sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Que delicia é você
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
VIZINHOS, COMO LIDAR
Se não quer ou não tem hipóteses de mudar de casa, aprenda pelo menos a lidar com cada um deles:
O metálico
Ouve música pela noite fora, a «alto e bom som». Em primeiro lugar, certifique-se que não é um acontecimento isolado.
Por exemplo, uma festa para inaugurar a casa provavelmente não se repete. Se o barulho é um problema crónico fale directamente com ele. Se não resultar ou preferir manter-se incógnita pode sempre fazer uma chamada anónima para a polícia.
O esquisito
Fala sozinho e age de um modo estranho. Apesar de achar uma certa graça ao seu vizinho psycho deve tratá-lo com cuidado. Nunca se sabe quando ele vai agir de forma irracional.
Ao iniciar uma conversa sobre um problema mantenha-se numa posição neutra. Escolha cuidadosamente as palavras para não parecer agressiva e evite que a sua presença seja encarada como uma ameaça.
O prestável
Age como se fosse mais íntima do que você deseja. Oferece-lhe bolos caseiros e quer ajudá-la em tudo o que faz. Tente ser amável.
Este tipo de vizinhança é geralmente bem intencionada. Diga-lhe que aprecia tudo o que faz por si mas que se sente mal por não poder retribuir da mesma forma. Se não resultar, diga-lhe que agradece a ajuda mas que cabe à sua filha fazê-lo, para começar a assumir responsabilidades.
Em último caso há sempre o clássico (mas difícil) «não, obrigada», sem mais explicações.
O dono do cão
Deixa o cão passear livremente pelo bairro sem se preocupar onde ele vai à «casa-de-banho» e não levando um saco de plástico.
Em vez de adoptar uma posição de ataque, mostre-lhe como é desconfortável para si abordar este tema, focando o problema no comportamento do cão e não no do dono.
O solidário
Está sempre a pedir-lhe que assine uma petição ou que se junte a uma causa. Infelizmente, o único tempo que você tem para salvar o mundo é entre as 21h15 e as 21h30 e, geralmente, aproveita- o para descansar.
Colabore apenas se quiser. Caso contrário, diga apenas «gostava de poder ajudar, mas infelizmente não posso. Obrigada.» Se preferir diga-lhe que já se comprometeu com outras causas e que o budget destinado ao voluntariado para este ano, já está destinado.
Médicos removem esqueleto de bebê de dentro de mãe após gravidez de 38 anos
Uma mulher indiana teve o esqueleto de um bebê retirado de dentro de seu corpo após quase 40 anos de gestação. Acredita-se que ela seja a mulher com maior tempo de gravidez ectópica – com interrupção – do mundo.
Jyoti Kumar, de Madhya Pradesh, na Índia, ficou grávida aos 24 anos, em 1978. Na época, os médicos alertaram à mulher que o feto tinha poucas chances de sobrevivência, já que crescia fora de seu ventre.
Apavorada com a ideia de uma operação, ela fugiu e procurou tratamento para as dores em uma pequena clínica. Meses depois, quando a dor diminuiu, Kumar foi convencida que o problema havia sido resolvido.
O caso, porém, voltou à tona 38 anos depois. A mulher, agora com 62 anos de idade, começou a sentir fortes dores no estômago.
Ela visitou alguns médicos na cidade de Nagpur, onde uma equipe de cirurgiões resolveu levá-la para uma operação. A cirurgia teve como intuito retirar os ossos de seu filho morto dentro da mulher.
Um dos médicos envolvidos no procedimento comentou que eles perceberam que havia um nódulo que suspeitavam ser um câncer. Após uma tomografia computadorizada, foi revelado que tal nódulo era feito de um material duro e calcificado.
Jyoti Kumar passou por uma cirurgia para retirada dos ossos de seu bebê após gravidez que durou 38 anos.
Apenas depois da ressonância magnética foi constatado que a massa na verdade era o esqueleto de uma criança.
A equipe médica procurou casos semelhantes, e descobriu que uma belga havia conservado os restos de uma gravidez ectópica há 18 anos. O período era o mais longo que conseguiram encontrar em registros de medicina.
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
O PERDÃO parte final
No caminho, ao longo da rodovia, seus pensamentos corriam mais que o vento: por que tudo isso estaria acontecendo? As coisas não poderiam ter sido mais fáceis? E agora? Ele, no carro, ela no hospital, a lembrança daquelas máquinas monstruosas de prolongar a vida não lhe saíam da memória... As lágrimas corriam, misturadas à poeira do vento seco do caminho.
Revoltado com tudo isso, parou o carro no acostamento. Encontrou uma estradinha de terra. Devagar, como a seguir um féretro, entrou pela rota dos sitiantes. Subiu devagar a montanha, encontrou um mirante.
Parou, abriu a porta, e, num grito de dor e lamento, chorou. Ah, como chorou! Seu pranto escorria pela porta do carro. Os pássaros, assustados, aquietaram-se nas árvores, contemplando aquele misto de dor e revolta. Parecia que todo o mundo fazia silêncio em respeito a tanta dor.
Deus, por que? Por que? Por que? Por que tive que amá-la? Por que tive que vê-la? E agora, Senhor, o que fazer? E se tu a levares? O que será de mim? Eu já estava quase esquecendo, Senhor! Agora tudo volta a doer! Senhor, Senhor...
Cansado de tanto chorar, entrou no carro e deitou-se, estendendo o banco para o fundo. Travou a porta, colocou uma fita de música clássica e desfaleceu. Ali estava um moço de valor, que amava e que lutava entre sua vontade e a vontade de Deus.Sonhou durante o sono, no delírio da febre. Sonhou estar na igreja.
Viu o pastor a pregar, e, ao seu lado estava Natasha, bonita e sorridente. Lá do púlpito o pastor dizia: "Aquele que amar mais à sua mulher, mais do que a mim, não é digno de mim - palavras de Jesus!" E, aos poucos, o sorriso de Natasha foi sendo coberto por uma neblina e desaparecia. Assim acordou.
Assustado e cônscio de que Deus falara com ele, pôs-se a orar, dizendo:
Senhor, sei que é difícil, mas tenho que fazer isso. Confesso que estou revoltado, ó, Pai. Quero fazer a minha vontade, não a tua. Eu não estou conseguindo aceitar a tua vontade, caso seja a de levá-la embora! Sei que estou errado, Senhor, e sei que é isso que quisestes me falar. Senhor, sou teu servo e quero te obedecer. Se irás tirar a
Natasha mais uma vez, tira-a, apesar de mim. Por mais que isso doa,
Senhor, prefiro assim: não quero perder-te Senhor. Só me ajude e console o meu coração... Tu sabes o que será melhor para ela, e também melhor para mim. Em nome de Jesus, amém.
Voltou a dormir.
Toca o celular.
Alô?
Luciano?
Sim, sou eu.
