quarta-feira, 23 de agosto de 2017

DESASTRE AMBIENTAL NO RIO DOCE


Pesquisadores compararam materiais coletados antes e depois do desastre ambiental envolvendo a Samarco. Depois da lama, a diversidade de espécies de zooplânctons ficou 40% menor Vista da Foz do Rio Doce, localizada em Regência, Linhares (Foto: Secundo Rezende/ Arquivo Pessoal) O material coletado por pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para fazer análises antes de a lama da Samarco atingir o Rio Doce, em novembro de 2015, está sendo usado para comparar a situação ambiental daquele ecossistema atualmente. Foi constatado que, hoje, já há o dobro de ferro, quatro vezes mais alumínio e três vezes mais manganês. No dia 5 de novembro de 2015, a barragem de Fundão da Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, se rompeu. A enxurrada de rejeitos de mineração devastou o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), e desceu pelo Rio Doce até chegar ao mar, em Regência (ES). Um ano depois, ainda havia muitas dúvidas sobre o impacto desses rejeitos no meio ambiente e na vida das pessoas. Os estudos da Ufes uniram informações que podem ser fonte de comparação para saber como era a região antes ou depois da lama. Os pesquisadores esperaram mais de um ano após o desastre para fazer essa comparação. Eles acreditam que, assim, o estudo fica mais correto, porque não estão analisando um momento determinado de quando o rio poderia estar mais cheio ou mais seco. Eles conseguiram estabelecer uma média das oito vezes em que coletaram material e analisaram, e agora podem afirmar com mais convicção como a lama está alterando a foz. “É interessante que todas as campanhas que foram feitas pós-desastre quando comparadas com as campanhas que foram feitas antes do desastre, em 2013 e 2014, os resultados são sempre diferentes”, afirmou o geólogo Alex Bastos, professor e pesquisador da Ufes. Comparando o antes e o depois da lama, a quantidade de metais depositados no fundo do mar da praia de Regência subiu muito. Há o dobro de ferro, quatro vezes mais alumínio e três vezes mais manganês. Isso pode ter interferido nos micro-organismos que estão na base da cadeia alimentar dos peixes. Depois da lama, a diversidade de espécies de zooplânctons ficou 40% menor. “A gente está avaliando o ecossistema. Então isso pode com certeza ter desdobramentos para o resto da cadeia alimentar”, falou o geólogo. Cerca de 30 pesquisadores, geólogos, físicos, biólogos, oceanógrafos e químicos fizeram as análises que estão neste relatório de 260 páginas. Ele vai ser entregue aos órgãos ambientais. São informações que podem direcionar as ações de recuperação e monitoramento da área afetada. “E acrescentar algumas outras análises. Por exemplo, a análise nas praias, nos manguezais, nos peixes. Isso tudo também precisa ter o mínimo de diagnóstico a partir de agora”, disse Bastos. Publicado em 6 de nov de 2015 Barragens se rompem e enxurrada de lama destrói distrito de Mariana Acidente foi em Bento Rodrigues e bombeiros confirmam uma morte. Localidade está sendo esvaziada; MP vai investigar causa do acidente. 05/11/2015 17h14 - Atualizado em 06/11/2015 01h25 Barragens se rompem e enxurrada de lama destrói distrito de Mariana Acidente foi em Bento Rodrigues e bombeiros confirmam uma morte. Localidade está sendo esvaziada; MP vai investigar causa do acidente. Do G1 MG FACEBOOK O rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, na tarde desta quinta-feira (5). O Corpo de Bombeiros de Ouro Preto, que tem equipes no local, confirmou uma morte e 15 desaparecidos até o momento. A vítima seria um homem que teve um mal súbito quando houve o rompimento. A identidade dele ainda não foi divulgada. O diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos de Mariana (Metabase), Valério Vieira dos Santos, afirma que entre 15 e 16 pessoas teriam morrido e 45 estão desaparecidas, mas ainda não há números oficiais de vítimas. Um dos sobreviventes da tragédia, Andrew Oliveira, que trabalha como sinaleiro na empresa Integral, uma terceirizada da Samarco, disse que, na hora do almoço, houve “um abalo”, mas os empregados continuaram trabalhando normalmente. "Começou a praticamente ter um terremoto", disse sobre o momento que as barragens se romperam. Feridos Quatro feridos foram levados para o Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, referência em atendimento de urgência. De acordo com a Fhemig, três delas foram levadas de helicóptero e uma de ambulância. Dentre os feridos está uma criança de 3 anos. Não se sabe se estes feridos estavam internados no hospital de Mariana e foram transferidos. Nesta unidade, quatro feridos tinham sido atendidos. Mais de 200 pessoas da Guarda Municipal, dos bombeiros, das polícias Civil e Militar, da Defesa Civil e da mineradora trabalham nas buscas. O secretário de Defesa Social de Mariana, Brás Azevedo, disse que a situação no local é muito grave e há riscos de mais desmoronamentos. A orientação para os moradores que deixam Bento Rodigues é que sigam para o distrito de Camargos, que é mais alto e mais seguro. Empresa O diretor-presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, em comunicado divulgado no perfil da empresa no Facebook por volta das 23h desta quinta, afirmou que o rompimento ocorreu em duas barragens – e não em uma, como informava nota divulgada pela mineradora no fim da tarde. Segundo Vescovi, romperam-se as barragens de Fundão e Santarém, na unidade industrial de Germano, localizada entre os municípios de Mariana e Ouro Preto – a cerca de 100 km de Belo Horizonte. O diretor-presidente da empresa diz que o rompimento foi identificado na tarde desta quinta e, imediatamente, foi acionado o plano de ação emergencial de barragens para priorizar o atendimento das pessoas que trabalham no local ou que vivem próximo às barragens. Publicado em 23 de out de 2016 Um ano após a tragédia ambiental que devastou Mariana (MG), o Domingo Espetacular revelou como está o local e trouxe novidades sobre a investigação do acidente que matou 19 pessoas e espalhou lama pela região. Veja!:

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

'Piratas'


Ao menos 11 pessoas foram detidas em flagrante por saquearem contêineres que caíram de um navio na barra de Santos, no litoral de São Paulo, nesta sexta-feira (11). Entre os produtos recuperados, estão eletrônicos, eletrodomésticos, pneus de bicicleta e vestuário. A Capitania dos Portos de São Paulo (CPSP) informou que a queda de 45 contêineres do navio Log In Pantanal ocorreu entre 1h30 e 3h, enquanto a embarcação estava fundeada a aproximadamente quatro quilômetros da costa. O cargueiro aguardava para realizar a manobra de entrada no Porto de Santos. As causas do acidente ainda são desconhecidas, mas já são alvo de um inquérito da autoridade marítima. Não há informações de feridos. Suspeita-se, inicialmente, que ondas de pouco mais de três metros, provenientes de uma ressaca marítima, tenham contribuído para a queda. Imagens flagraram quando moradores da região saquearam os contêineres que boiam entre Santos e Guarujá desde o início da manhã. Para chegarem às caixas metálicas, eles utilizaram pequenas embarcações, onde dezenas de produtos foram embarcados clandestinamente. Equipes do Patrulhamento Marítimo da Polícia Militar Ambiental e do Núcleo Marítimo da Polícia Federal detiveram pessoas a bordo de embarcações no entorno do Canal do Estuário, que serve de acesso ao cais santista. Algumas pessoas alegaram que "pegaram as peças boiando no mar". A maior parte dos flagrantes ocorreu com ocupantes de embarcações nas proximidades da comunidade de Santa Cruz dos Navegantes. Outro grupo foi detido ao desembarcar na Praia do Guaiúba, ambos em Guarujá. O policiamento também monitora a orla das demais cidades da região. Nove pessoas detidas foram encaminhadas à Delegacia Sede de Guarujá e duas para a Delegacia da Polícia Federal em Santos, para apreciação da autoridade policial, segundo balanço prévio divulgado até às 17h. As equipes continuam monitorando a área para tentar localizar mais suspeitos. O acidente Aparelhos de ar-condicionado, mochilas, material hospitalar, pneus, toalhas e tapetes estão entre as cargas armazenadas nos contêineres que caíram do navio no mar durante a madrugada. Autoridades tentam coibir a ação de saqueadores, mas os produtos já se espalharam pela área costeira. Algumas caixas metálicas se romperam e parte da carga se espalhou entre a barra de Santos e a região costeira de Guarujá. Testemunhas afirmaram que alguns produtos já eram vistos próximos à Praia do Guaiúba, onde, por volta do meio-dia, estavam dez contêineres boiando. A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foi notificada sobre a ocorrência e monitora junto com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) os procedimentos adotados para retirar os contêineres da água. O Ibama ainda não se pronunciou sobre o ocorrido. A Codesp confirmou que o acidente ocorreu durante a madrugada, no Fundeadouro 3, fora do cais. Ainda em nota, a estatal disse que a autoridade marítima, com o apoio da Praticagem de São Paulo, faz o levantamento para identificar a área onde os contêineres se espalharam. Imagens obtidas pelo G1 mostram o local do acidente após ocorrido. Segundo testemunhas, alguns compartimentos abriram no impacto com água e a carga se espalhou. Conforme a autoridade marítima, o canal de navegação precisou ser fechado por pelo menos cinco horas, por segurança. O navio operou no Terminal Embraport, na Margem Esquerda do cais, na quinta-feira (10). Segundo a empresa, 341 contêineres foram carregados e outros 248 descarregados. Após a operação, ele foi manobrado para a barra para aguardar atracação no terminal da BTP, na Margem Direita do cais. A Log-In, responsável pelo navio, informou que o mau tempo ocasionou o desprendimento das caixas. Por nota, a empresa informou que "não havia contêineres que caíram no mar com cargas declaradas como perigosas, de acordo com critérios da Organização Marítima Internacional". Durante a tarde, o navio recebeu autorizaração para realizar a atracação no terminal de contêineres. A manobra de entrada no cais santista foi acompanhada pela autoridade marítima, uma vez que parte dos contêineres a bordo também estava tombada. Fonte: G1

