Isto aqui é um durião. Crédito: Pixabay Lucy Long
Diretora e fundadora do Center for Food and Culture
Eu diria que o alimento mais perigoso são os cogumelos que se parecem com aqueles conhecidos e seguros para comer, mas, na verdade, não são. O death cap (“chapéu da morte”, em tradução livre, nome pelo qual o Amanita phalloides é conhecido nos EUA) parece com variedades que são seguras, mas é altamente tóxico, muitas vezes tem uma reação demorada e ataca o fígado. Até mesmo uma pequena mordida pode ser fatal. Infelizmente, dizem que eles também são muito saborosos e têm um cheiro delicioso.
Joyce E. Chaplin
Professora e historiadora da Universidade de Harvard; autora de Food in Time and Place, entre outros livros
Eu apontaria um dedo acusador para o gado domesticado. Desses animais, as pessoas têm pegado doenças sérias e às vezes fatais há muito tempo. As aves e os suínos, por exemplo, continuam sendo reservatórios da gripe. As populações de animais selvagens também são reservatórios de doenças, mas as aves e os suínos domesticados são significativos na incubação e transmissão dos vírus da gripe. Isso tem sérias consequências. O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) informa que, em 2017-2018, 80 mil pessoas nos Estados Unidos morreram de gripe. Esse foi um novo recorde, embora, mesmo em outros anos, a mortalidade por gripe normalmente exceda as mortes por todas as doenças transmitidas por alimentos. A mortalidade anual por gripe é geralmente de 30.000, enquanto as mortes por vários tipos de intoxicação alimentar são geralmente em torno de 3.000. É um preço alto para comer carne de porco e frango.
Se há uma conexão muito próxima entre comida e morte, é claro, é o problema de não ter comida suficiente. Desnutrição e fome têm sido, historicamente, grandes assassinos, acima e além dos perigos de comer tipos específicos de alimentos.Krishnedu Ray
Presidente do Departamento de Nutrição e Estudos Alimentares da Universidade de Nova York
Duas coisas mundanas que todos nós bebemos regularmente: refrigerante e álcool. Se você pegar estatísticas populacionais nacionais e calcular riscos reais (não imaginários), não há como evitar a conclusão de que esses dois são os verdadeiros culpados — responsáveis pela morte, adoecimento e desmembramento de milhões de pessoas em todo o mundo.
Alice Julier
Chefe de Departamento, Professora Associada de Estudos Alimentares e Diretora do Centro Regional de Agricultura, Alimentos e Transformação da Universidade de Chatham
Eu vou com uma grande categoria — fungos — porque aparece em muitos alimentos, e também é sua própria categoria de comida, que aparece historicamente por toda a civilização humana.
Sabemos que as sociedades humanas sempre encontraram maneiras de preservar alimentos ou de transformar coisas não comestíveis em comestíveis. Às vezes isso envolve cozinhar, mas é principalmente para preservar alimentos. Curar carnes, salgar legumes, fermentar coisas para criar bebidas alcoólicas — todas são maneiras que temos de preservar alimentos até muito depois da colheita. A maioria desses processos envolve a introdução de microrganismos nos alimentos para mudá-los (pense no queijo!) — e leveduras e bolores são os dois tipos principais de fungos usados para preservar alimentos para impedir o crescimento de certas bactérias que poderiam estragá-los.
Dito isto, eles mesmos também são duas das principais maneiras que um alimento pode estragar. Considere que, se você estiver tentando preservar alimentos com essa abordagem, um passo em falso pode torná-los extremamente perigosos para se comer. As pessoas têm que descobrir quais crescimentos fúngicos adicionam sabor aos alimentos e quais são tóxicos. Um ótimo exemplo disso seria o fungo de milho ou o carvão-do-milho. Nas culturas indígenas e latino-americanas, é uma iguaria. No oeste industrial dos EUA, há toneladas de produtos usados para tirá-lo do milho.
A razão pela qual eu também penso em fungos é porque os cogumelos são um alimento universal, muitas vezes colhidos, mas às vezes cultivados, e descobrir quais tipos de cogumelos são seguros e quais são perigosos é um negócio extremamente arriscado. Eu suspeito que, hoje, não há um número significativo de mortes por cogumelos venenosos, mas posso garantir que, historicamente, a busca por quais eram os comestíveis levou as pessoas a um caminho perigoso.