Aqui é o pastor, filho. Como você está?
Bem mal, pastor. Mas sobrevivendo...
Eu orei por você, garoto. Pedi a Deus para lhe fazer suficientemente forte para renunciar, se preciso for. Você quer conversar sobre isso?
Pastor - disse, sorrindo o rapaz, - já o ouvi pregar agorinha mesmo no sonho, já renunciei a Natasha. Está doendo, mas estou em paz.
Obrigado.
Ótimo. Então volte pro hospital, Luciano. A Natasha acordou e saiu do estado crítico. Ela quer ver você...
O QUE??? SÉRIO, PASTOR?
Séríssimo. Vem com calma, mas acelera, filho...
Não levou hora e meia e Luciano estava entregando a chave do carro pro manobrista do hospital.
E a Natasha? , perguntou à mãe dela.
Filho, corre, ela está chamando por você! Vai, filho! Deus está agindo! Eu já a vi, mas ela teima que quer ver-lhe!
Agora o corredor do hospital era longo demais para ele. Se pudesse, daria três passos em um, para chegar mais rápido e contemplar o rosto de sua amada. Seu coração estava disparado, pensava no que ouviria e no que diria. O suor lhe escorria pela face e as vistas estavam enfumaçadas. Correu a vestir o jaleco, o sapato de pano, as luvas e a máscara. Box 06. Lá estava ela, e três médicos
palestrando. Ao olharem o rapaz, perguntaram:
Você é o Luciano?
Sim, doutor, sou eu. Por que?
Converse um pouco com ela. Ela gritou o seu nome por mais de meia hora e nos deixou quase loucos! Isso é que é amor! Mas seja breve, ainda não entendemos essa súbita melhora. Temos que medicá-la novamente.
Aproximou-se do leito. Os lábios de Natasha estavam sangrados, a boca ferida, canos haviam saído da garganta, o pescoço estava com fios, braços e pernas com soro, sondas, enfim, uma cena dramática, mas não tanto quanto na última vez. Pelo menos o respirador artificial estava desligado, e em silêncio...
Lu..cia..no.. me.u...a..mor....
Fala, querida, eu estou aqui!
Je..sus....veio..a..qui! Eu..vi!
Luciano deixou as lágrimas verterem de seus olhos, lágrimas quentes e profundas.
Você estava sonhando, querida.
Nã..ão, meu ..a..mor, Je..sus veio...me di..zer.. uma..coi..sa!
Um tanto alegre, mas também incrédulo, Luciano pergunta:
E o que Jesus lhe disse, amor?
Dis.se...que.. vo..cê..me ama..va e..que..es.ta...va... (cof! cof!) es..ta..va. orando lá..num sí..tio.. por..mim...e ..lu..tan..do ...para me renun..ciar..
Luciano gelou. Natasha completou:
E..le.. me..dis..se..que..a.ceitou..a.sua..or.a..ção!
Agora ele estava arrepiado. Não só isso, ele estava com as pernas totalmente moles e adormecidas, num misto de medo e perplexidade.
E sobre você, amor, ele disse alguma coisa?
Dis.se..pa..ra....que..eu não ...pe..casse.. de nno..vo... - Natasha adormeceu.
Natasha!!! Natasha!! Não morra!!!
Calma, garoto - disse o médico - ela só adormeceu. Fique tranqüilo, mas saia agora, temos que seguir os procedimentos necessários.
E assim foi.
Natasha saiu do hospital em 20 dias. Sem explicação convincente, os médicos quiseram impetrar a si mesmos um erro de avaliação e diagnóstico,dizendo que pensaram que havia câncer onde nada existia, mas não sabiam explicar as dúzias de exames, de biópsias, de ressonâncias e de quimioterapias feitas. Claro, grande parte da medicina desconhece o poder de Deus, a misericórdia do Altíssimo. E um câncer desaparecido tem que parecer um mero "erro médico". Mas o milagre acontecera de fato...
Outra tarde, fim de expediente no escritório de Luciano, Natasha de pé em frente à escrivaninha de trabalho dele.
Luciano, de agora em diante eu viverei cada dia como um milagre do
Senhor, e viverei apenas e tão-somente para a glória Dele.
Que bom, Natasha! Espero que você seja feliz! Orarei sempre por você!
Luciano...
Fale, querida.
Quero pedir só mais uma coisa.
Se eu puder atender...
Eu quero me casar com você e ser a sua mulher, a sua companheira, e servir ao Senhor ao seu lado. Eu te amo! Me perdoe por tudo que fiz!
Era tudo o que o rapaz queria ouvir. Sorridente, abriu a gaveta da escrivaninha e tirou uma linda boneca de porcelana, numa casinha de papelão, idêntica à primeira, presenteada quando começaram a namorar. Levantou-se, entregou-lhe a boneca, abraçou sua amada pela cintura, trazendo-a para junto de seu rosto, e lhe disse, com um brilho jamais visto em seu olhar:
Eu perdôo você e quero recebê-la como minha esposa, meu amor. Eu te amo!
Também te amo, querido!
Não se podia descrever o que era mais bonito e brilhante; se o brilho do sol da tarde, clareando toda a sala pelas vidraças, ou se o brilho do beijo de Natasha e Luciano, ao som da mais linda música que o mundo pode ouvir: o palpitar de dois corações apaixonados.
Aliás, apaixonados por Deus primeiramente, e, por causa do Senhor, apaixonados um pelo outro...
terça-feira, 19 de agosto de 2014
O PERDÃO
O telefone tocou...
- Alô?
- Alô. Luciano?
- Sim. Quem é?
- Não conhece mais a minha voz?
- Não estou conseguindo identificar. Quem está falando?
- Nossa, como foi fácil pra você me esquecer... Acho que não tivemos muito significado...
- Nathasha?!
- Oi...
- Que surpresa você me ligar! Pra quem disse que queria me esquecer para sempre...
- Vai ofender? Eu desligo!
- Fique à vontade, querida. Quem ligou foi você mesmo...
- Não, espere, não vou desligar. Desculpe. É que estou aborrecida, só isso.
- Tá. E o que você quer?
- Nada. Eu só queria ouvir sua voz.
- Só? Então já ouviu. Mais alguma coisa?
- Espere, pare de ser grosso. Não, desculpe, não desligue. É que eu estou me sentindo muito sozinha.
- Foi você quem quis assim, querida. Sorva do seu próprio veneno.
- Realmente você não muda. Só sabe acusar...
- Bom, vou desligar. Tchau...
- NÃO, PELO AMOR DE DEUS, não desligue, espere, preciso te dizer algo...
- Fala logo, Natasha. Tenho que trabalhar.
- Eu estava errada. Me perdoe.
- ERRADA? Você estava errada? Tem certeza disso? Será que não é um pouco tarde pra dizer isso?
- Mas agora eu reconheço...Por favor, amor, me perdoe!