sábado, 12 de agosto de 2017

Furúnculo


Um furúnculo já incomodou você? Este problema é mais comum do que se imagina. Parecido com uma espinha, o furúnculo é uma inflamação na pele causada por uma bactéria e pode acarretar muito desconforto. As lesões podem surgir em diferentes locais do corpo e, dolorosas, afetam a disposição e até o humor do paciente. Além disso, podem deixar marcas e cicatrizes na pele. Conheça abaixo quais são as causas, os tratamentos e o mais importante: saiba como evitá-lo. O que causa o furúnculo? Segundo explica a dermatologista Helena Zantut, o furúnculo é uma infecção causada por uma bactéria da própria pele, que atinge o folículo piloso (por onde cresce o pelo), a glândula sebácea e o tecido subcutâneo que fica próximo a ele. Em geral, a infecção é causada pela bactéria Staphylococcus aureus, mas pode ser também por outras bactérias ou fungos encontrados na superfície da pele. Como ele se manifesta? A principal característica do furúnculo é a formação de um abscesso, ou seja, um nódulo muito doloroso, inchado e avermelhado com uma área amarelada na parte central, que indica a presença de pus. O tamanho pode variar de acordo com a área infectada. As lesões são mais comuns em regiões do corpo onde há pelos, e também aquelas mais expostas à umidade, atrito, ou substâncias gordurosas, que facilitam a obstrução dos folículos pilosos. Rosto, pescoço, axilas, coxas e nádegas são as áreas mais comuns. Em geral, o diagnóstico é simples e pode ser feito por um exame dermatológico clínico. Apenas em alguns casos pode ser necessário recorrer a exames laboratoriais. Tratamento Na hora de tratar o problema, a primeira recomendação importante é: nunca se deve espremer um furúnculo. Isso pode fazer com que as bactérias causadoras da infecção se espalhem ainda mais, causando novas inflamações. Na maioria dos casos, a lesão pode se curar sozinha, pois se rompe espontaneamente e não há necessidade de drenagem por um médico. Uma compressa úmida e morna pode ajudar a acelerar o processo de drenagem espontânea e agilizar a secagem do furúnculo. Além disso, é importante manter o local afetado sempre limpo e lavar bem as mãos depois de tocá-lo. Se o furúnculo durar muitos dias ou vier acompanhado de febre, é imprescindível procurar um médico dermatologista, já que alguns casos exigem tratamentos com medicamentos antibióticos orais e tópicos (cremes e pomadas). A persistência dos sintomas pode indicar que a infecção se espalhou ou que há alguma complicação. Segundo a Dra. Zantut, algumas pessoas são mais propensas a sofrer com o aparecimento de furúnculos. Se o problema for recorrente, também é importante consultar um profissional para descobrir o que está favorecendo o surgimento das lesões e a melhor forma de tratamento. Como evitar Confira abaixo as dicas da Dra. Helena Zantut para evitar o aparecimento de furúnculos: - Mantenha as mãos sempre limpas (após ir ao banheiro, pegar coisas sujas, ao chegar em casa da rua, etc). Bons hábitos de higiene são essenciais para prevenir a manifestação de furúnculos. - As unhas também devem estar sempre aparadas e limpas. - Procure manter secas as áreas de dobras no corpo, como axilas e virilhas. - Evite roupas muito justas e de tecido sintético. Elas dificultam a evaporação do suor, entram em atrito com a pele e favorecem a ocorrência de lesões. - Troque as roupas de uso pessoal, cama e banho regularmente. Elas podem ser veículos de transmissão da infecção. - Não coce nem esprema o local do furúnculo. Assim, não corre o risco de espalhar a infecção para outras áreas do corpo. Fonte: Dicas de Mulher

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

BARNABÉ


Nascido em Ribeirão do Pinhal/PR, em 09 de dezembro de 1949, Barnabé tem o dom de fazer rir. Ele é quieto e sério, porém quando está diante do seu público, surge uma força que o transforma num caipira típico brasileiro: observador, debochado, alegre e cheio de sabedoria interiorana. O nome é uma herança do irmão mais velho: Barnabé- que gravou quatro LPs (1965/66/67/68). Infelizmente sua carreira foi curta, pois faleceu durante a produção do último disco. Então, Barnabé-2 resolveu dar seqüência à vida do personagem adotando a mesma linha caipira com música e piadas. A partir de agora, ele responde a algumas perguntas sobre sua história e trajetória. Como surgiu o personagem Barnabé? Bom, meu irmão cantava, tocava violão e contava piadas. O forte dele eram as piadas. Um dia ele criou um personagem chamado Nhô Fugêncio e saiu da cidade onde a gente morava pra viajar com um parque de diversões. Nessas andanças, ele conheceu a dupla Tonico & Tinoco que o levou pra São Paulo. Foi lá que surgiu o nome Barnabé. Não sei dizer se foi uma sugestão do Tonico ou um apelido que deram pra ele. Só sei que na época era apelido pra funcionário público (os barnabés).Mas não era o caso dele. O importante é que em 1958 - quando isso aconteceu - não existia esse nome no mercado de humoristas e o nome pegou. Por que você quis continuar a carreira dele? Eu era muito influenciado por meu irmão. Quando ele faleceu eu estava no Paraná. Também gostava de contar piadas, compor e cantar algumas músicas. Depois de um ano sem ele, senti muita saudade e vontade de dar continuidade ao personagem. Então, no final de 1968, fui para São Paulo. Fiz um trabalho e mandei para a gravadora Continental. Eles me contrataram em 1970, ano em que lancei meu primeiro disco "Show de Graça Barnabé II" (gravado no Clube Internacional de Franca - SP). Foi um sucesso e acabei gravando dez discos pela Continental (1970-1990). A cada dois anos eu lançava um disco. E depois de 1990? Aí eu vim para o interior fazer programas de rádio e resolvi dar um tempo para preparar um novo repertório de piadas. Comprei uma casa em Indaiatuba - SP e comecei a dedicar mais tempo à família, cuidar dos filhos, etc. Fiquei parado por dez anos. Só voltei a gravar agora, em 2000. Como são seus shows? Eu faço tudo sozinho. Seja em praça pública, teatro, circo, clubes e em convenções. O povo gosta bastante, principalmente as crianças. Os pais compram os discos para eles, pois meu tipo de humor não as fere. Quando a piadinha é marota, a gente deixa a parte forte subentendida. Um show dura cerca de uma hora e meia. Tem piadas, modinhas, causos caipiras, poemas. Meu show atual chama-se "De volta para o passado" onde eu mostro muita coisa que se usava antes e que os adolescentes de hoje não conhecem. A lamparina de querosene, por exemplo. O Mazzaropi fez o filme "O Lamparina", você assistiu? Eu assisti sim. Todos os humoristas caipiras se inspiraram no Mazzaropi. O estilo dele é clássico. Seus filmes caipiras enalteciam o Jeca. Esse também é meu estilo: roupa caipira, botinão, bigodinho, chapéu. Quando a gente coloca o roupa do caipira é como se estivesse invocando um espírito. O jeito de falar, a maneira de contar as histórias... Você tem empresário? Não, não tenho. Eu mesmo é que toco o negócio. Além dos discos, qual veículo você usou, tevê, rádio? Apareci muito na televisão. De 1987 a 1988 fiz um programa no SBT, o "Especial Chitãozinho & Xororó", todos os domingos - eu contava piadas. Fiz o programa "Barros de Alencar" na Rede Record - fazia papel de jurado caipira e na hora da nota eu contava uma piadinha. Também fiz o programa "Flávio Cavalcanti" (1971) durante seis meses. Participei do programa do Wilton Franco. Atualmente tenho participado da Rede família e SBT e outras tevês do interior. E nas rádios? Agora, com a minha volta, o pessoal tem me prestigiado bastante tocando meus CDs. Senti que tenho um nome e que pode ficar mais forte se eu correr atrás. Como você inventa uma piada? Quando eu viajo, conheço pessoas. Vou muito pra roça, visito fazendas e nesses encontros sempre surgem piadas no meio da conversa. Às vezes paro o carro na estrada e vou lá no meio do cafezal conversar com o pessoal. Então surgem histórias que eu adapto para piadas. Às vezes, o causo é cumprido, então dou uma lapidada pra transformá-lo numa piada curtinha. Quantas piadas você já inventou? Bom, eu criei mais de cem, mas devo ter gravado uma média de 400 piadas. Quem na sua família tinha o dom da graça? Meu pai era violeiro, fazia composição com assuntos engraçados. A gente morava em fazenda e ele trabalhava de colono. Era nesse ambiente que as piadas e modinhas surgiam e eu peguei o jeito. Qual é seu projeto atual? Agora vou lançar uma revista pela Editora Escala na qual conto coisas da minha vida. A revista vai sair com o CD "O jeito simples de fazer rir". Qual seu conselho para quem quer seguir a carreira de humorista caipira? DISCOGRAFIA Nasci no interior e minha vida é a do caipira, do caboclo. Até os 18 anos vivi trabalhando na roça. Acho que a gente deve fazer o que gosta, sem passar por cima dos outros nem sentir inveja. Fazer rir é muito mais difícil do que fazer chorar. Mas quem tem o dom de ver graça nas coisas, deve ser persistente e se dedicar a isso sem parar. Eu parei dez anos e foi ruim pra minha profissão. Mas aí vai um conselho: "Não esqueçam de agradar as crianças!". BARNABÉ Contato: contato@caipirabarnabe.com.br caipirabarnabe@gmail.com Site Oficial: http://caipirabarnabe.com.br/ uma produçao: desmanipulador.blogspot.com.br