Yue Dong
Doutorando de Antropologia da Universidade de Oklahoma
A carne é a comida mais perigosa de todos os tempos.
Eu sei o que você está pensando: “Isso é bobagem! Eu acabei de comer um hambúrguer e ainda estou vivo!!”
Ouça o que eu estou dizendo. Eu não estou falando sobre como o consumo excessivo de carne vermelha está ligado a um risco aumentado de desenvolver doença arterial coronariana e diabetes tipo 2. Essas doenças definitivamente poderiam matar uma pessoa (lenta e dolorosamente), mas estou mais interessado no “perigo da carne bovina” em uma escala planetária histórica. Mais especificamente, como a carne ameaça destruir a própria existência da civilização humana.
A produção de carne bovina é um dos contribuintes mais significativos para as emissões globais de gases de efeito estufa causadas pelo homem. De acordo com um recente relatório do governo do Reino Unido, a produção de 1 kg de carne bovina gera cerca de 32,3 kg de CO2. Em média, os americanos comem 25,9 kg de carne bovina per capita por ano, o que significa uma produção de 835,1 kg de CO2 per capita por ano. Em comparação, a pessoa média na China consome cerca de 6 kg por ano. Se os chineses aumentassem o consumo de carne bovina para o mesmo nível dos americanos, produziriam 641,3 kg a mais de CO2 per capita por ano. Dada a grande população da China, haveria cerca de 900 milhões de toneladas de CO2 relacionado à carne bovina em nossa atmosfera, o equivalente a quase 2,4% do total de emissões de CO2 produzidas pelo homem.
E isso é apenas a China. Se o consumo global de carne bovina per capita aumentar para o mesmo nível dos EUA, a emissão global de CO2 relativa à carne seria de cerca de 580,1 kg per capita por ano, o que significa que cerca de 4,4 bilhões de CO2 seriam emitidos para a atmosfera (11% da emissão total de CO2 produzida pelo homem)!
Dada a consequência apocalíptica global (inundação, calor, furacões, fome) do aquecimento global e a correlação direta entre o consumo de carne bovina e a emissão de CO2, não é loucura dizer que a carne bovina pode ser a comida mais perigosa de todos os tempos.
“Relaxe. Embora existam plantas e animais venenosos por aí, embora suas prateleiras de cozinha e sua geladeira provavelmente abriguem alimentos que o matariam se ingeridos em quantidade suficiente, os seres humanos fizeram um trabalho incrível ao tornar a comida segura.”
Rachel Laudan
Pesquisadora sênior visitante do Instituto de Pesquisas Históricas da Universidade do Texas em Austin e autora de Cuisine and Empire: Cooking in World History
Relaxe. Embora existam plantas e animais venenosos por aí, embora suas prateleiras de cozinha e sua geladeira provavelmente abriguem alimentos que o matariam se ingeridos em quantidade suficiente, os seres humanos fizeram um trabalho incrível ao tornar a comida segura.
Essas últimas palavras, “tornar a comida segura”, são importantes. Embora a atual retórica alimentar se concentre no fresco e no natural, a esmagadora proporção de nossas calorias vem dos alimentos que produzimos. Isso porque comer alimentos que não foram transformados a partir de seu estado natural é perigoso. “O que come é comido”, disseram os autores desconhecidos dos textos sagrados indianos, os Upanishads, no século 6 a.C.
Para sobreviver e evoluir, todas as criaturas vivas desenvolveram defesas contra serem comidas: dentes e garras, a habilidade de fugir, coberturas difíceis e não comestíveis, ou venenos naturais. Estes últimos ocorrem nos ancestrais selvagens de alguns dos alimentos humanos mais importantes. Batatas selvagens continham glicoalcaloides que causavam vômitos e diarreia. Bolotas, um alimento importante para os povos primitivos e indígenas nas Américas, Europa e Ásia, estão cheios de taninos. A mandioca, a terceira maior cultura de alimentos nos trópicos depois do arroz e do milho e uma das mais importantes do mundo tropical, pode liberar cianeto quando ingerida (assim como as sementes de maçãs e damascos, bem como amêndoas amargas). E todos os alimentos silvestres podem estar contaminados com excrementos de pássaros, fezes de animais e outras coisas perigosas.
