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MANÉ GARRINCHA

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

AS VOLTAS DO DESTINO

Quando naquela Sexta as duas amigas se encontraram sós depois de o horário de trabalho ter chegado ao fim, voltaram a se questionarem o que já seria talvez a decima vez, pois a festa era nesse fim-de-semana: - Vens ou não passar o fim-de-semana connosco? – Questionou. A pergunta da amiga era lógica, se ela jurara a pés juntos que a sua história com o Joaquim fazia parte do passado, não havia motivo para não querer ir passar aquele fim-de-semana fora só porque ele ia lá estar. Tinha duas hipóteses, ou mantinha-se fiel à mentira, e ai não havia desculpa para recusar o convite, ou então dizia a verdade e confessava a Marta que ainda estava apaixonada por ele. Teimosa por natureza, Edna ficou pela primeira hipótese. Seria forte e iria passar aquele fim-de-semana com todo o grupo de amigos onde, por azar, se incluía Joaquim. A decisão custou-lhe caro. Andou a restante semana angustiada sem saber o que a esperava. Será que ele ia com a namorada? Afinal, o que acontecera entre eles fora breve e fugaz como um dia de Sol no inverno. Duas pessoas que se tinham conhecido e sentido irresistivelmente atraídas uma pela outra e passado uma noite de amor. Uma só noite de amor, mas que Edna jamais esqueceria até ao fim dos seus dias. Tinham-se amado em sua casa, ligeiramente entontecidos pelo vinho bebido ao jantar, mas ela nunca estivera tão consciente de que desejava aquele homem. Que queria que ele tocasse no seu corpo, a acariciasse como a brisa da tarde, a beijasse com os lábios carnudos que tão facilmente sorriam como ficavam sérios. Gostava do seu corpo firme, da sua pele morena, dos seus olhos de um castanho luminoso, e sentia que também ele a desejava. E se duvidas existissem na sua mente ter-se-ia dissipado mal entrou no apartamento, quando ele lhe roubou um beijo que fez o seu coração bater mais depressa e lhe roubou o ar. A partir daí caíram nos braços um do outro, despiram-se com ansia, misturaram as línguas e as pernas, ele devassou com os lábios o seu corpo e ela estremecera de paixão e prazer quando ele a penetrara docemente, olhando-a nos olhos, sussurrando-lhe palavras ternas ao ouvido que ela jamais esqueceria. Depois, moveram-se em compasso, sentindo cada pequena sensação de prazer e a volúpia a aumentar como uma onda até ao clímax. Dormiram aninhados nos braços um do outro e Edna permitiu-se acreditar que assim seria para sempre. Porém, de manha, escutou a sua voz vinda da sala, a falar ao telemóvel, e ouviu as palavras dele. - Amor, desculpa não ter avisado, mas fui sair com o António ontem à noite e fiquei a dormir em casa dele. Deitada na cama, Edna sentiu que todo o seu mundo ruía. As lágrimas começaram a cair pelo seu rosto e foi assim que Joaquim a encontrou quando chegou ao quarto. - Não digas nada e sai de minha casa – disse-lhe. Joaquim não se atreveu a defender-se, mas a forma triste e apaixonada como a olhou antes de deixar a sua casa entrou direta ao seu coração. Aquilo acontecera há duas semanas atrás. Desde então, nunca mais vira Joaquim, mas foi ele a primeira pessoa com quem se deparou quando entrou na imensa casa de Marta naquele fim-de-semana. Falaram-se claramente constrangidos, mas a química estava lá? Quando os seus olhos se encontravam, prendiam-se um no outro de forma irresistível. De tal forma que foram apanhados desprevenidos por uma voz feminina a seu lado. - Não me apresentas? Edna estremeceu. Era a namorada de Joaquim. Sabia que aquilo podia acontecer, mas na verdade não estava preparada. A outra deve ter lido no seu rosto o desconforto, porque foi irônica quando disse. - É um prazer conhece-la. Arrastando depois um atarantado Joaquim para fora da sala. Todavia, do que Edna se apercebeu é que era impossível esconder o que sentiam um pelo outro. Os seus olhos atraiam-se irresistivelmente e, quando isso não acontecia, apercebia-se que Joaquim estava calado, pensativo, chegando a responder com alguma brusquidão à namorada, que parecia decidida a trata-lo como um cachorro de trela. No final dessa noite, Edna sentiu que precisava de paz e foi até à varanda. E eis que Joaquim também lá estava. Primeiro olharam-se, em silêncio, o coração a querer saltar do peito, depois ele disse - Sabes Edna me desculpa, eu nunca mais consegui te esquecer desde aquele dia, tenho pensado em ti todos estes meus dias e noites que… Mas não pode dizer mais nada, porque nisto a sua namorada surgiu na varanda. Acusou-o de traição e a ela de uma sem vergonha. Edna ficou chocada, sem reação. Por fim, a outra obrigou Joaquim a tomar uma decisão ali, naquele instante. Com quem queria ficar? Para espanto de Edna, Joaquim não hesitou e, olhando-a nos olhos, disse. - Com a Edna...

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