- Agora? Depois que você acabou comigo, querida? Até hoje eu pago o mico do papelão que você me fez passar... Convites distribuídos, acampamento alugado, comida encomendada, viagem paga, meu casamento com você, tudo perdido... (Luciano suspira). Sofri, sofri mesmo. Queria matar você! Droga, por que eu tive que amar você? Mas tudo bem. Já faz dois anos... Ah, meu Deus, dois anos...
- Luciano, pelo amor de Deus, me perdoe!
- Pra que você quer o meu perdão? Você nem ligou pra dizer que já estava com outro cara. Pra que perdão? Vai viajar com ele, vai viver com ele, meu bem... Só me deixe em paz, por favor!
Luciano chora baixinho.
Sem se dar conta, Luciano percebe uma pessoa na porta do escritório.
Era ela. Natasha estava olhando pra ele. Ela falava do celular.
Luciano fica perplexo, alegre e triste - ela está linda, belíssima, muito elegante. Mas seu rosto está abatido, cansado, doente. Na mão tinha uma sacola. Aproximou-se da mesa de Luciano, e, com olhos lacrimejantes, desligou o celular, olhou para ele e disse:
- Oi, amor.
- Oi, Natasha. Pare de me chamar de amor. Você tá um caco, filha!
Olhos baixos, Natasha começa a tirar da sacola algumas coisas: uma caixa do correio com um CD do Demmis Roussos, que Luciano havia enviado de presente no aniversário, uma boneca de porcelana numa casinha de papel, um celular pré-pago, alguns livros devocionais, uma bíblia de Genebra e um pacote de fotografias. Luciano a observava, perplexo, triste, e via as lágrimas de Natasha molharem a fórmica da sua escrivaninha. Cada objeto tirado era uma facada no coração sofrido de Luciano. Algumas coisas lhe custaram caro, ele fizera grande esforço para pagá-las. Mas, pensava ele, se era pra ela, valeria à pena o esforço. Quando tudo terminara, ele se arrependera de tanto gasto desperdiçado...
- Pensei que você havia jogado fora as coisas que lhe dei, Natasha...
- Eu nunca me esqueci de você, Luciano. Eu errei. Errei muito, me perdoe...
Luciano, jovem advogado, lutador com as interpéries da vida, sabia que Natasha poderia estar mentindo, como tantas outras vezes, quando namoravam e mesmo quando eram noivos. Mas havia um quê de diferente no olhar vermelho de Natasha.
- Por que você veio hoje aqui, Natasha? Deu a louca? O que te traz aqui?
- Natasha suspirou, chorou, recompôs-se e disse:
- Estou com câncer, Luciano...
- CÂNCER? Luciano petrificou-se.
- Sim, amor, eu vim me despedir. Saí do hospital à força, pra falar com você e pra morrer em casa...
Luciano não esperava por essa. Veio-lhe à memória uma de suas discussões, onde Natasha, na hora do nervoso, dissera: "E daí, Luciano? Que se dane a igreja, que se dane o pastor, que se dane você, e se Deus achar que estou errada, que me castigue..." Nossa, era como se a cena passasse de novo na mente de Luciano.
- Como foi, Natasha?
- Depois que eu deixei você, amor, fui caindo no abismo, afastei-me do Senhor, fui morar com o André, abandonei a Cristo. Eu estava cega. Mas Deus me amava, Luciano. Se eu não fosse dEle, estaria numa boa agora, bem com o André, bem comigo e pronta pra ir pro Inferno. Mas, por amor, Deus veio corrigir-me. Ele repreende e castiga a quem ama. Ele me ama, Luciano! Estou doente. Mas estou bem, porque estou podendo vir até você pra pedir perdão! Nunca fui feliz, nunca tive paz, saí de casa com 3 meses de vida a dois. O André me batia, me traía, eu fugi.
- E ele não foi buscar você de volta?!
- O André foi assassinado, Luciano. Tráfico de drogas.
Luciano estava perplexo.
- Luciano, estou voltando pro Senhor, estou me preparando pra partir. Mas tenho que receber o seu perdão, amor! Sei que nunca irei compensar o que lhe fiz, mas... por favor... ME PERDOA, AMOR!
Luciano olhou para aquele resto de mulher - outrora tão orgulhosa, ostentando tanta beleza e auto-suficiência, confiando tanto em seu corpo e em sua fulgurante beleza, e agora, bonita ainda, mas notadamente pálida, enferma, cheia de hematomas nos braços, pescoço e pernas, e triste, profundamente triste, a implorar-lhe perdão para morrer em paz!
Cena patética! Ali estava quem Luciano mais amara na vida, quem mais o fizera sofrer, a depender de uma palavra apenas, para morrer em paz!
"Hora da vingança", veio-lhe à mente. Claro, agora seria a hora da revanche! Mas Luciano era um moço crente, de bom coração, e seria incapaz de reter a bênção para aquela a quem tanto amara e que, infelizmente, ainda tanto amava e tanto o fazia sofrer...
Quer que eu perdoe você, Natasha?
SIM, PELO AMOR DE DEUS, Luciano! Nunca mais tomei a Ceia do Senhor, nunca mais louvei ao Senhor com alegria, nunca mais fui membro de igreja, não agüento mais! Aceito as conseqüências, mas, por favor, diga que me perdoa!
Enxugando as lágrimas, refazendo-se, Luciano olhou-a no fundo dos olhos, tomou as suas duas mãos, que estavam frias como as de um defunto, e lhe disse, num terno sorriso misericordioso:
Querida: desde que você foi embora eu já havia lhe perdoado. Mas, se você quer escutar e sentir paz, ouça-me: EU PERDÔO VOCÊ POR TUDO QUE ME FEZ. VOCÊ ESTÁ LIVRE EM NOME DE JESUS!
Natasha tremeu. Gritou "aleluia", sorriu, chorou, e caiu desmaiada.
Logo o assistente de Luciano veio ajudá-lo, e, colocando-a no carro, levaram-na para o hospital. Luciano tinha o telefone de toda a família ainda, ligou e avisou. Em uma hora todos estavam ali na recepção, tristes, aflitos, alguns desesperados. Chegou o pastor. A família implorou-lhe que fosse até a UTI orar com ela. O pastor, que conhecia o Luciano, olhou bem pra ele, pensou, fechou os olhos em oração, e, a seguir, falou:
Quem tem que entrar é o Luciano. Vá lá, Luciano. Eu conheço o diretor da UTI, pedirei autorização.
EU, PASTOR?
Sim, filho. Ela é o seu amor.
FOI, PASTOR...
Não, filho. Deus o uniu a ela novamente, ainda que seja na despedida.
Luciano não sabia o que fazer. A família, desconsolada, chorava, mas a mãe, certa do que tinha que ser feito, empurrou o Luciano até a porta, dizendo: "Vai, filho, corre, antes que seja tarde!"