Um repertório completo de formas de desintoxicação de plantas foi desenvolvido. Os povos dos altos Andes cuidadosamente selecionaram e criaram batatas para reduzir o nível de venenos. Os nativos americanos usavam argila e água para retirar os taninos das bolotas. Os povos indígenas da América tropical descobriram que cozinhar e ralar raízes de mandioca antes de comer as deixava próprias para o consumo. Todos esses processos — criação de animais, tratamento com produtos químicos, cercamentos e outras mudanças físicas, fermentação e uso de calor — acabam debaixo do guarda-chuva do termo “cozinhar”, uma das conquistas tecnológicas mais importantes da humanidade. Em toda parte, os povos achavam que quanto mais uma comida era cozida, melhor era para comer. Até recentemente. Temos sido tão bem sucedidos em tornar os alimentos seguros que agora temos o luxo de escolher comer alimentos crus e sem cozimento.
Rebecca Earle
Professora e vice-diretora de História da Universidade de Warwick, cuja pesquisa se concentra na história alimentar e cultural da América espanhola e da Europa moderna.
Atualmente, o açúcar é o inimigo público número um, implicado na epidemia global de diabetes e no extraordinário aumento da obesidade. A Organização Mundial de Saúde relata que, desde 1980, a porcentagem de adultos com diabetes dobrou; existem agora mais de 422 milhões de pessoas com a doença.
As condições associadas à obesidade, por sua vez, levam mais pessoas para o túmulo do que aquelas ligadas ao baixo peso. Em todo o mundo, trinta e nove por cento dos adultos qualificam-se com excesso de peso, três vezes o número de 1975. Uma dieta rica em açúcar é frequentemente culpada por essa situação preocupante. Bebidas com açúcar, por exemplo, têm sido ligadas diretamente ao aumento do diabetes tipo 2 e também à obesidade, um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2. Globalmente, o consumo de açúcar per capita aumentou mais de 50% nos últimos cinquenta anos.
Além de destruir vidas, a produção de açúcar destruiu a terra. As paisagens secas das antigas ilhas açucareiras do Caribe foram criadas pelo desmatamento, resultado quase inevitável do cultivo comercial de açúcar. Por volta de 1600, a ilha atlântica de São Tomé perdeu suas florestas para o açúcar. Em 1700, a floresta que sustentava Barbados havia desaparecido. Meio século depois, as árvores que cobriam dois terços de Antígua seguiram o exemplo. A fertilidade do solo despencou, a erosão exacerbou o declínio e, à medida que o solo penetrava nos sistemas fluviais, os rios se assoreavam. “O açúcar destruiu uma paisagem anterior, bem como centenas de milhares de vidas”, como William Beinart e Lotte Hughes colocaram. E fazer açúcar continua sendo um trabalho perigoso.
Então, o açúcar é ruim para nós, ruim para o meio ambiente e ruim para as pessoas que o cultivam.
Ken Albala
Professor e historiador da Universidade do Pacífico e autor ou editor de 25 livros sobre comida, incluindo Eating Right in the Renaissance e Food in Early Modern Europe
Durante a maior parte da nossa história evolutiva, [o açúcar] foi difícil de obter. Mas nos últimos cinco séculos, começamos a comer muito mais do que nossos corpos precisam ou podem processar. Ao mesmo tempo, removemos muitas das coisas que promovem nosso microbioma intestinal (como fibras) e começamos a usar antibióticos que reduzem ainda mais nossas bactérias intestinais. Obesidade, diabetes, doenças cardíacas e vários tipos de enfermidades resultam do consumo excessivo de açúcar. Quando tantas calorias benéficas são substituídas por açúcar, elas são metabolizadas de maneiras que nossos corpos simplesmente não estão preparados para lidar.
“Nos últimos cinco séculos, começamos a comer muito mais do que nossos corpos precisam ou podem processar.”