quarta-feira, 26 de julho de 2017

O adeus a Valdir Peres


Waldir Peres sofre infarto e morre aos 66 anos (Foto: infoesporte) Morreu neste domingo um dos maiores goleiros da história do futebol brasileiro: Waldir Peres, ídolo do São Paulo, com passagem pelo Corinthians e titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982. Ele tinha 66 anos e sofreu um infarto fulminante durante um almoço com a família, na cidade de Mogi Mirim, no interior paulista. – Nós viemos passear na casa de uns amigos numa festa de aniversário em Mogi Mirim. Ele passou mal depois do almoço, nós o levamos a uma farmácia e lá ele desmaiou. Depois levamos para o hospital, mas infelizmente ele não resistiu. Foi fulminante – afirmou a irmã Isabel por telefone ao GloboEsporte.com. Waldir Peres se sentiu mal e teve um infarto por volta das 14h. Foi levado por familiares ao hospital 22 de Outubro, em Mogi Mirim, mas não resistiu e teve a morte decretada por volta de 15h30. O ex-goleiro deixa dois filhos, que moravam em São Paulo, e uma filha, que está na Malásia. Ele não era casado, mas estava acompanhado da noiva. O corpo do Waldir sairá de Mogi Mirim nesta segunda-feira, às 17h, e virá pra São Paulo. O velório será a partir de terça e o enterro, só na quarta (às 9h) – para aguardar a filha que vem do exterior –, no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi. A carreira Nascido em Garça, interior de São Paulo, no dia 2 de janeiro de 1951, Waldir Peres começou a carreira na Ponte Preta, que o revelou em 1970. Três anos depois, se transferiu para o São Paulo, onde se tornou um dos maiores goleiros da história. Entre 1973 e 1984, fez 617 partidas (só perde para Rogério Ceni em presenças) e ganhou o Brasileiro de 1977 (onde teve papel decisivo nas cobranças de pênalti) e os Paulistas de 75, 80 e 81. No Morumbi, ganhou destaque a ponto de ser presença constante nas convocações da Seleção. Como reserva, foi às Copas do Mundo de 1974 e 78, mas teve a chance de ser titular em 1982, na equipe que marcou época apesar de não ter sido campeã. O goleiro fez 39 partidas com a camisa amarelinha, a última na derrota por 3 a 2 para a Itália.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Moacyr Franco


Moacyr Franco, cujo nome de batismo é Moacir de Oliveira Franco (Ituiutaba, 5 de outubro de 1936), é um ator, cantor, compositor, autor, apresentador de TV, humorista e político brasileiro. É filiado ao PPS. As composições de Moacyr são bastante ecléticas, como boleros, marchinhas, baladas de amor e até rock’n’roll. Seus maiores sucessos, porém, estão no sertanejo-raíz, quando, nas décadas de 80 e 90 compôs várias músicas que alcançaram os primeiros lugares nas paradas, tais como: "Dia de Formatura", com Nalva Aguiar, "Seu amor ainda é tudo", "Ainda Ontem Chorei de Saudade" e "Se eu não puder te esquecer", com João Mineiro & Marciano. Moacyr descobriu cedo sua vocação artística. Assim que terminou o Ensino Fundamental, em Uberlândia, foi contratado em uma oficina de pintura, que produzia cartazes e letreiros por encomenda. Um belo dia, o maestro da Orquestra de Tapajós precisou dos serviços e chamou o rapaz para dar um jeito nas estantes do teatro onde ensaiavam. Moacyr Franco ficou encantado com a música. “Fiz um negócio com o maestro: eu pintaria as estantes, ele deixava eu cantar com a orquestra. Ele topou! Por aí é que eu virei cantor, aprendi música, violão e piano”, contou ele. Aos 17 anos ganhou um concurso de melhor cantor na Rádio Difusora de Uberlândia, ao cantar no programa de calouros "Astros e Estrelas do Amanhã". Três anos depois, mudou-se com a família para Ribeirão Preto, onde conseguiu um emprego na Rádio Clube Ribeirão Preto. Foi lá que conheceu Aloisio Silva Araújo, grande redator de humorismo, que era amigo de Manuel de Nóbrega. Em 1959, no programa Praça da Alegria, interpretou o personagem "Mendigo". Quando o programa passou a ser gravado na TV Rio, o artista e seu personagem ficaram ainda mais conhecidos: seu bordão que divertia a plateia no auditório foi transformado em marchinha de carnaval. Nascia ali "Me Dá Um Dinheiro Aí".Estourou com outras músicas, como Suave é a Noite (versão de Tender is the Night), "Pelé agradece", "E tu te vais", "Pedagio" e Eu Nunca Mais Vou Te Esquecer. Sofreu um sério acidente automobilístico nos anos 70 e após isso um AVC, o que lhe prejudicou a carreira. Depois do sucesso que vivenciara na primeira metade da década de 70, nunca recuperou a imensa popularidade que tinha. Desde então lançou vários discos (fez muito sucesso com a canção Balada número sete, homenagem ao grande jogador de futebol Mané Garrincha) e ganhou 42 discos de ouro, além de trabalhar nas principais emissoras do país apresentando, produzindo, escrevendo e atuando em diversos programas. Continua a seguir paralelamente a carreira de cantor, apresentando-se por todo o Brasil. Em 1978 explodiu em todo o país com o sucesso "Turbilhão" (A nossa vida é um carnaval...), música mais tocada no carnaval daquele ano. Nas décadas de 80 e 90 compôs várias músicas no gênero sertanejo, que alcançaram os primeiros lugares nas paradas, tais como: "Dia de Formatura", com Nalva Aguiar, "Seu amor ainda é tudo", "Ainda Ontem Chorei de Saudade" e "Se eu não puder te esquecer", com João Mineiro & Marciano. Em 1996 gravou, recitando em 18 fitas cassete, todo o Novo Testamento. Em 1998, teve a música "Seu amor ainda é tudo", gravada pela cantora Roberta Miranda, no CD "Paixão", lançado pela Polygram. Em 2004, teve a sua composição "Tudo Vira Bosta" gravada por Rita Lee. Esta música integrou a trilha sonora da novela "Senhora do Destino", exibida no mesmo ano, pela Rede Globo de Televisão. Em 1959, Manoel da Nóbrega dá uma oportunidade ao artista, que vai para a TV Rio atuar em “Rio Te Adoro” e Praça da Alegria, onde interpretou o personagem "Mendigo", que alcançou muita popularidade. Nos anos 1960, ainda na TV Rio, trabalhou ao lado de Chico Anysio e Hilton Franco, e tocou programas de grande sucesso de audiência, como O Riso É O Limite e Show Doçura. Ainda na década de 60 se transferiu para a TV Tupi, onde fundou, junto com Boni, o TeleCentro, que era um centro de produções com objetivo de lançar novos talentos no mercado. Em 1971 se transferiu para a TV Globo. Seu primeiro programa na emissora foi Moacyr Franco Especial, um programa de variedades com números musicais, entrevistas, quadros humorísticos e brincadeiras. No ano seguinte, o programa passou por reformulações e tornou-se semanal: entrava no ar o Moacyr Franco Show, que, a partir de 1973, foi transmitido a cores, com a introdução de mudanças na estética e na forma de apresentação. Neste programa, revelou vários artistas como: Isabela Garcia, Guto Franco, Carla Daniel, Nizo Neto, Rosana Garcia, sua afilhada de batismo, entre outros. Outra curiosidade sobre o Moacyr Franco Show, foi que ele foi o primeiro programa a fazer merchandising fora dos comerciais. O produto em questão era o filtro de papel Mellita. Em 1976, passou a apresentar o Moacyr TV. Com participação de Pepita Rodrigues, o programa recebia no auditório desconhecidos, em busca de uma oportunidade para brilhar na televisão. O show de talentos tinha como promessa um carro zero quilômetro e um contrato com a TV Globo. Nesta brincadeira, anônimos reinterpretavam cenas de novelas, com a ajuda de atores famosos. “Eu considero aquele programa um marco. Teve ótimos índices de audiência na Globo. O pulo do gato ali era o humor, a sátira, que dava audiência. Foi o primeiro programa no Brasil que teve um telão no meio do auditório, onde se reproduziam as cenas que estavam sendo teatralizadas.” Moacyr Franco, sobre o programa Moacyr TV, em depoimento concedido ao Memória Globo em 11/06/2014 Em 1977, Moacyr Franco interrompeu sua carreira, devido a problemas de saúde. Teve um aneurisma cerebral enquanto fazia A Praça da Alegria, apresentado por Luís Carlos Mieli. Em 1980, Moacyr trabalhou na TV Bandeirantes, onde fez o programa humorístico As Caveirinhas e depois O Burro do Homem, que conquistou, na época, o prêmio de melhor programa humorístico da televisão brasileira. Em 97 resolveu aceitar um convite de Silvio Santos para apresentar o programa “Concurso de Paródias” e não saiu mais do SBT. De novo com Guto, escreveu e interpretou seriados de enorme sucesso como Ô… Coitado! com Gorete Milagres e Meu Cunhado com Ronald Golias e Guilhermina Guinle. Em 1998 assume o cargo de Diretor de Criação do SBT. Em 2005, aceita o convite de Carlos Alberto de Nóbrega e volta à A Praça é Nossa, onde interpreta o homossexual caipira Jeca Gay. Outra vez vira sucesso nacional com o bordão “Chic no Urtimo!” Moacyr é torcedor do Palmeiras, tendo, inclusive, feito uma canção dedicada ao clube, "O Amor é Verde". Moacyr é pai de 7 filhos, a saber: Moacyr Franco Jr., Guto Franco, Maria Cecília, Johnny Franco, e dos gêmeos Ana Helena e Domenico. Em 1966, Moacyr ficou viúvo de sua primeira esposa, Vitória, com quem teve os dois primeiros filhos (Moacyr Franco Junior e Guto Franco). Os outros 5 filhos são frutos de seu casamento com Daniela Franco, que chegou ao fim no início de 2010. Em 2013, começou um relacionamento com sua namorada atual, Pamela Noronha, 56 anos mais jovem que ele. Sobre seus filhos: Moacyr Franco Jr. - Seu filho mais velho é comandante dos aviões da TAM e faz voos internacionais. Guto Franco fez sucesso ao ser lançado ainda criança em programas do pai, chegando a participar como ator da telenovela O Grito produzida e exibida pela TV Globo na década de 1970. Guto participou da Praça interpretando o personagem Dona Guajarina e foi diretor e redator chefe do humorístico A Turma do Didi exibido pela Rede Globo aos domingos. Johnny Franco - nome artístico de João Vitor. Fez programa de televisão ainda novo assim como Guto, participando do programa Meu Cunhado. Já como "Johnny Franco", é vocalista da banda The Moondogs, que participou do programa SuperStar, da Tv Globo. Origem: Wikipédia