Ah, aquele corredor que dava para a UTI parecia não ter fim! Cada passo dado era uma lembrança: o primeiro beijo, a primeira maçã-do-amor, o primeiro jantar, o primeiro por-do-sol juntos; o dia em que viajaram num encontro missionário, o dia em que foram juntos à praia e que ele deu de presente a primeira rosa! O jantar de noivado, os telefonemas, tudo. Não sobraram recordações da tragédia, da traição, do desprezo. Na verdade quem ama guarda as más experiências numa sacola furada. E Luciano fez assim.
Vestido com o jaleco, a máscara e o sapato de pano, Luciano entrou.
Vários boxes onde pessoas definhavam. Lá estava Natasha, no número 6. Estava no respirador artificial, cuja sanfona funciona como um pulmão e faz um barulho horripilante. Estava linda, mas totalmente ligada a aparelhos, notadamente cansada, em coma, morrendo. Luciano sentiu sua dor. Chorou. Tremeu. Segurou forte a mão de sua amada.
Pensou em Cristo, que dera a vida pela noiva, pensou em Oséias, que aceitou a esposa adúltera novamente, pensou em Deus, que tantas e tantas vezes tratou a Jerusalém com compaixão. Quem era ele para não perdoar? Quem era ele para não acolher?
Então orou.
"Senhor, o que posso dizer? Minha garota está morrendo! Ex-garota, claro. Mas mesmo assim está doendo, Pai! E eu sou impotente diante de tudo isso! Essas máquinas, esse cheiro de éter e de carnes inflamadas, esse barulho infernal, meu Pai, o que posso dizer? Que deixe a minha garota morrer em paz? Sim, Senhor, leve-a para a tua glória! Eu a amo! Mas sei que tu a amas mais do que eu! Abençoa a Natasha. Em nome de Jes...
Subitamente Luciano pensou em completar a oração com o seguinte pedido:
"Mas, Senhor, se ainda houver um espaço para ela viver para ti, recuperar parte do tempo perdido, se na tua infinita misericórdia não for demais, por favor, Senhor, cura a tua serva. Ela já sofreu bastante, ela aprendeu, Senhor. Até eu, que fui o mais ofendido, já a perdoei! Por favor, Senhor, se der, devolve-lhe a vida! Mesmo que não seja pra viver comigo. E agora sim, em nome de Jesus. Amém".
Por favor, me avisem - disse Luciano aos familiares - , me avisem quando tudo terminar. Quero estar presente.
E foi embora. Tirou a tarde para viajar, seu hobby preferido: foi pra uma cidadezinha próxima, ver o pôr-do-sol.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Aspectos sentimentais do signo Escorpião
O signo de Escorpião é um signo de Água, governado pelo planeta Plutão e tendo como co-regente o planeta Marte.
Apesar da fama que este signo possui, ele é muito mal compreendido, talvez porque ele próprio não faça nada para melhorar a sua imagem. De fato, ele se esconde atrás de uma aparente frieza e desconfiança, levantando uma barreira quase intrasponível ao seu redor.
Escorpião, como todo o signo de Água, é muito sentimental e suas correntes emocionais são intensas e profundas. No entanto, ele se mostra sempre desconfiado, especialmente, no que diz respeito aos seus próprios sentimentos e detesta responder a qualquer tipo de pergunta íntima e direta. Por ter um conhecimento profundo dos mistérios e segredos que envolvem a natureza humana, ele está sempre esperando que o lado mais sombrio do outro apareça e por isto ele vive 'de tocaia', na espreita.
A natureza violenta de seus sentimentos e paixões não deixa margem a meios termos, a meias medidas. Ele ama ou odeia e... sabe odiar da forma mais fria e cruel possível!
O planeta Plutão, que rege o signo, é o mais frio do nosso sistema solar. Ele rege o domínio, a manipulação, o controle, o poder, o sexo e a morte. Ele rege também o mistério, e tudo o que é subjacente, o mundo de Hades e, por esta razão, os nativos deste signo são ótimos investigadores, pesquisadores, detetives e também psiquiatras, pesquisando a fundo a natureza humana.
Eu falei que o escorpião é manipulador, frio, calculista e controlador, e ele o é mesmo! Os homens mais poderosos do mundo possuem um Plutão muito forte em seus mapas, tenham certeza. Lembrem-se do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que possuía o Sol em Leão em conjunção com o planeta Plutão. Que poder ele teve de manipular um país inteiro! Bem, eu acho que ele pensava ser o próprio Deus!
Ma Escorpião também tem seu lado bom, não é mesmo? Podemos citar a persistência, a paciência, a introspeção, e a capacidade de vencer qualquer obstáculo, removendo literalmente as montanhas para alcançar seu objetivo.
O Homem de Escorpião
Antes de mais nada o homem de escorpião é extremamente apaixonado e apaixonante, contanto que você o deixe manter o controle da situação... sempre! Ele pode se deixar levar por uma paixão avassaladora e será fiel a ela. Se não for correspondido, se mostrará frio e distante, mas se for magoado, desprezado, ou traído, então, espere a mais fria e cruel vingança.
As brigas são muito comuns nos relacionamentos com os homens de Escorpião, já que eles são extremamente ciumentos e você não poderá lhes esconder nada.... nada mesmo. Ele tentará abrir suas entranhas e examinar o seu interior para ter certeza que você não está mentindo. Ele é naturalmente desconfiado, portanto, não lhe dê razões para desconfianças. Ele abrirá sua bolsa, examinará sua agenda, e se achará em pleno direito de fazê-lo. No entanto, se ele se sentir seguro, poderá ser fiel e o relacionamento será então proveitoso e duradouro.
O ciúme que ele demostra (ele está sempre buscando os sinais de sua traição...) poderá se tornar patológico se ele for um escorpiano inseguro, já que para ele possuir o objeto amado é essencial quanto o ar que ele respira.
Portanto, se você conseguir conviver com o ciúme, a posse, a desconfiança, a manipulação, bem... vá fundo no relacionamento. Ele valerá a pena já que você terá um ótimo amante. Ele colocará em você uma etiqueta de "minha propriedade" e controlará todos os seus passos, mas lhe dará em troca um amor profundo, muito sexo (ele é extremamente erótico!) e devoção.
A Mulher de Escorpião
Assim como o homem, a mulher de Escorpião possui as mesmas características de possessividade, manipulação, intensidade de sentimentos e força de vontade. Ela é capaz de sentimentos profundos e não se contenta com relacionamentos superficiais. Sua motivação a leva a examinar as profundezas de seu ser, já que ela quer entender suas fraquezas e suas inseguranças, para melhor controlá-las. Ela não tem medo de examinar o seu lado mais obscuro, já que o faz com seus próprios sentimentos, mas não deixa nada ao azar.
Ela não suporta a hipocrisia e não aceita os joguinhos de meios sentimentos ou meios relacionamentos. Ela pode aceitar tudo, menos a fraqueza de caráter e irá esperar de seu parceiro uma devoção completa e total. Ela se entrega por completo num relacionamento, mas somente após ter longamente observado seu parceiro para conhecê-lo profundamente.