Paul Freedman
Professor e historiador da Universidade de Yale
É da natureza do açúcar ser consumido em quantidades excessivas, se estiver disponível. Quando Elizabeth I governou a Inglaterra no século 15, a pessoa média em seu reino comia pouco mais de meio quilo de açúcar por ano — era um produto de luxo. Atualmente, o consumo médio anual é de 36 kg. Nos EUA, são mais de 56 kg.
O açúcar tornou-se barato na Europa e nos Estados Unidos no século 19. O aspecto mais perigoso do açúcar é a história de como ele chegou a ser tão abundante a ponto de se tornar um item básico da alimentação, uma mudança econômica possibilitada pela escravização dos africanos para trabalhar plantações de açúcar no Novo Mundo. O centro de cultivo e refino de açúcar eram as Índias Ocidentais. O preço decrescente foi mais do que compensado por uma oferta crescente e barata. Mais dinheiro é feito de commodities básicas, como o petróleo, do que produtos de elite, como trufas. O açúcar transformou o mundo de maneiras que continuam a reverberar.
Miriam Chaiken
Decana e professora notável de Antropologia, Universidade do Estado do Novo México
Na minha opinião, a comida mais perigosa é o açúcar. A indústria açucareira é responsável pela escravização dos africanos aos milhões, pelo deslocamento dos nativos americanos das terras cultiváveis, pela ascensão da era industrial e pela formação de estruturas de classe, à medida que o açúcar mantinha os operários saciados — e é claro que hoje estamos bem cientes das consequências globais para a saúde do consumo excessivo de açúcar. Embora possa não ser tão exótico quanto um peixe potencialmente tóxico e delicioso, o açúcar é o número um na minha lista.
gizmodo.uol.com.br
domingo, 13 de janeiro de 2019
Qual a comida mais perigosa do mundo?
Isto aqui é um durião. Crédito: Pixabay Lucy Long
Diretora e fundadora do Center for Food and Culture
Eu diria que o alimento mais perigoso são os cogumelos que se parecem com aqueles conhecidos e seguros para comer, mas, na verdade, não são. O death cap (“chapéu da morte”, em tradução livre, nome pelo qual o Amanita phalloides é conhecido nos EUA) parece com variedades que são seguras, mas é altamente tóxico, muitas vezes tem uma reação demorada e ataca o fígado. Até mesmo uma pequena mordida pode ser fatal. Infelizmente, dizem que eles também são muito saborosos e têm um cheiro delicioso.
Joyce E. Chaplin
Professora e historiadora da Universidade de Harvard; autora de Food in Time and Place, entre outros livros
Eu apontaria um dedo acusador para o gado domesticado. Desses animais, as pessoas têm pegado doenças sérias e às vezes fatais há muito tempo. As aves e os suínos, por exemplo, continuam sendo reservatórios da gripe. As populações de animais selvagens também são reservatórios de doenças, mas as aves e os suínos domesticados são significativos na incubação e transmissão dos vírus da gripe. Isso tem sérias consequências. O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) informa que, em 2017-2018, 80 mil pessoas nos Estados Unidos morreram de gripe. Esse foi um novo recorde, embora, mesmo em outros anos, a mortalidade por gripe normalmente exceda as mortes por todas as doenças transmitidas por alimentos. A mortalidade anual por gripe é geralmente de 30.000, enquanto as mortes por vários tipos de intoxicação alimentar são geralmente em torno de 3.000. É um preço alto para comer carne de porco e frango.
Se há uma conexão muito próxima entre comida e morte, é claro, é o problema de não ter comida suficiente. Desnutrição e fome têm sido, historicamente, grandes assassinos, acima e além dos perigos de comer tipos específicos de alimentos.Krishnedu Ray
Presidente do Departamento de Nutrição e Estudos Alimentares da Universidade de Nova York
Duas coisas mundanas que todos nós bebemos regularmente: refrigerante e álcool. Se você pegar estatísticas populacionais nacionais e calcular riscos reais (não imaginários), não há como evitar a conclusão de que esses dois são os verdadeiros culpados — responsáveis pela morte, adoecimento e desmembramento de milhões de pessoas em todo o mundo.