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Tireoide


O tratamento dos principais problemas nessa glândula - câncer, hipertireoidismo e hipotireoidismo - foi revisto. Saiba como preservar a saúde da tireoide Nada nem ninguém gerou tanto bafafá no último Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, recém-ocorrido na Costa do Sauípe, na Bahia, quanto a tireoide. A glândula localizada no pescoço e que regula o ritmo de funcionamento de todo o organismo foi o tema central de 12 mesas-redondas, conferências e aulas – a título de comparação, a obesidade, outra estrela do evento científico, esteve presente em 11 palestras. Dá pra entender o porquê: novos estudos estão mudando pra valer a maneira como os médicos (e os pacientes) devem encarar e remediar os descompassos tireoidianos. A primeira grande notícia é a reclassificação de um tipo de câncer relativamente comum na glândula. Seu nome é complicado: variante folicular do carcinoma papilífero não invasivo encapsulado (ou EFVPTC, na sigla em inglês). Há seis meses, ele era considerado maligno e exigia um contra-ataque pesado, com cirurgia e boas doses de radiação. Leia também: Mamografia não causa câncer de tireoide Pois um convênio de cientistas do mundo inteiro capitaneado pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, decidiu alterar radicalmente o caráter desse tumor. “Partimos da observação de que, na maioria dos casos, ele evoluía muito bem, sem sinal de proliferação, mesmo quando não se faziam intervenções”, relata o patologista Venancio Alves, da Universidade de São Paulo e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP), único brasileiro a fazer parte da investigação. Por isso, a partir deste ano, o que era um câncer passa a ser visto como nódulo benigno, que não carece necessariamente de bisturi ou bombardeios de iodoterapia. “Alguns colegas dizem que este foi o primeiro recall da história da medicina”, brinca a endocrinologista Patrícia Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Estima-se que o EFVPTC represente 20% do total de tumores de tireoide. A expectativa é que essa decisão reduza gastos com a saúde e o uso de tratamentos supérfluos, além de minimizar a ansiedade das pessoas diagnosticadas. A reclassificação é apenas um exemplo de uma série de transformações pelas quais a abordagem dos nódulos tireoidianos está passando. Todas as etapas de diagnóstico e tratamento são revistas atualmente e geram acalorados debates. Isso começou quando os experts perceberam que, nos últimos 25 anos, houve um aumento de três vezes no número de episódios, embora a taxa de mortalidade continuasse a mesma. Veja também pequenas-alterações-na-tireoide-são-perigosas MEDICINA Pequenas variações na tireoide já são perigosas para o coração query_builder21 mar 2017 - 17h03 A principal explicação para o fenômeno está na prescrição indiscriminada do ultrassom de pescoço, que vasculha a glândula à caça de tumores. A tecnologia progrediu tanto que essas máquinas são capazes hoje de apontar massas cada vez menores e indolentes. “Exames realizados com sujeitos de mais de 50 anos detectam lesões incidentais, sem grande significado para a saúde, em quase 60% das circunstâncias“, calcula o endocrinologista Hans Graf, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). E 100% daqueles que alcançaram as oito décadas de vida apresentam um caroço na região. Ou seja: flagrar um nódulo com características perigosas é um tanto quanto mais raro. Portanto, não se recomenda fazer o ultrassom de rotina, como acontece com a mamografia na prevenção do câncer de mama após os 45 anos. “Esse teste só está indicado como checkup quando há histórico familiar da doença ou suspeitas na palpação do pescoço no consultório”, afirma Graf. Aliás, 7% das malformações são perceptíveis no exame clínico, em que o médico palpa o pescoço do paciente Se alguma bolota esquisita é encontrada no ultrassom, a próxima fase envolve determinar se ela é tranquila ou agressiva. Isso é possível por meio da biópsia, em que uma agulha fina é inserida na região da garganta e aspira um pedacinho defeituoso da glândula para análise em laboratório. E não é que esse procedimento também é alvo de reformas? A Associação Americana de Tireoide – que admite uma certa epidemia artificial do problema – atualizou suas diretrizes sobre o assunto e aconselha que nódulos com menos de 1 centímetro não sejam avaliados por uma punção. Isso vale até para aqueles que aparentam ser do mal: basta monitorar seu crescimento de tempos em tempos. Essa conduta, por enquanto, ainda não é a realidade nas clínicas e nos hospitais brasileiros. Nada de precipitações com o câncer Mas, ok, vamos supor que o médico pediu ultrassom e biópsia e os laudos mostram que se trata de um tumor maligno. Pois senta que lá vem novidade: há situações em que o melhor é nem intervir. Estudiosos do Hospital Kuma, no Japão, seguiram 340 pessoas com microcarcinoma papilífero – o câncer de tireoide mais prevalente – durante dez anos, sem recorrer a qualquer ação. Nesse período, 15% tiveram uma ampliação da massa cancerosa superior a 3 milímetros e apenas 3% sofreram metástase, ou seja, as células malignas se espalharam por outras áreas. A lição nipônica é que, na maior parte das vezes, o indivíduo morre com o nódulo, mas não em decorrência dele. Essa é a típica ocasião em que a terapia se torna mais prejudicial do que a enfermidade em si. Isso abre a perspectiva de se tomar alguma atitude só no momento em que existe uma ameaça à saúde. “O tema é bastante controverso e o nosso desafio está em selecionar os casos em que uma operação não é mesmo necessária”, raciocina o cirurgião de cabeça e pescoço Erivelto Volpi, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Que fique claro: uma estratégia dessas é válida somente se o tumor é pequeno, não está num local complicado nem tem capacidade de se dispersar pela circulação ou sistema linfático. Aliás, uma discussão similar vem ocorrendo com o câncer de próstata. A própria cirurgia, aliás, já não é a mesma. Os cortes ganharam precisão, e as cicatrizes estão quase imperceptíveis. Os riscos se mostram modestos e, mais importante, a palavra de ordem é preservar sempre que possível. “Hoje em dia, dá para retirar metade da glândula e conservar a porção saudável”, conta o médico Antonio Bertelli, do Hospital Samaritano de São Paulo. A parcela sadia consegue até produzir o T3 e o T4 normalmente, sem precisar de reposição hormonal por meio de comprimidos diários. Por André Biernath* http://saude.abril.com.br