Ela tem um senso de justiça aguçado e será capaz de compreender e aceitar o seu ponto de vista, se ela o julgar justo e correto. Mas você sempre verá a desconfiança atrás de seu olhar misterioso e gélido, olhar que está como que a procurar a tempestade que se esconde por trás da calmaria. Aliás, ela não suporta calmaria. Eu costumo dizer que o Escorpião não é um signo de Água, mas sim de lava, lava vulcânica, que queima e reduz a cinzas tudo o que ela encontra no caminho. E assim como um vulcão, os nativos deste signo explodem de vez em quando, e então... sai de baixo!
Ela é capaz de grandes paixões e de grandes ódios, e irá esperar o tempo que for para se vingar, se se sentir traída. Ela não irá lhe oferecer a outra face se você lhe der um tapa. Não. Espere dela a mais fria e cruel vingança, leve o tempo que for. É verdade que ela tem uma memória de elefante, mas isto serve também para o bem. Ela não esquecerá um gesto de carinho, de afeto ou de amor de sua parte. E lhe será devota e fiel.
Escorpião e o Amor
Bem, me parece que já vimos com bastante detalhes a forma de amar deste signo. O Escorpião deve ser compreendido para ser aceito em sua totalidade. Não há meio termo, ou você o ama ou o odeia. Ele sabe amar como ninguém e sabe odiar como ninguém, sabe ferir como ninguém e compreender como ninguém.
Se você for sensível às suas críticas mordazes, se você se magoa facilmente, se você preferir um relacionamento terno e morno, calmo e tranqüilo, fique longe dos nativos deste signo. Eles podem ser fascinantes, mas a vida com eles será tudo menos monótona!
Não tente lhes esconder algo, mesmo os seus sentimentos mais íntimos serão autopsiados e examinados com o seu olhar gélido e desconfiado, que procurará sempre uma razão para dizer "Viu? Eu tinha razão! Você está me escondendo alguma coisa!"
Na realidade, esta é uma projeção de sua própria desconfiança quanto aos seus próprios sentimentos, tão perturbadores e intensos que não podem ser controlados ou mesmo compreendidos em sua totalidade.
Os relacionamentos com os nativos de Escorpião serão, no entanto, duradouros e profundos, se você lhes deixar a impressão que eles estão mantendo tudo sob controle.
Signos relacionados
A Triplicidade de Água: Câncer, Escorpião e Peixes
Com os outros signos de Água, eles podem se entender de forma maravilhosa; no entanto, seja Peixes ou Câncer, poderão ficar facilmente magoados pela forma impenetrável que os nativos de Escorpião têm de prescrutá-los. Não esqueça a natural timidez destes signos, bastante introspectivos.
A Triplicidade do Ar: Gêmeos, Libra e Aquário
Apesar de se sentirem fascinados pelos nativos de Escorpião, os nativos dos signos de Ar poderão se sentir atormentados quando não conseguirem conter toda aquela profundidade de sentimentos e emoções que são manifestados pelos nativos deste signo. Eles tentarão explicar racionalmente aquilo que é ressentido nas entranhas de forma mais intensa e cruel e que é dificilmente explicável com palavras ou raciocínios lógicos.
A Triplicidade da Terra: Touro, Virgem, Capricórnio
Os nativos de Terra não gostam muito de emoções intensas, já que são tão realistas e práticos. No entanto, podem oferecer um ótimo contraponto aos nativos de Escorpião, se puderem compreender a sua perspicácia e sua profundidade, e se conseguirem superar os momentos turbulentos que eles tanto temem. Sem tentar explicar nada, podem oferecer um porto seguro para as águas turbulentas dos nativos de Escorpião.
A Triplicidade do Fogo: Áries, Leão e Sagitário
Com os nativos dos signos de Fogo, o relacionamento poderá ser altamente turbulento, fogoso e cheio de cenas teatrais, alimentando o dia-a-dia com eesa energia. Os nativos de Escorpião tentarão subjugar os nativos dos signos de Fogo deflagrando verdadeiras batalhas diárias. Os relacionamentos terão pouca probabilidade de ser duradouros.
Graziella Marraccini é astróloga, taróloga, cabalista e estudiosa de ciências ocultas e dirige a Sirius Astrology.
domingo, 17 de agosto de 2014
Os Embalos de Sábado à Noite
Tony Manero (John Travolta), um jovem do Brooklyn e um excelente dançarino de disco music, só encontra significado na vida quando dança, pois passar a semana trabalhando em uma loja de tintas não o gratifica de forma nenhuma. Assim ele se perfuma, se veste de um jeito fashion e vai para a discoteca no final de semana. Sob a influência de seu irmão, um padre frustrado, e de Stephanie (Karen Lynn Gorney), sua parceira de dança, começa a questionar a maneira como encara a vida e a limitação de suas perspectivas. Paralelamente Tony vive uma crise amorosa, enquanto se prepara para participar de um concurso em uma discoteca.
sábado, 16 de agosto de 2014
Na vida, o único caminho é para frente
São duas as missões existenciais prioritárias: autoconhecimento e aceitação. Delas dependem não somente as nossas chances de felicidade, passando pela elevação do nosso nível de consciência, mas também as nossas chances de contribuirmos com a felicidade das outras pessoas com as quais convivemos.
Relações de causa e efeito afetam todas as áreas da nossa vida, e elas não são simples. Não é que para cada causa haja um efeito e vice-versa. Múltiplas causas podem determinar um único efeito e uma única causa pode implicar em milhares de efeitos.
A vida não é tão simples como as equações de Física que aprendemos para o vestibular. Na vida, todas as coisas estão ocorrendo ao mesmo tempo e não podemos desconsiderar o efeito de todas as forças atuantes para “simplificar o cálculo”. Afetamos a tudo e por tudo somos, de alguma forma, afetados.
Diante dos desafios de autoconhecimento e aceitação, o mais difícil envolve enfrentar o inevitável.
Há decisões inevitáveis, atitudes inevitáveis, problemas inevitáveis e perdas inevitáveis.
Sem que haja redundância, é preciso lembrar que algumas coisas são inevitáveis porque não podemos evitá-las, ou seja, nossos esforços não podem mudá-las, não temos nenhum controle sobre elas.
Por isso, o conhecimento da prece da serenidade é de tamanha importância. Sua origem é atribuída ao teólogo Reinhold Niebuhr (1892 – 1971) e enunciava:
“Senhor, concedei-nos a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar; a coragem para modificar aquelas que podemos; e a sabedoria para distinguirmos umas das outras.”
Há coisas sobre as quais temos controle (podemos agir diretamente), outras sobre as quais temos influência (podemos agir indiretamente) e outras sobre as quais não temos nem controle, nem influência: para com estas é necessário exercer a aceitação.
