aos 2 milhões de cópias vendidas.
O repertório do disco é 100% formado por músicas compostas pelo casal, com apenas uma exceção: "Vote em mim", também creditada a Ezequiel Nevez. Noo repertório, canções conhecidíssimas, como "Flagra" (tema de abertura da novela "Final feliz") e "Cor-de-rosa choque".
Dali para frente seriam inseparáveis, tanto nos palcos e nos estúdios quanto na vida pessoal — separaram-se temporariamente apenas entre 1991 e 1994. Com Roberto, Rita deu á luz a Beto Lee em 1977, seguido por João em 1979, e Antonio em 1981.