quarta-feira, 5 de julho de 2017

O que é menstruação?


A menstruação é a prova de que o ciclo fértil de uma mulher está chegando ao fim. Além de na maioria dos casos confirmar a inexistência de uma gestação, ela ainda pode mostrar muito sobre a saúde do corpo feminino. Por isso, é muito importante estar sempre atenta a cada característica do sangue que, normal ou não, nos diz muito. No início do ciclo reprodutivo feminino - que dura, em média, 28 dias -, o útero se prepara para receber o óvulo fecundado produzindo o endométrio, um revestimento que fica na parede interna do órgão e é altamente vascularizado e rico em nutrientes. Caso a fecundação não aconteça, antes de iniciar o próximo ciclo, o corpo, através da suspensão da produção de determinados hormônios, elimina o óvulo anteriormente liberado e, junto com o ele, o endométrio. O resultado é a menstruação. Composição Fruto do descolamento do endométrio, a menstruação é composta por, além do tecido, que é altamente vascularizado, sangue, muco e secreções vaginais. Cor Sua cor varia de acordo com cada fase do período menstrual – entre marrom borra de café, passando por vermelho vivo até chegar em quase vinho. Cheiro O sangue em si não tem cheiro forte. No entanto, como ele passa por todo o canal vaginal, se mistura com bactérias e fungos naturais à flora da região e, dessa forma, começa a envelhecer. Por isso, a menstruação tem um cheiro específico - que para as pessoas com o olfato mais sensível pode ser forte. Mas ele não é fétido ou desagradável, apenas característico. Em casos anormais, é importante procurar um médico para investigar possíveis infecções. Durante todo o período, os especialistas calculam que uma mulher libere entre 30 e 50 ml de sangue. Como medir é quase impossível, a ginecologista Dra. Patricia Rossi, do Conjunto Hospitalar do Mandaqui, São Paulo, estipula alguns sinais que caracterizam a normalidade. A duração deve ser de três a oito dias, com um sangue sem muitos coágulos e com o uso de até seis absorventes por dia. Como o que dá origem à menstruação é o descolamento do endométrio, um tecido que é criado na parede interna do útero, de acordo com o ginecologista Dr. Celso Luiz Borrelli, do Hospital do Coração de São Paulo (HCor), é normal que em determinados momentos a mulher perceba que alguns pedacinhos saem junto com o sangue. Eles, portanto, são partículas maiores desse tecido. A quantidade expelida varia de acordo com a liberação hormonal de cada mulher. Outra característica muito comum da menstruação são os coágulos. De acordo com o médico, eles surgem porque durante a descida e dependendo da posição em que a mulher fica, o sangue pode acumular na cavidade do canal vaginal e, por um processo natural do organismo, o que era líquido é transformado em coágulo. Geralmente, mulheres que possuem fluxos mais intensos notam os episódios com mais frequência. É importante, no entanto, que cada mulher conheça seu ciclo. Embora normal, os coágulos, quando aparecem repentina ou excessivamente, podem indicar o surgimento de algumas doenças do aparelho reprodutor feminino. O que determina o fluxo menstrual, como explica a médica do Hospital Mandaqui, é a quantidade de hormônio produzida enquanto o útero se prepara para receber o óvulo fecundado produzindo o endométrio. No começo e no fim da idade reprodutiva, é normal que a menstruação seja intensa devido aos ajustes hormonais que estão acontecendo. Na idade adulta, a tendência é que a quantidade seja normalizada. Dr. Borelli, no entanto, lembra que embora não seja comum, mulheres com alterações hematológicas perdem muito sangue (a menstruação dura mais de oito dias e o fluxo é muito intenso) e, por isso, podem sofrer com anemia. Nesses casos, ao notar qualquer alteração, é importante procurar um especialista. Além das alterações hormonais comum na puberdade e no início da menopausa que podem aumentar ou diminuir o fluxo, o uso de anticoncepcionais também contribui para que a menstruação diminua. Como explica o ginecologista do HCor, a ingestão do hormônio sintético afina o endométrio e, por isso, a quantidade de sangramento reduz. ESCRITO POR BEATRIZ HELENA saiba mais: http://www.vix.com