A aceitação é um estado de resignação interior frente ao inevitável, e só será plena quando excluirmos de dentro de nós qualquer possibilidade de revolta.
Diante de situações inevitáveis, talvez seja impossível evitar a tristeza, mas é possível evitar a mágoa. Talvez não possamos evitar a indignação, mas podemos evitar o ódio e o revide.
A prece da serenidade nos convida à ação consciente e aceitação consciente, compreendendo que nos casos em não podemos mudar as circunstâncias da vida, ainda assim, podemos mudar nossa maneira de reagir a elas.
A dor de perdas tão tristes como estas dos acidentes aéreos que temos presenciado é inevitável. A todos nós, nestas situações, resta a aceitação e a resignação, duas forças gigantes da alma.
Na vida, o único caminho é para frente. E nestes momentos, é preciso muita força, coragem e apoio.
Diante do inevitável, se você crê em Deus, não atribua a Ele a responsabilidade pelo ocorrido. A responsabilidade é sempre da humanidade. Nós colocamos em ação a lei de causa e efeito muitas vezes sem compreender de onde vêm as causas e, tantas outras, sem saber quais serão os efeitos. Seres humanos também erram por irresponsabilidade e negligência.
Se você crê em Deus, não abale sua fé diante do inevitável enfrentamento dos fatos sobre os quais não tem nenhum controle ou influência. Busque forças para não focar indefinidamente nas perdas. Agradeça pelo tempo e oportunidade que lhe foram concedidas antes da separação. Não foque os momentos que não terá mais, preencha a memória, tanto quanto possível, de gratidão pelos momentos vividos.
A morte é inevitável e sempre traz uma “desculpa” (o modo pelo qual a vida se encerra). As razões por trás desta despedida dependem de uma extensa rede de relacionamentos e interrelacionamentos, de causas e efeitos colocados em movimento. A nós, resta o desafio de buscar o autoconhecimento para chegarmos ao nível de consciência necessário para a aceitação e resignação diante daquilo que não podemos evitar.
Se você não crê em Deus, igualmente não se torne amargo pelo confronto com as situações inexoráveis da condição humana; aceite e siga, ainda há muito por fazer, descobrir e compreender.
O autoconhecimento e a aceitação são duas missões existenciais prioritárias que cada um de nós, independentemente de suas crenças e valores, precisa realizar, progressivamente, para encontrar o equilíbrio na vida.
Que a nossa humildade e capacidade de amar nos direcionem sempre rumo ao autoconhecimento e a aceitação necessária ao desafio de viver e encontrar momentos e situações inevitáveis pelo caminho. A tarefa está longe de ser fácil, mas é, também, inevitável.
Escolha ser forte e adquira condições de reagir com paz e resignação em todas as situações da vida, afinal esta é a única maneira de seguir pelo único caminho que possuímos: para frente.
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
“Meu avô morreu quando eu tinha oito anos.
Desde então, nada de interessante aconteceu na minha vida”. Esta é a frase mais famosa do Nobel de Literatura Gabriel García Márquez, ou simplesmente Gabo, como era chamado pelos amigos. O avô lhe contava histórias do povoado de Aracataca, criado pela United Fruit, na zona bananeira da Colômbia. Aracataca conheceu seu apogeu e, depois que a empresa foi embora, ficou abandonada à miséria e ao esquecimento, como tantos povoados da América Latina. As histórias narradas pelo avô seriam a matéria para uma obra reconhecida pelo público e pela crítica como uma das mais criativas da história da literatura castelhana. As experiências da infância que moldam a vida e a obra são relatadas por vários escritores. Manuel Bandeira, em seu ITINERÁRIO DE PASÁRGADA, lembra que suas experiências até os seis anos de idade constituíram a matéria de toda a sua poesia. E Simone de Beauvoir afirma, em suas MEMÓRIAS DE UMA MOÇA BEM COMPORTADA: “Prometi para mim mesma nunca esquecer que com cinco anos somos um indivíduo completo”. Aracataca está situada na Costa do Caribe e é uma das regiões mais multiculturais do planeta, tendo atraído imigrantes de todas as partes do mundo. O próprio García Márquez recordaria, muitos anos depois, ao visitar Angola, que não encontrara novidade alguma, que a África estava toda no Caribe. “No Mar das Antilhas, ao qual pertenço, misturou-se a imaginação transbordante dos escravos negros africanos com a dos nativos pré-colombianos e depois com a fantasia dos andaluzes e com o culto dos galegos pelo sobrenatural. Essa aptidão para ver a realidade de certa maneira mágica é própria do Mar das Antilhas e do Brasil”. O povoado em que passou a infância se tornou, assim, o grande cenário de seus contos e romances. A transfiguração mais conhecida é Macondo, a Aracataca de CEM ANOS DE SOLIDÃO e mais meia dúzia de outras narrativas. O REALISMO MÁGICO COMO INVENÇÃO LATINO-AMERICANA Esse mundo pobre, modorrento e sequestrado economicamente por várias companhias norte-americanas, no processo criativo do escritor, se abriu para a imaginação e, aos elementos da realidade concreta, vieram somar-se os voos livres da inventividade. Importante lembrar que García Márquez sempre insistiu na imaginação, porém como elemento transfigurador calcado na realidade. A imaginação, na sua concepção, é apenas um instrumento de elaboração da realidade. “Não há uma linha em toda a minha obra que não se fundamente na realidade”, costumava dizer. Dessa tensão entre a realidade e a imaginação nasceu o chamado realismo mágico, criação original da literatura latino-americana e que representou o chamado “boom” dos escritores hispânicos nos anos 50-60, projetando as letras da América Latina no cenário mundial. García Márquez, Júlio Cortázar, Jorge Luis Borges e tantos outros garantiram um lugar definitivo para a literatura hispânica no século XX, arrancando-a da condição de uma literatura periférica. O realismo mágico é mais que invenção. É uma expressão que exterioriza e problematiza a própria realidade da América Latina. Nas entrevistas concedidas a Plinio Apuleyo Mendoza e reunidas no volume CHEIRO DE GOIABA, o escritor colombiano cita o explorador norte-americano F. W. Up. de Graff, que, percorrendo a Amazônia no final do século XIX, registrou coisas inusitadas, como um arroio de água fervente e “um lugar onde a voz humana provocava chuvas torrenciais”. Registra também que em Comodoro Rivadavia, no extremo sul da Argentina, os ventos carregaram um circo inteiro e no dia seguinte pescadores retiraram de suas redes leões e girafas. Nessa ordem de ideias, as experiências incríveis vividas pelos personagens de CEM ANOS DE SOLIDÃO não se afiguram como necessariamente da ordem da ficção. O realismo mágico é, na verdade, uma categoria mais ampla para retratar a América Latina. Mais ampla em relação a quê? Ao cartesianismo europeu imposto pelo colonizador e que procura elencar e explicar a realidade concreta nos moldes da Enciclopédia de Diderot e