Alice Julier
Chefe de Departamento, Professora Associada de Estudos Alimentares e Diretora do Centro Regional de Agricultura, Alimentos e Transformação da Universidade de Chatham
Eu vou com uma grande categoria — fungos — porque aparece em muitos alimentos, e também é sua própria categoria de comida, que aparece historicamente por toda a civilização humana.
Sabemos que as sociedades humanas sempre encontraram maneiras de preservar alimentos ou de transformar coisas não comestíveis em comestíveis. Às vezes isso envolve cozinhar, mas é principalmente para preservar alimentos. Curar carnes, salgar legumes, fermentar coisas para criar bebidas alcoólicas — todas são maneiras que temos de preservar alimentos até muito depois da colheita. A maioria desses processos envolve a introdução de microrganismos nos alimentos para mudá-los (pense no queijo!) — e leveduras e bolores são os dois tipos principais de fungos usados para preservar alimentos para impedir o crescimento de certas bactérias que poderiam estragá-los.
Dito isto, eles mesmos também são duas das principais maneiras que um alimento pode estragar. Considere que, se você estiver tentando preservar alimentos com essa abordagem, um passo em falso pode torná-los extremamente perigosos para se comer. As pessoas têm que descobrir quais crescimentos fúngicos adicionam sabor aos alimentos e quais são tóxicos. Um ótimo exemplo disso seria o fungo de milho ou o carvão-do-milho. Nas culturas indígenas e latino-americanas, é uma iguaria. No oeste industrial dos EUA, há toneladas de produtos usados para tirá-lo do milho.
A razão pela qual eu também penso em fungos é porque os cogumelos são um alimento universal, muitas vezes colhidos, mas às vezes cultivados, e descobrir quais tipos de cogumelos são seguros e quais são perigosos é um negócio extremamente arriscado. Eu suspeito que, hoje, não há um número significativo de mortes por cogumelos venenosos, mas posso garantir que, historicamente, a busca por quais eram os comestíveis levou as pessoas a um caminho perigoso.
Yue Dong
Doutorando de Antropologia da Universidade de Oklahoma
A carne é a comida mais perigosa de todos os tempos.
Eu sei o que você está pensando: “Isso é bobagem! Eu acabei de comer um hambúrguer e ainda estou vivo!!”
Ouça o que eu estou dizendo. Eu não estou falando sobre como o consumo excessivo de carne vermelha está ligado a um risco aumentado de desenvolver doença arterial coronariana e diabetes tipo 2. Essas doenças definitivamente poderiam matar uma pessoa (lenta e dolorosamente), mas estou mais interessado no “perigo da carne bovina” em uma escala planetária histórica. Mais especificamente, como a carne ameaça destruir a própria existência da civilização humana.
A produção de carne bovina é um dos contribuintes mais significativos para as emissões globais de gases de efeito estufa causadas pelo homem. De acordo com um recente relatório do governo do Reino Unido, a produção de 1 kg de carne bovina gera cerca de 32,3 kg de CO2. Em média, os americanos comem 25,9 kg de carne bovina per capita por ano, o que significa uma produção de 835,1 kg de CO2 per capita por ano. Em comparação, a pessoa média na China consome cerca de 6 kg por ano. Se os chineses aumentassem o consumo de carne bovina para o mesmo nível dos americanos, produziriam 641,3 kg a mais de CO2 per capita por ano. Dada a grande população da China, haveria cerca de 900 milhões de toneladas de CO2 relacionado à carne bovina em nossa atmosfera, o equivalente a quase 2,4% do total de emissões de CO2 produzidas pelo homem.
E isso é apenas a China. Se o consumo global de carne bovina per capita aumentar para o mesmo nível dos EUA, a emissão global de CO2 relativa à carne seria de cerca de 580,1 kg per capita por ano, o que significa que cerca de 4,4 bilhões de CO2 seriam emitidos para a atmosfera (11% da emissão total de CO2 produzida pelo homem)!
Dada a consequência apocalíptica global (inundação, calor, furacões, fome) do aquecimento global e a correlação direta entre o consumo de carne bovina e a emissão de CO2, não é loucura dizer que a carne bovina pode ser a comida mais perigosa de todos os tempos.