quarta-feira, 28 de junho de 2017

A vida sabe ser safada


Demi Moore linda. Sedutora. E banguela. Quem imagina? Estresse na carreira. Separação de Ashton Kutner. Quem não tem seus sofrimentos? A vida sabe ser safada. Desfia a alma da gente. Com todos. Sem distinção de cor ou classe social. Ninguém está livre. Há um ano de estado de calamidade, os funcionários do Rio de Janeiro estão sem o décimo terceiro e sem três meses de salário. Se Demi está banguela, os funcionários do estado do Rio de Janeiro já devem estar na fase de dentadura. Largados à míngua. Abandonados à própria sorte. Endividados. Desabrigados. Famintos. Obrigados a viver de favores de parentes e amigos. Não podem nem morrer. Falta dinheiro para o velório. Crescem os casos de suicídio entre os servidores do estado. Muitos adoeceram sob tamanha pressão. Deprimiram. Como viver sem salário? Sem prazo? Sem previsão? Pezão não fala de prazos. R$ 700,00 foi o que o governo pagou. Não pagou. Deu de esmola. Quase com nojo. Como quem joga moeda à mendigo sem nem olhar a cara. Com nojo. Sem interesse que não seja se livrar do pedinte. Agora fala em liberar mais R$300,00. Nossa! Tão bonzinho. Que legal. Olha lá, governador. Tem certeza que não vai fazer falta? Está achando que a conta da gente é cofrinho, governador? Estamos completamente à deriva. Falta verba. Só para a gente, né? Já viu político ter salário parcelado? Atrasado? Ter seus privilégios e luxos diminuídos? Falta nada nunca para o salário dos deputados. Nem o do governador, claro. Nunca para interromper os descontos fiscais e benefícios das grandes empresas. E os cargos comissionados e as secretarias? Não podem diminuir? E o dinheiro gasto com cabides de emprego? Com ajudas de custo que nos custam tanto? Para esbanjar não falta. O povo desesperado e Pezão sempre risonho. Será que ri da gente? Parece achar bem normal a miséria em que jogou seus funcionários. Está certo em rir. O dele está em dia. Falta verba? Falta tudo. Saúde, segurança, educação. Os serviços caem de podre sem manutenção. As pessoas não têm nem como pagar a passagem. Imagine a aflição dos aposentados que gastam fortunas com medicação. O corpo envelhece. Começa a enguiçar. Haja remédio para o açúcar, a pressão, o ácido úrico, o coração que descompassa, a vitamina que está baixa. Isso torcendo para não ter nada extra. O SUS não fornece toda medicação. A que fornece nem sempre tem. Nem sempre de boa qualidade. Já houve casos de remédios que, quando analisados, não tinham as substâncias necessárias. Isso é grave. Há os que chegam a tomar vinte remédios ao dia. Com despesas que chegam à R$ 3.000,00. - Calma. Sempre pode parcelar. Mas de que adianta parcelar se não tem salário? Como bancar esse custo sem salário? Como se alimentar? E condomínio? Água. Luz, gás, telefone? Plano de saúde? As dívidas crescem. Pessoas perderam suas casas, seus carros, sua saúde. Já há funcionário que virou camelô. Mas os enfermos? Como podem sobreviver? Os cansados pelo tempo, já sem condição de voltar ao mercado de trabalho? Negar salário ao trabalhador é um atentado à vida. É violação dos direitos humanos. Negar salário aos aposentados fere o Estatuto do idoso. Que estado é esse que impede um envelhecimento minimamente digno? E onde está a justiça? A defensoria? O legislativo? Onde está o Ministério Público que não se levanta contra esse crime? Todos calados com seus salários no bolso. Os que julgam. Os que batem. Os que controlam e ameaçam. A esses o salário não pode faltar. E aos amigos. Aos igualmente poderosos. Aos ricos cheios de benefícios. Numa esperteza histórica, os senhores feudais dividem os escravos. Beneficiam uns, em detrimento de outros. Os beneficiados, tranquilos, se aquietam. Assim é o funcionalismo no estado do Rio de Janeiro, dividido em facções. Para dissolver a revolta da multidão. Uns estão sem salários desde abril. Isso fora o décimo terceiro de 2016. Outros recebem. E, aliviados, se calam. Fazem ouvido de mercador. Surdos à dor dos outros. Se os sem-salário vão às ruas reclamar seus direitos são açoitados com cassetetes, gás e balas de borracha. Tratados como bandidos. Enxotados das ruas por seus colegas também do estado. Sabe o que mais dói? Dói ver as pessoas lutando pela continuação dos seus empregos. Pelo bem estar das pessoas que deles dependem. Mesmo no sufoco. Sem apoio. Desamparadas, não desamparam. Na UERJ, professores dão aulas. No Hospital Pedro Ernesto, médicos atendem. Essas pessoas mereciam o mesmo respeito de volta. Não têm. Pezão estava ligado à Sergio Cabral. Sempre. Não é ao menos suspeito? De Cabral, onde está nosso dinheiro que não volta? Enquanto Adriana Ancelmo gasta um milhão e duzentos mil para as despesinhas da casa, os funcionários morrem à míngua. O povo do Rio de Janeiro vota mal. Isso é fato. Vota em governantes sórdidos que lhe tratam como lixo. - Bem feito? Votar mal é um erro grave. Mas ninguém merece ser punido tanto assim. Será que a Senhora Justiça poderia tirar a venda, o tampão dos ouvidos e escutar o sofrimento de seu povo? Dê uma calibrada na balança que anda desregulada. Aproveite a ocasião e bata com a balança nessa gente. Dê uma balançada neles. Ameace com sua espada. Cara, sei lá. Faz alguma coisa! Mostre que a Justiça tarda, mas não falha. E que o povo merece é respeito, reconhecimento e consideração. Como disse Bertolt Brecht, há muitas maneiras de matar. Podem enfiar-te uma faca na barriga, arrancar-te o pão, não te curar de uma enfermidade, meter-te numa casa sem condições, torturar-te até a morte por meio de um trabalho. Somente o punhal o estado ainda não tentou com a gente. Senhora Justiça, o povo do Rio de Janeiro desesperado e banguela e ameaçado de morte, pede socorro. Mônica é carioca, professora e psicóloga clínica. Especialista em atendimento a crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias. Escreva contando sua história. Mande sua sugestão para elbayehmonic@yahoo.com.br Se quiser conhecer meus livros

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O ponto de ônibus mais antigo de São Paulo


Mais uma grata surpresa encontrada pelas ruas de São Paulo. Você sabia que existe um ponto de ônibus bem diferente dos que costumamos encontrar, e que é seguramente o mais antigo em operação na cidade ? Em pleno bairro da Lapa, na Praça Cel. Cipriano de Morais, existem um ponto de ônibus da década de 60 que é o último sobrevivente de sua geração. Construído pela extinta CMTC, o abrigo é uma robusta construção de ferro, fixada na calçada com concreto. Estes pontos de ônibus com abrigos de ferro eram muito comuns especialmente em praças e grandes locais abertos, como no Vale do Anhangabaú. A imagem abaixo, dos anos 60, mostra vários destes abrigos instalados no que hoje é um grande boulevard sem acesso para ônibus e automóveis. Estes pontos foram desaparecendo da cidade a partir de meados da década de 70, mas por alguma razão este da Lapa foi preservado e está nesta praça até os dias de hoje. Apesar de antigo, encontra-se em boas condições e bem preservado, servindo de abrigo a passageiros que esperam sua condução no local. Em seu interior, em uma das laterais, é possível observar uma placa da CMTC atestando não só a construção e a antiguidade do abrigo, como mostra a fotografia a seguir. Uma peculiaridade, e que dá ainda mais charme ao antigo e curioso ponto de ônibus é o fato de que alguém com bastante criatividade resolveu colocar na parte interior do teto do abrigo um papel de parede decorativo, que dá a impressão de que você está sob o teto de uma capela ou algo do gênero, veja: Como recentemente a Prefeitura de São Paulo começou a substituir os abrigos de ônibus por outros mais modernos, fica a questão no ar: Será que o ponto da Praça Cel. Cipriano de Morais será mantido ? Este abrigo de passageiros não é apenas mais um. É um sobrevivente vivo e funcional da história do transporte coletivo em nossa cidade. Faço um apelo para nossas autoridades: Vamos não só manter o abrigo como tombá-lo como parte da memória paulistana e da história da saudosa CMTC. Atualização: 16/03/2015 Demorou um pouco, mas finalmente a recuperação do ponto de ônibus mais antigo de São Paulo chegou. pós a veiculação inicial desta reportagem em 2013, o até então desconhecido ponto da Praça Coronel Cipriano transformou-se em centro de atenções, e sua preservação, já defendida por nós desde o princípio passou a ser prioridade, unindo inclusive moradores do bairro. No início de 2015 a Prefeitura do Município de São Paulo providenciou a recuperação do ponto de ônibus, realizando trabalho que contou com a preparação e posterior pintura, deixando-o impecável e com uma pintura similar a quando estes pontos estavam em plena utilização em toda a cidade. Douglas Nascimento Jornalista, fotógrafo e pesquisador independente, edita o site São Paulo Antiga e é membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP). Também edita o blog Human Street View, focado em comparações fotográficas entre a atualidade e o passado. http://www.saopauloantiga.com.br

quarta-feira, 14 de junho de 2017

FORA CRACOLÃNDIA

O ator Fábio Assunção está tentando criar um grupo composto por artistas e ativistas para levar críticas ao prefeito João Doria (PSDB-SP) por conta das atitudes do governo municipal na região da Cracolândia. As informações são da colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo. "Se a gente só polarizar com ele, não vamos conseguir nada", contou Fábio à coluna, ressaltando a necessidade de estar aberto ao diálogo para tentar contornar a situação. O ator chegou a ter problemas com a dependência de drogas no passado, que o levaram a ficar sete anos afastado do mundo das novelas. Hoje em dia, porém, considera o assunto encerrado. Atualmente, a região chamada de Cracolândia em São Paulo vem chamando atenção por conta de ações realizadas pela Prefeitura para tentar combater o tráfico e consumo de drogas na região. Algumas das medidas fizeram com que o Ministério Público Estadual (MPE) e a Defensoria Pública destacassem o risco de uma "caçada humana". As polícias Civil e Militar realizaram por volta das 6h30 deste domingo (21) uma grande operação na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo. O objetivo da ação é identificar pontos de venda de drogas, apreender entorpecentes e localizar e prender traficantes. A intenção da prefeitura e do governo estadual é limpar e revitalizar a Cracolândia, inclusive com a instalação de habitações populares. Mais de 500 policiais participam da operação, que começou a ser organizada nesta madrugada. Dois helicópteros das polícias OPINIÃO: DA PRA ENTENDER QUE AS PESSOAS QUE JA SE ENVOLVERAM OU AINDA SE ENVOLVE COM DROGAS VÃO SEMPRE DEFENDER, SABEMOS QUE VARIAS PESSOAS GANHAM MUITO COM DEPENDENTE DE DROGAS, TEM QUE ACABAR COM ISSO PRA MIM A CRACOLANDIA E O MUNDO SUJO E DEMOROU PRA QUE SE TOMASSE UMA ATITUTE AI VEM OS BONITINHOS DEFENDER TRAFICANTE USUARIOS DE DROGAS, E POR ISSO QUE NAO VAMOS PRA FRENTE. O Jornal da Record registrou a ousadia dos traficantes na Cracolândia, centro de São Paulo. Para não perder a venda, eles usam uma espécie de 'vale-crack'; um papel, comprado de um intermediário, que pode suar usado na troca pela pedra ou cachimbo. Além disso, como forma de pagamento, os criminosos aceitam até cartão de débito.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Morre o radialista Barros de Alencar