d’Alembert ou da tabela periódica de Linus Pauling. Aliás, no romance experimental CATATAU, o escritor Paulo Leminski problematiza muito bem os limites da racionalidade europeia. Nele, acompanhamos o desconcerto do filósofo francês Renés Descartes (pai do cartesianismo), jogado em pleno Recife da invasão holandesa. As classificações (zoológicas, botânicas e minerais), as categorizações, as certezas do cogito vão caindo por terra uma a uma. A começar pela própria exuberância da fauna e flora tropicais, que parecem desafiar qualquer possibilidade de submetê-las à análise racional, bem como de estarem ao alcance de uma humana compreensão. Em outras palavras, a natureza domina o homem e apresenta fenômenos que desafiam a ciência. Essa questão também é abordada num grande filme peruano intitulado MARIPOSA NEGRA. A imaginação se torna, assim, um complemento de uma realidade extremamente complexa, não apenas em termos de natureza, mas também em sua significação alegórica, das particularidades e complexidades políticas do continente. A título ilustrativo, enumeremos alguns dados reais mas que parecem tirados da mais pura ficção. A América Latina é um continente no qual se exterminou sistematicamente quase todos os índios. Na Argentina, por exemplo, na segunda metade do XIX, acreditando-se na melhoria da “raça” por meio de um progressivo branqueamento da população, o governo organizou caravanas que se espalharam por todo o país encarregadas de exterminar, a tiros certeiros de rifles, toda a população indígena, objetivo alcançado com sucesso. Na Bolívia existe a mina de Potosí, explorada há quatrocentos anos. Hoje explora-se estanho e outros minérios; no passado, explorou-se a prata. Considerando-se a quantidade de prata extraída da mina, seria possível, segundo estatísticas, construir uma ponte de prata ligando Potosí à Espanha. Mais: o número de mineiros mortos em acidentes na mina ao longo desses quatro séculos permitiria que seus ossos, enfileirados, também estendessem uma ponte entre a Bolívia e a Europa. E o que dizer do Brasil, um país cuja história econômica se construiu com o transplante de milhões de negros do continente africano para servirem de mão-de-obra nas lavouras e minas? O realismo mágico apoia-se, portanto, na realidade concreta e não deve ser confundido com fantasia, isto é, a invenção pura e simples, à la Walt Disney, que é uma bobagem artificial sem qualquer vínculo com a realidade. Aliás, qualquer criança, quando se torna mais consciente e começa a aguçar sua percepção artística, não consegue se interessar pelo mundo boboca de Walt Disney. ESCRITOR DE UM ÚNICO TEMA A obra de Gabo é, numa primeira mirada, polivalente. Há os grandes romances, como CEM ANOS DE SOLIDÃO, O OUTONO DO PATRIARCA e O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA. Há os contos que esbanjam imaginação, como os de A INCRÍVEL E TRISTE HISTÓRIA DA CÂNDIDA ERÊNDIRA E SUA AVÓ DESALMADA. Existem os relatos-reportagem baseados em fatos reais e que prendem o leitor da primeira à última palavra do texto, como o RELATO DE UM NÁUFRAGO, a CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA ou A AVENTURA DE MIGUEL LITTÍN CLANDESTINO NO CHILE. Some-se a isso a riquíssima obra jornalística e a espetacular autobiografia VIVER PARA CONTAR, da qual o leitor não consegue desprender-se até chegar à derradeira página. Em meio à diversidade, um denominador comum. O escritor colombiano insistia que, no fundo, todo escritor escreve um único livro. Por trás do luxo da variedade dos gêneros e das formas, da diferença dos enredos e dos personagens, bem como dos pontos de vista dos diferentes narradores, haveria, sempre, em última instância, um tema maior. A obra seria, então, uma variação sobre o mesmo tema. Alguns casos clássicos na história da literatura a ilustrarem essa tese são, por exemplo, o tema da memória em Proust, o do tempo em Virginia Woolf, o do que poderíamos chamar de um manifesto contra a estupidez humana em Machado de Assis, a criação de mundos fictícios capazes de criar uma realidade mais real que a estreita e mesquinha realidade que nos circunda, como encontramos em Cervantes e Flaubert. E qual seria o tema subjacente à obra de García Márquez? A solidão. Em CEM ANOS DE SOLIDÃO, os personagens entregam-se a todo tipo de experiências. Úrsula come terra (criação inspirada numa irmã do escritor que, de fato, quando criança, comia terra), os ciganos ganham dinheiro apresentando aos estupefatos moradores de Macondo o gelo e o imã, os Buendía comem com requintes pantagruélicos e reproduzem-se desenfreadamente, tudo acontece de modo superlativo. Mas, curiosamente, os seres que habitam Macondo parecem incapazes de amar. Dessa ausência de amor e solidariedade nasce a solidão que paira sobre tudo e todos. - See more at: http://cpv.com.br/blog/index.php/uma-rosa-amarela-para-gabo-gabriel-garcia-marquez/#sthash.3YTaGXtY.dpuf
quinta-feira, 14 de agosto de 2014
O que é um planejamento familiar?
Planejamento familiar é o controle do número de filhos e intervalos entre gestações. Tem como objetivo o bem estar da criança e do casal, pois podem escolher o momento propício para a chegada dos filhos. Para casais que não conseguem ter filhos, o ideal é se programar para métodos como a fertilização in vitro, a inseminação artificial ou a adoção de crianças.
Esse planejamento, entre outras coisas, é importante para aproveitar melhor esse momento tão especial que é conceber uma nova vida. É preciso estar bem preparado para assumir tamanha responsabilidade. O planejamento familiar, o pré-natal, o parto e o controle de doenças sexualmente transmissíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é direito de todo cidadão segundo a lei N°9263 de 12 de janeiro de 1996.
Preparação
Prever as futuras despesas que terão com os filhos faz parte do planejamento familiar. Esses gastos vão desde o pré-natal até a educação escolar da criança. É por esta razão que muitos casais têm postergado a chegada do primeiro filho, preferem ter plenas condições de criá-lo e é por isso também que o número de filhos por casal tem diminuído nos últimos tempos. Nos anos 70 os casais tinham em média 5 filhos, hoje essa média caiu para 2.
A falta de planejamento pode gerar problemas sociais, pois pessoas sem condições de criar os filhos muitas vezes recorrem às instituições de adoção, ao aborto, ou simplesmente os abandonam nas ruas. Famílias muito pobres acabam ficando ainda mais pobres quando tem muitos filhos, não tendo o que comer e nem o que vestir. A taxa de natalidade nas classes menos favorecidas é consideravelmente maior e é causada pela falta de prevenção e informação. A educação também é um dos fatores. Uma mulher com curso superior tem em média dois filhos, enquanto uma analfabeta tem em média cinco. Pesquisas mostram que, quanto menor o tempo de estudo da mulher mais filhos ela tende a ter. Esses fatores são agravantes da desigualdade social.