“Relaxe. Embora existam plantas e animais venenosos por aí, embora suas prateleiras de cozinha e sua geladeira provavelmente abriguem alimentos que o matariam se ingeridos em quantidade suficiente, os seres humanos fizeram um trabalho incrível ao tornar a comida segura.”
Rachel Laudan
Pesquisadora sênior visitante do Instituto de Pesquisas Históricas da Universidade do Texas em Austin e autora de Cuisine and Empire: Cooking in World History
Relaxe. Embora existam plantas e animais venenosos por aí, embora suas prateleiras de cozinha e sua geladeira provavelmente abriguem alimentos que o matariam se ingeridos em quantidade suficiente, os seres humanos fizeram um trabalho incrível ao tornar a comida segura.
Essas últimas palavras, “tornar a comida segura”, são importantes. Embora a atual retórica alimentar se concentre no fresco e no natural, a esmagadora proporção de nossas calorias vem dos alimentos que produzimos. Isso porque comer alimentos que não foram transformados a partir de seu estado natural é perigoso. “O que come é comido”, disseram os autores desconhecidos dos textos sagrados indianos, os Upanishads, no século 6 a.C.
Para sobreviver e evoluir, todas as criaturas vivas desenvolveram defesas contra serem comidas: dentes e garras, a habilidade de fugir, coberturas difíceis e não comestíveis, ou venenos naturais. Estes últimos ocorrem nos ancestrais selvagens de alguns dos alimentos humanos mais importantes. Batatas selvagens continham glicoalcaloides que causavam vômitos e diarreia. Bolotas, um alimento importante para os povos primitivos e indígenas nas Américas, Europa e Ásia, estão cheios de taninos. A mandioca, a terceira maior cultura de alimentos nos trópicos depois do arroz e do milho e uma das mais importantes do mundo tropical, pode liberar cianeto quando ingerida (assim como as sementes de maçãs e damascos, bem como amêndoas amargas). E todos os alimentos silvestres podem estar contaminados com excrementos de pássaros, fezes de animais e outras coisas perigosas.
Um repertório completo de formas de desintoxicação de plantas foi desenvolvido. Os povos dos altos Andes cuidadosamente selecionaram e criaram batatas para reduzir o nível de venenos. Os nativos americanos usavam argila e água para retirar os taninos das bolotas. Os povos indígenas da América tropical descobriram que cozinhar e ralar raízes de mandioca antes de comer as deixava próprias para o consumo. Todos esses processos — criação de animais, tratamento com produtos químicos, cercamentos e outras mudanças físicas, fermentação e uso de calor — acabam debaixo do guarda-chuva do termo “cozinhar”, uma das conquistas tecnológicas mais importantes da humanidade. Em toda parte, os povos achavam que quanto mais uma comida era cozida, melhor era para comer. Até recentemente. Temos sido tão bem sucedidos em tornar os alimentos seguros que agora temos o luxo de escolher comer alimentos crus e sem cozimento.
Rebecca Earle
Professora e vice-diretora de História da Universidade de Warwick, cuja pesquisa se concentra na história alimentar e cultural da América espanhola e da Europa moderna.
Atualmente, o açúcar é o inimigo público número um, implicado na epidemia global de diabetes e no extraordinário aumento da obesidade. A Organização Mundial de Saúde relata que, desde 1980, a porcentagem de adultos com diabetes dobrou; existem agora mais de 422 milhões de pessoas com a doença.
As condições associadas à obesidade, por sua vez, levam mais pessoas para o túmulo do que aquelas ligadas ao baixo peso. Em todo o mundo, trinta e nove por cento dos adultos qualificam-se com excesso de peso, três vezes o número de 1975. Uma dieta rica em açúcar é frequentemente culpada por essa situação preocupante. Bebidas com açúcar, por exemplo, têm sido ligadas diretamente ao aumento do diabetes tipo 2 e também à obesidade, um dos principais fatores de risco para o diabetes tipo 2. Globalmente, o consumo de açúcar per capita aumentou mais de 50% nos últimos cinquenta anos.