O cantor, compositor e radialista Barros de Alencar (Maurício Barbieri/Estadão Conteúdo) Morreu nesta segunda-feira, aos 84 anos, o cantor, compositor e radialista Cristóvão Barros de Alencar. Sucesso nas rádios a partir dos anos 1960, o músico estava internado em um hospital na Mooca, São Paulo. O enterro será nesta segunda-feira, 13h30, no Cemitério Jardim Primavera, em Guarulhos. Nascido na Paraíba, Barros de Alencar veio para São Paulo e fez carreira no rádio, passando pela Tupi, Record e América. Em 1966, lançou seu primeiro disco. Em 1975, gravou uma versão em português de Emmanuelle, música-tema do filme francês de mesmo nome, um fenômeno na época por seu erotismo. Ao longo dos anos, intercalou a carreira musical com seu reconhecido trabalho nas rádios.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Pra que fumar


Fumar é uma atitude tão comum que ninguém nota como esse gesto é peculiar. Afinal, trata-se de inalar fumaça, algo repulsivo para outros animais. Mas, entre nós, fumar tornou-se tão familiar que algumas cenas cotidianas pareceriam inverossímeis sem umas tragadas. O que seria do cinema sem o cigarro nas cenas de sexo? E dos soldados, sem uma bituca para as longas horas de guarda? Sem falar dos gestos arquetípicos, como distribuir charutos para comemorar um nascimento. Fumar tornou-se inerente ao ser humano. Onde há fumaça, provavelmente haverá um dos 1,2 bilhão de fumantes do mundo, e vice-versa. Tudo graças a uma planta descoberta há cerca de 500 anos na América. Sim, o tabaco, a planta que recheia cigarros, cachimbos e charutos, é originário da América e era desconhecido pelos europeus até 1498. Desde então, o consumo mundial só fez crescer, espalhar-se e sofisticar-se. Mas a história de conquistas pode estar no fim. O cerco ao tabaco já reduziu o consumo nos países ricos e será reforçado nos demais. O último nó no torniquete em torno da indústria tabagista ocorreu no mês passado, quando 192 países aprovaram um tratado da Organização Mundial da Saúde (OMS) que prevê controle sobre o comércio de cigarro, limites à propaganda, aumento de impostos e divulgação dos malefícios que ele causa. No Brasil, as regras acrescentam pouco ao que já existe: a propaganda foi banida, o imposto é alto, os maços trazem alertas de saúde e a nomenclatura “light”, ideal para capturar ex-fumantes, foi proibida. Mas em muitos países o tratado, que precisa ser transformado em lei para vigorar, será um avanço. Assim, pode ser que em 20 anos o mundo veja pela primeira vez uma queda no número de cigarros consumidos no planeta, hoje em torno de 5,5 trilhões de unidades por ano. Até hoje, esse número só cresceu, embora na última década o crescimento tenha sido menor, graças a restrições em países de grande consumo. Mas essa redução foi compensada pela abertura de novos mercados. Em Taiwan, onde até 1990 só era vendida uma marca local, o consumo entre estudantes cresceu 50% depois que as grifes americanas acionaram suas táticas de marketing. Boa parte dessa gente não sabe que o cigarro causa doenças. Em 1996, uma pesquisa na China, onde se consomem 30% dos cigarros do mundo, revelou que 61% da população achava que o vício causa pouco ou nenhum dano à saúde. É um mercado mal explorado e mal regulado. É esse tipo de exploração que o novo tratado deve barrar. Não se sabe quando isso vai acontecer. Mas é certo que se acabaram os dias de glamour do cigarro, em que ele era associado a sedução e poder, em uma incrível história de construção de imagem que começou há 8 mil anos, no Peru, com o primeiro cultivo. Quando os espanhóis chegaram, 7 500 anos depois, a planta já se espalhara pelo continente, como afirma Iain Gately, autor de Tobacco (“Tabaco”, inédito no Brasil), sobre a história da planta. Na América, diz ele, as folhas eram fumadas, cheiradas na forma de rapé (tabaco em pó), mascadas e até usadas como supositório. A principal razão para o consumo era mística: o tabaco permitia um contato com espíritos. Mas outras funções eram atribuídas à planta. Seu efeito levemente analgésico e anti-séptico era indicado para dores de dente ou feridas, e todo doente recebia baforadas. A fumaça também marcava os eventos sociais, como as guerras. Entre os índios norte-americanos, fumava-se o cachimbo da guerra antes das batalhas. Quando a peleja terminava, era hora de tragar o cachimbo da paz. Mas também usava-se o tabaco por prazer, pela agradável sensação de alerta e de energia que a planta dá ao corpo. Mas fora das tribos a planta nunca foi unanimidade. O navegador espanhol Rodrigo de Jerez, o primeiro europeu a fumar, logo percebeu isso. De volta à Europa, ao fumar em público, foi preso por três anos. O hábito era considerado uma selvageria. Além disso, os europeus notaram que a planta capturava a vontade humana. “Não está em seu poder evitar o hábito”, disse Colombo, ao notar a avidez dos marinheiros pela planta. Os europeus não sabiam o que era vício e não entendiam o simbolismo indígena do tabaco. Na verdade, eles pouco entendiam dos índios. A começar da língua. Tanto que a palavra tabaco vem de dattukupa, que significa “nós estamos fumando”, em um dialeto indígena. Os europeus achavam que era o nome da planta. Mas aos poucos a erva ganhou adeptos. Logo notou-se que ela afetava o corpo, o que atraiu a curiosidade médica. E foi para divulgar a nova medicina que o médico e diplomata Jean Nicot enviou as primeiras sementes à rainha da França, Catarina de Médici. Em sua homenagem, a planta foi batizada como Nicotiana tabacum. Em pouco tempo, tabaco virou remédio para tudo, indicado para crianças que comem muita carne, para pedra no rim e até para tratar mordidas de tigre. Em 50 anos o tabaco conquistou o mundo. Em 1542, já havia samurais fumando. As tribos africanas costeiras adoraram a planta e a levaram às aldeias interioranas séculos antes de os primeiros brancos chegarem lá. Nem o islamismo impediu sua circulação e a planta foi admitida nos países árabes, onde o álcool era proibido. A prosperidade do tabaco contrastava com a de seus descobridores. Na América, a vida dos pioneiros ingleses instalados nos Estados Unidos ia mal. A expectativa de vida era de míseros seis meses. Tudo mudou em 1612, graças ao colonizador John Rolfe. Ele trouxe mudas de tabaco, que começou a cultivar na recém-instalada colônia da Virgínia. No mesmo ano, casou-se com a princesa índia Pocahontas. Com a ajuda da tribo dela e a venda da erva, a colônia tornou-se sustentável. A colheita de 1618 foi de 9 toneladas. No final do século, subira para 17 mil toneladas. Tabaco era o principal produto de exportação e razão de ser da comunidade, a ponto de virar moeda. Comprava-se de tudo com a planta, de refeições a esposas. Não por acaso, a primeira lei da assembléia dos colonos tratava da erva: determinava um preço mínimo. Muitas figuras históricas americanas envolveram-se com a planta. A família de George Washington, o primeiro presidente, vivia do comércio da erva. E Thomas Jefferson, autor da declaração de independência dos Estados Unidos, era um fazendeiro de tabaco. Na Europa, a planta invadia o cotidiano. A primeira forma de uso a popularizar-se foi o rapé, e as caixinhas onde os homens traziam o pó eram uma marca pessoal. Seu desenho e os modos de seu dono ao abri-la distinguiam sua classe social. Na Inglaterra, a moda envolvia o cachimbo, considerado tão sedutor que as mulheres exigiam que o marido o largasse depois de casar. A associação do tabaco com sexo foi uma invenção européia. Na Espanha, a Tabacalera, a indústria estatal que chegou a ter o maior prédio industrial do mundo, contratava ciganas para fabricar charutos. No calor mediterrâneo, elas trabalhavam em roupas diminutas. Aquilo virava a cabeça dos escritores, entre eles o francês Prosper Mérimée, autor de Carmen, que depois seria imortalizada na ópera homônima. Carmen fumava papelotes, que se popularizaram na França, onde foram rebatizados de cigarettes (como os cigarros são conhecidos também em inglês). A oposição ao tabaco crescia com seu consumo. Um dos mais notórios oposicionistas foi o rei inglês James I, do século 17. “Fumar é um costume repulsivo para os olhos, detestável para o olfato, daninho para o cérebro, perigoso para os pulmões”, dizia. Mas ele foi ignorado. O imperador otomano Murad IV proibiu o fumo e, para fiscalizar, vestia-se de mendigo e implorava por umas baforadas. Quem dava tabaco a ele era decapitado. Estima-se que 25 mil foram mortos em 14 anos. Nem os colonos americanos livraram-se da sanha reguladora. As colônias ao norte dos Estados Unidos, fundadas pelos quackers, uma gente puritana e centrada no trabalho, não gostavam daquela planta. Logo surgiram proibições. Apesar disso, o comércio prosperava. O tabaco foi um dos primeiros produtos a desenvolver marcas comerciais. Na primeira metade do século 18, esse conceito sofisticou-se e o produto passou a ser vendido com embalagens e slogans. Um grande impulso veio em 1880, com a invenção da máquina de fazer cigarros. James Buck Duke, um americano que vendia a erva, comprou duas máquinas e inovou não só a fabricação, mas também a venda, gastando 20% de seus lucros em propaganda. Logo dominou o mercado. Os cigarros eram mais práticos e mais saborosos, e o consumo de tabaco cresceu 50% nas duas últimas décadas do século 19. O crescimento da indústria coincidiu com uma nova onda de oposição ao fumacê. As pessoas começavam a perceber que cigarro e doença andavam juntos e no final do século 19 a venda para jovens foi proibida na Inglaterra e nos Estados Unidos. Não era sem tempo. Algumas décadas antes, estudantes ingleses levavam à escola um cachimbo cheio e tinham aulas de fumo. