Declarações controversas renderam cartão amarelo ao craque (Foto: TV Globo/Divulgação)
Ronaldo Nazário foi herói de uma Copa. Mas neste Mundial corre o risco de ser visto como vilão. A popularidade altíssima conquistada com o pentacampeonato, em 2002, está ofuscada pelas posições tomadas pelo ex-jogador, que desta vez atuará como comentarista da Globo. Assim como o locutor Galvão Bueno é rejeitado por parte da torcida, Ronaldo pode experimentar, pela primeira vez, o sabor amargo da antipatia do público.
A Globo ainda conta com a influência do Fenômeno para tentar reverter o desânimo do telespectador-torcedor. Mas as polêmicas protagonizadas por ele resultaram numa série de gols contra, que agravam a má vontade generalizada com a Copa.
O primeiro aconteceu em dezembro de 2011. Ao ser anunciado como membro do conselho de administração do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo 2014, o ídolo fez a mais infeliz de suas declarações: “Não se faz Copa do Mundo com hospital. Tem que fazer estádio”.
A bola fora mais recente foi chutada na sexta-feira (23), quando Nazário fez um desabafo surpreendente em entrevista à agência de notícias Reuters, ao comentar os atrasos nas obras: “Eu me sinto envergonhado, porque é o meu país, o país que eu amo, e a gente não podia estar passando essa imagem para fora”.
Apesar do tom dramático, a crítica de Ronaldo não sensibilizou o público tampouco a imprensa. O ex-atacante foi duramente criticado pela maioria dos cronistas esportivos. Sua imagem ficou ainda mais desgastada — até mesmo entre os governistas. A presidente Dilma rechaçou o tom pessimista do ex-craque da Seleção. O ministro do Esporte, Aldo Rebello, disse que a reclamação de Nazário foi “um chute contra o próprio gol”.
Para piorar a situação, Ronaldo escolheu justamente este momento tenso para anunciar apoio ao pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, o mineiro Aécio Neves. Era tudo o que a Globo não desejava: o seu comentarista mais popular — e internacionalmente famoso — associado à disputa eleitoral em plena Copa do Mundo no Brasil.
Como cidadão, Nazário tem o direito legítimo de se posicionar politicamente. Porém, na cúpula global, a expectativa era de que ele seguisse o código de conduta imposto aos profissionais das Centrais de Jornalismo e Esporte da emissora: isenção completa nas eleições, sem revelar intenção de voto.
Apesar da ranhura na imagem, Ronaldo será peça fundamental para a cobertura da Globo. Com livre trânsito entre os dirigentes da FIFA e a Seleção, ele poderá trazer para o vídeo informações exclusivas e contribuir efetivamente com as equipes em campo. Ele tem contrato com a emissora até o final da Copa da Rússia, em 2018. Mas não recebe salário fixo. Ganha um cachê por cada jogo no qual faz comentários.
Jeff Benício
sábado, 21 de junho de 2014
Copa: polêmicas de Ronaldo viram problema para a Globo
Declarações controversas renderam cartão amarelo ao craque (Foto: TV Globo/Divulgação)
Ronaldo Nazário foi herói de uma Copa. Mas neste Mundial corre o risco de ser visto como vilão. A popularidade altíssima conquistada com o pentacampeonato, em 2002, está ofuscada pelas posições tomadas pelo ex-jogador, que desta vez atuará como comentarista da Globo. Assim como o locutor Galvão Bueno é rejeitado por parte da torcida, Ronaldo pode experimentar, pela primeira vez, o sabor amargo da antipatia do público.
A Globo ainda conta com a influência do Fenômeno para tentar reverter o desânimo do telespectador-torcedor. Mas as polêmicas protagonizadas por ele resultaram numa série de gols contra, que agravam a má vontade generalizada com a Copa.
O primeiro aconteceu em dezembro de 2011. Ao ser anunciado como membro do conselho de administração do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo 2014, o ídolo fez a mais infeliz de suas declarações: “Não se faz Copa do Mundo com hospital. Tem que fazer estádio”.
A bola fora mais recente foi chutada na sexta-feira (23), quando Nazário fez um desabafo surpreendente em entrevista à agência de notícias Reuters, ao comentar os atrasos nas obras: “Eu me sinto envergonhado, porque é o meu país, o país que eu amo, e a gente não podia estar passando essa imagem para fora”.
Apesar do tom dramático, a crítica de Ronaldo não sensibilizou o público tampouco a imprensa. O ex-atacante foi duramente criticado pela maioria dos cronistas esportivos. Sua imagem ficou ainda mais desgastada — até mesmo entre os governistas. A presidente Dilma rechaçou o tom pessimista do ex-craque da Seleção. O ministro do Esporte, Aldo Rebello, disse que a reclamação de Nazário foi “um chute contra o próprio gol”.
Para piorar a situação, Ronaldo escolheu justamente este momento tenso para anunciar apoio ao pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, o mineiro Aécio Neves. Era tudo o que a Globo não desejava: o seu comentarista mais popular — e internacionalmente famoso — associado à disputa eleitoral em plena Copa do Mundo no Brasil.
Como cidadão, Nazário tem o direito legítimo de se posicionar politicamente. Porém, na cúpula global, a expectativa era de que ele seguisse o código de conduta imposto aos profissionais das Centrais de Jornalismo e Esporte da emissora: isenção completa nas eleições, sem revelar intenção de voto.
Apesar da ranhura na imagem, Ronaldo será peça fundamental para a cobertura da Globo. Com livre trânsito entre os dirigentes da FIFA e a Seleção, ele poderá trazer para o vídeo informações exclusivas e contribuir efetivamente com as equipes em campo. Ele tem contrato com a emissora até o final da Copa da Rússia, em 2018. Mas não recebe salário fixo. Ganha um cachê por cada jogo no qual faz comentários.
Jeff Benício
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