Além de destruir vidas, a produção de açúcar destruiu a terra. As paisagens secas das antigas ilhas açucareiras do Caribe foram criadas pelo desmatamento, resultado quase inevitável do cultivo comercial de açúcar. Por volta de 1600, a ilha atlântica de São Tomé perdeu suas florestas para o açúcar. Em 1700, a floresta que sustentava Barbados havia desaparecido. Meio século depois, as árvores que cobriam dois terços de Antígua seguiram o exemplo. A fertilidade do solo despencou, a erosão exacerbou o declínio e, à medida que o solo penetrava nos sistemas fluviais, os rios se assoreavam. “O açúcar destruiu uma paisagem anterior, bem como centenas de milhares de vidas”, como William Beinart e Lotte Hughes colocaram. E fazer açúcar continua sendo um trabalho perigoso.
Então, o açúcar é ruim para nós, ruim para o meio ambiente e ruim para as pessoas que o cultivam.
Ken Albala
Professor e historiador da Universidade do Pacífico e autor ou editor de 25 livros sobre comida, incluindo Eating Right in the Renaissance e Food in Early Modern Europe
Durante a maior parte da nossa história evolutiva, [o açúcar] foi difícil de obter. Mas nos últimos cinco séculos, começamos a comer muito mais do que nossos corpos precisam ou podem processar. Ao mesmo tempo, removemos muitas das coisas que promovem nosso microbioma intestinal (como fibras) e começamos a usar antibióticos que reduzem ainda mais nossas bactérias intestinais. Obesidade, diabetes, doenças cardíacas e vários tipos de enfermidades resultam do consumo excessivo de açúcar. Quando tantas calorias benéficas são substituídas por açúcar, elas são metabolizadas de maneiras que nossos corpos simplesmente não estão preparados para lidar.
“Nos últimos cinco séculos, começamos a comer muito mais do que nossos corpos precisam ou podem processar.”
Paul Freedman
Professor e historiador da Universidade de Yale
É da natureza do açúcar ser consumido em quantidades excessivas, se estiver disponível. Quando Elizabeth I governou a Inglaterra no século 15, a pessoa média em seu reino comia pouco mais de meio quilo de açúcar por ano — era um produto de luxo. Atualmente, o consumo médio anual é de 36 kg. Nos EUA, são mais de 56 kg.
O açúcar tornou-se barato na Europa e nos Estados Unidos no século 19. O aspecto mais perigoso do açúcar é a história de como ele chegou a ser tão abundante a ponto de se tornar um item básico da alimentação, uma mudança econômica possibilitada pela escravização dos africanos para trabalhar plantações de açúcar no Novo Mundo. O centro de cultivo e refino de açúcar eram as Índias Ocidentais. O preço decrescente foi mais do que compensado por uma oferta crescente e barata. Mais dinheiro é feito de commodities básicas, como o petróleo, do que produtos de elite, como trufas. O açúcar transformou o mundo de maneiras que continuam a reverberar.
Miriam Chaiken
Decana e professora notável de Antropologia, Universidade do Estado do Novo México
Na minha opinião, a comida mais perigosa é o açúcar. A indústria açucareira é responsável pela escravização dos africanos aos milhões, pelo deslocamento dos nativos americanos das terras cultiváveis, pela ascensão da era industrial e pela formação de estruturas de classe, à medida que o açúcar mantinha os operários saciados — e é claro que hoje estamos bem cientes das consequências globais para a saúde do consumo excessivo de açúcar. Embora possa não ser tão exótico quanto um peixe potencialmente tóxico e delicioso, o açúcar é o número um na minha lista.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2019
FUGU, O PEIXE QUE CHEGA VIVO AO PREPARO PARA NÃO ENVENENAR O CLIENTE
Fonte da imagem: Reprodução/Gastroville
Voltando ao fugu... o vídeo que você pode conferir abaixo — advertimos que as imagens são fortes e que o procedimento pode ser considerado bastante cruel — mostra como essa iguaria é preparada pelas mãos de um chef com 35 anos de experiência manipulando esse tipo de peixe.
Infelizmente, o material não conta com legendas em português, mas a seguir descreveremos o procedimento de preparo.Como você pode ver no vídeo, o fugu chega vivo à cozinha do chef, que começa dando uma bela cacetada na cabeça do animal. Depois, as barbatanas são retiradas, assim como a boca e as narinas. O próximo passo é eliminar a pele, as vísceras e os olhos do peixe que, conforme explica o cozinheiro, são extremamente venenosos e, por essa razão devem ser removidos e descartados com bastante cuidado.