Apoio
O governo tem tomado providências quanto ao controle de natalidade, disponibilizando métodos anticoncepcionais gratuitamente nos postos de saúde, mas essas providências não tem sido suficientes e a taxa de natalidade continua alta.
O planejamento familiar não deve ser privilégio de classes sociais mais altas, mas sim de todas as pessoas, basta que tenham informação e conscientização da importância desse ato.
Nesse site você encontrará informações sobre planejamento familiar, concepção, pré-natal, gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis e todos os tipos de métodos contraceptivos. Lembre-se, o planejamento é a melhor forma de garantir a qualidade de vida de sua família.
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
RESSACA
A ressaca é resultado de um consumo excessivo de álcool que intoxica o organismo, e se caracteriza por uma combinação de sintomas desagradáveis. Estes resultam do próprio efeito fisiológico do álcool no cérebro e nos outros órgãos do corpo; e do efeito tóxico de outros componentes presentes nas bebidas alcoólicas, especialmente o metanol.
O surgimento de um ou mais destes sintomas e sua intensidade irá variar de pessoa para pessoa e de acordo com a quantidade de álcool ingerida, da ocasião e do estado geral de saúde e mental da pessoa.
Os sintomas descritos acima têm origens diversas:
Desidratação: o consumo de álcool pode induzir a pessoa a urinar em demasia, vomitar e ter diarréia. Estes sintomas são responsáveis por uma perda excessiva de liquido, podendo provocar desidratação. Esta está associada a dor de cabeça e sede.
Irritação gastrointestinal: o álcool irrita diretamente o estomago e o intestino; e aumenta a produção de sucos gástricos e secreções do pâncreas e do intestino. Qualquer um destes ou todos estes fatores podem resultar em dor abdominal, náusea e vômitos, que são sintomas da ressaca.
Hipoglicemia: o consumo excessivo de álcool também pode resultar em uma baixa dos níveis de açúcar no sangue (hipoglicemia) contribuindo para diversos sintomas da ressaca, como: cansaço, fraqueza e alteração do humor.
Alterações do sono: o álcool também atrapalha o sono normal, provoca relaxamento dos músculos da garganta podendo provocar ronco e apneia (parada respiratória temporária).
Intoxicação por outros componentes além do álcool: a maioria das bebidas alcoólicas é composta por outros componentes biológicos ativos (como o metanol) que influenciam o sabor, o cheiro e a aparência da bebida, e podem também contribuir para os sintomas da ressaca.
Site Álcool e Drogas sem Distorção (www.einstein.br/alcooledrogas) / NEAD - Núcleo Einstein de Álcool e Drogas do Hospital Israelita Albert Einstein
Atenciosamente
Equipe Álcool e Drogas sem Distorção
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Luana Piovani sendo importunada por Vesgo
O Pânico tem diversos méritos e sua espécie de cruzada contra os famosos, em geral, faz muito sentido. A questão é que o programa e seus integrantes simplesmente não sabem quando parar. O caso clássico foi o da invasão do velório da AMY WINEHOUSE, quando surgiu uma gritaria gigantesca antes da exibição da "brincadeira". Isso fez com que a edição mudasse os rumos da matéria, dando a entender que seria uma homenagem à cantora.
Neste domingo foram ao ar duas reportagens que mostram bem que o pessoal da atração não tem limites e o que importa mesmo é FAZER BARULHO. Os casos aqui são os de Felipão e de Luana Piovani. Começamos com o da atriz.
Na semana que passou, Luana e seu marido colocaram nas REDES SOCIAIS FOTOS de uma comemoração qualquer e que mostram a atriz toda sensual numa banheira. No programa de ontem, Vesgo vai atrás de Luana e seu marido na praia com a desculpa de oferecer flores para "apimentar a relação do casal". Obviamente que a atriz pediu que o repórter se retirasse, afinal foi lá única e exclusivamente para encher a paciência, sem motivo nenhum. O discurso de Vesgo é o seguinte: "Luana, você coloca aquele tipo de foto na internet e quer privacidade?". É o equivalente a justificar um estupro porque a mulher estava com roupa curta ou bêbada. Não tem diferença nenhuma. Só porque Luana coloca uma foto sensual nas redes sociais, não significa que alguém tenha o direito de vê-la nua na rua ou algo do tipo. E antes que alguém pergunte, não sou fã de Luana e não tenho nenhum motivo para defendê-la.
Vesgo foi até a atriz com a única intenção de provocá-la. Certamente ele estava torcendo para que ela se levantasse e o agredisse, porque aí a coisa ficaria ainda melhor para o Pânico.
O caso de Felipão é exatamente a mesma coisa, a mesma invasão sem graça e que não provoca risos em ninguém. O repórter do Pânico conseguiu um assento ao lado do ex-TÉCNICO da seleção brasileira para tentar entrevistá-lo DE QUALQUER MANEIRA. Isso porque o programa, através de Alfinete, já havia caçado Felipão, há alguns dias. A encheção do programa foi tamanha, que o técnico teve de entrar no banheiro do avião e, depois, ficar lá nos fundos para tentar não ser importunado. Isso tudo após diversas vezes dizer que não queria dar entrevistas.
O Pânico sabe fazer humor, sabe entreter, mas esses dois casos são exemplos de "BRINCADEIRAS" que ninguém mais vê graça.
http://varela.vn/jbbx/
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Você acha justo que o tigre pague por um erro do menino e do pai?
Eu acho que tem muita gente seria, e tempessoas que sempre vao querer aparecer, veja só esse caso, que pessoas que deveria cuidar da segurança nao estavam no lugar onde deveriam os que la estavam foram incapazes de verem o perigo, agora querem sacrificar o animal?
olha o texto do André Linhares
Sim, eu também fiquei indignado com o caso do menino que perdeu o braço no Zoológico, quem não ficou? Mas o que mais me indignou foi um PAI não ver o perigo que o seu filho corria. O animal da história era o pai ou o tigre? O pior de tudo é ver que muitas pessoas pedem para que sacrifiquem o tigre. Que culpa ele tem? O menino estava trepando nas grades, puxando o rabo dele, estava em uma zona proibida e querem me dizer que o errado é o Tigre?
Eu sempre defendo aquilo em que eu acredito que seja justo. E eu não vejo justiça deixando o tigre preso, isolado de todos por tempo indeterminado. Ou pior, sem saber se vão ou não sacrifica-lo.
NÃO permita que o https://secure.avaaz.org/po/petition/IBAMA_NAO_permita_que_o_tigre_HU_do_ZOOLOGICO_de_Cascavel_seja_SACRIFICADO/?dqiiwdb
Espero que alguns de vocês tenham o mesmo pensamento que o meu, não achar justo que o tigre pague por um erro do menino e do pai. Obrigado pela atenção!
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