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, as indústrias locais, após anos disputando o mercado, se uniram. Nos Estados Unidos, nasceu a American Tobacco Company, que Duke presidiu. Na Inglaterra, surgiu a Imperial Tobacco Company. Logo as duas perceberam que também não valia a pena disputar entre si e chegaram a um acordo: cada uma cuidaria de seu quintal, e as duas criavam a British American Association (BAT), para explorar os mercados do mundo todo. Uma das primeiras aquisições da BAT foi a empresa brasileira Souza Cruz, criada em 1903 pelo imigrante português Albino Souza Cruz. A Primeira Guerra Mundial transformou o público consumidor ao introduzir as mulheres no mercado de trabalho. Uma das primeiras marcas lançadas para elas foi o Marlboro, que décadas depois seria associado à macheza do cowboy. Em pouco tempo, as mulheres descobriram que o gesto de fumar poderia ser uma nova forma de sedução. E as empresas glamourizaram ao máximo as baforadas femininas. O cinema foi uma bênção para os fabricantes de cigarro e o associou ao sexo de uma vez por todas. Como não se podia nem exibir beijos na tela, os insinuantes gestos femininos ao fumar substituíram as cenas picantes. Toda estrela tinha pelo menos uma foto no portfólio segurando um cigarro. Aos poucos, a associação cinema-cigarro profissionalizou-se: entre 1978 e 1988, 188 atores e diretores receberam cachê para incluir baforadas nos filmes. Em 1988, o governo americano proibiu a prática, mas a exposição do cigarro na telona continuou. Uma análise dos 250 filmes americanos mais populares da década de 90 mostrou que 87% deles exibiam alguém fumando. Atualmente morrem 3,5 milhões de pessoas por ano vítimas do fumo. Em 2030, serão 10 milhões. Mas até a década de 50 ninguém sabia disso. Foi então que surgiram as primeiras pesquisas associando o tabaco ao câncer de pulmão. Em 1962, o governo inglês anunciou que o cigarro fazia mal. A indústria respondeu de várias formas. Uma delas foi o lançamento de produtos supostamente menos agressivos, como o cigarro com filtro. Outra foi abandonar de vez qualquer alusão à saúde e realçar o sabor dos produtos. A imagem passou a contar como nunca. Foi quando os logotipos das marcas de cigarro começaram a aparecer nos carros de corridas. Por fim, as indústrias descobriram o consumidor de ouro: o adolescente. Segundo uma pesquisa feita em 1977 pela BAT, “a instalação do hábito de fumar é um fenômeno adolescente. O hábito se instala principalmente aos 15 ou 16 anos”. Quanto mais cedo começa, maior a chance de fumar por 30 anos ou mais. Era vital atingir tal público. A indústria sempre negou mirar os jovens, mas alguns documentos secretos que vieram à tona indicam que se discutia muito a importância desse público. No Brasil, 90% dos fumantes compraram o primeiro maço na adolescência. Controlar a divulgação de um hábito é difícil, ainda mais se quem lucra com ele tem dinheiro para promovê-lo de formas não controladas, como no caso do cigarro. Muitos países baniram anúncios na TV, mas as pessoas continuavam aparecendo fumando na TV, em novelas e filmes. Em 1998, metade dos britânicos entrevistados em uma pesquisa disse ter visto um anúncio de cigarros na TV nos seis meses anteriores, embora eles estivessem banidos desde 1965. Outro caminho adotado pelos governantes para controlar a indústria foi a Justiça. Mas as evidências ligando o fumo a doenças eram estatísticas, epidemiológicas. Para vencer uma ação contra as empresas era preciso provar que uma coisa causava a outra, e isso era difícil. As empresas só foram perder ações na Justiça americana na década de 90. No Brasil, há muitos casos de vitórias em primeira instância, mas ninguém recebeu nada, porque as empresas sempre recorreram. Em 1998, acuada por todos os lados, a indústria fez um acordo com 46 estados americanos, prometendo pagar 246 bilhões de dólares em 35 anos, para cobrir os custos com fumantes doentes. Em 1776, Adam Smith, o pai da economia moderna previu: “Rum, açúcar e tabaco não são produtos vitais, mas têm grande consumo, o que faz deles objetos ideais para taxação”. Dito e feito: o cigarro até hoje é fonte de receita para o governo. Na Inglaterra, o imposto morde 80% do preço do maço, teoricamente para custear o controle do hábito e o tratamento de doenças. Mas essas tarefas consomem só 16% do bolo. No Brasil, o imposto equivale a 70% do preço final, e o cigarro é o produto industrializado que mais paga imposto, o que faz da Souza Cruz o maior contribuinte industrial privado do país e do Brasil um dos países em que o cigarro tem maior importância na receita fiscal. No total, o governo arrecada 6 bilhões de reais, dos quais 2 bilhões são gastos com a saúde dos fumantes. Aumentar os impostos diminui o uso. Estima-se que, para cada 10% de aumento no preço, o consumo caia 8%. O problema é o contrabando, que muitas vezes já é incentivado pela indústria. Por aqui, o contrabando começou na década de 90 e atualmente responde por um terço dos cigarros vendidos. Isso apesar de o cigarro brasileiro ser um dos mais baratos do mundo. Mas, se os malefícios do cigarro são tão conhecidos, por que ainda há tantos fumantes? Bem, a primeira baforada deve-se ao marketing do cigarro. Outras a sucedem porque a nicotina vicia mais que a cocaína. Segundo o médico Daniel Deheinzelin, do Hospital do Câncer de São Paulo, com apenas sete a 14 dias de uso contínuo o fumante está dependente. Já largar o cigarro é difícil. Só 3% das pessoas que tentam abandonar o cigarro conseguem fazê-lo, geralmente após tentar cinco vezes. E olha que não é pouca gente tentando ficar longe da fumaça: 80% dos fumantes brasileiros dizem querer parar. A fórmula mais eficaz para chegar lá é usar três armas combinadas. 1) Medicamentos que reduzam a abstinência, que podem ser de dois tipos. Os primeiros são os antidepressivos, que reduzem a ansiedade. Os outros são os repositores de nicotina, vendidos em adesivos ou chicletes. Eles fornecem nicotina suficiente para evitar a abstinência, mas não contêm alcatrão, que é o mais nocivo. 2) Psicoterapia, para identificar as situações em que há risco de fumar e ajudar a enfrentá-las. 3) Apoio dos amigos e da família. Mesmo assim, só um quarto dos pacientes consegue largar de vez. A maior parte das recaídas ocorre em três meses. Mas será que a abstinência é a única forma de reduzir os danos à saúde? Não. Na Suécia, consome-se há décadas o snus, um tipo de tabaco umidificado. Seu segredo é que o snus não é fumado (na fumaça é que está a maioria dos males do cigarro). Tampouco é mastigado, o que costuma produzir câncer na boca e na faringe. Snus é para ser colocado entre o lábio e a gengiva e sugado, aos poucos. Hoje há mais suecos usando snus (19%) do que fumando (17%). Coincidência ou não, os suecos têm a menor taxa de câncer de pulmão da Europa e o menor risco de morte por doenças ligadas ao fumo. Mas o snus não é saudável. Ele aumenta o risco de doença cardiovascular em 40%. Mas isso é menos que entre fumantes. Mesmo assim, as autoridades de saúde acham que oferecer uma forma mais segura de tabaco poderia erroneamente enviar a mensagem de que é saudável consumi-lo. Graças a essa visão, a venda do snus é ilegal fora da Suécia. Pode parecer estranho chupar um saquinho de tabaco, mas a estranheza não é maior do que a que tiveram os europeus quando viram os índios soltando fumaça pela boca.