Fonte da imagem: Reprodução/National Geographic
Por incrível — e cruel — que pareça, o pobre bichinho continua vivo até esse ponto! O chef explica que aproximadamente um quarto do peso do animal consiste em órgãos e estruturas venenosas. Se o cozinheiro se cortar por acidente enquanto manipula esses peixes, em poucos segundos ele começaria a apresentar sérios problemas cardiorrespiratórios e morreria em poucos minutos.
O preparo do fugu demora cerca de uma hora, e o chef passa mais trinta minutos eliminando completamente qualquer vestígio de sangue que possa estar presente na carne, que também contém muitas toxinas. O descarte das vísceras é outro problema, já que muitos moradores de rua já morreram no Japão depois de consumir esses dejetos por acidente. Assim, os restaurantes precisam jogar tudo fora em lixos especiais que são lacrados com cadeados.
Fonte da imagem: Reprodução/Wikipédia
Depois de limpa e completamente livre de substâncias tóxicas, a carne do fugu então é habilmente cortada em fatias extrafinas, que são servidas como um dos sashimis mais caros que existem. E você, leitor, se arriscaria a provar um pedacinho?//megacurioso.com.br
domingo, 6 de janeiro de 2019
DURIAN: A FRUTA COM OS SABORES E ODORES MAIS SINISTROS DO PLANETA
Árvore de durian jovem. Um exemplar adulto pode chegar a 50 metros de altura. Fonte da imagem: Reprodução/WikimediaCommons//Originalmente encontrado em Brunei, na Indonésia e na Malásia, o gênero Durio conta atualmente com 30 espécies descobertas, embora apenas nove entre elas gerem frutos comestíveis. Entre estas, é necessário esperar por cinco anos (contados a partir da plantação) para que seja feita a colheita — em árvores que podem atingir até 50 metros de altura.
Entretanto, talvez o que seja mais notável no durian seja mesmo a peculiaridade do sabor e do cheiro associados — o qual, conta-se, é praticamente capaz de atravessar paredes. São várias comparações: um par de meias sujas, algum material em estado avançado de putrefação etc. Bem, mas qual será a sensação de se comer uma durian? Para quem não pode sair comprar uma no mercado, talvez o vídeo abaixo ajude a elucidar a questão.
Proibido em hotéis e locais públicos
Independentemente de ser incrivelmente apreciado por muita gente na porção leste da Ásia — e também em outras regiões, naturalmente —, o odor terrível e intenso do durian precisou ser reconhecido pelas autoridades. De fato, a fruta acabou sendo proibida em locais públicos, tais como parques, shoppings, hotéis etc.
A contribuinte do site suite101 June Chua conta uma história relacionada à referida lei. De acordo com Chua, um casal de amigos tentou burlar o impedimento e, ao viajar para a Malásia, resolveu levar para dentro de uma suíte de hotel o tal fruto.
Fonte da imagem: Reprodução/WikimediaCommons//
Entretanto, a gerência do estabelecimento acabou recebendo inúmeras reclamações do terrível odor, o que levou dois dedicados funcionários até a porta do quarto do casal. “Nós descobrimos que o cheiro de durian vinha deste quarto, por favor, saiam da frente”, disse um deles, vestido “como um astronauta”.
Apesar do aroma, nutritivo e ótimo para a saúde
Mesmo os detratores do durian precisam fazer uma concessão: trata-se de um fruto rico em diversas vitaminas e minerais. Isso provavelmente o colocaria no lugar do óleo de fígado de bacalhau, quem sabe? Confira abaixo algumas das propriedades do durian:Sendo uma fruta tropical, o durian traz propriedades semelhantes às da banana e do abacate, por exemplo. Isto é, trata-se de um fruto rico em energia, vitaminas e minerais.
A polpa macia e a composição de açúcares simples (como a frutose e a sacarose) fazem do durian um alimento de fácil digestão e também capaz de revitalizar o organismo rapidamente. Embora seja bastante calórico, o fruto é desprovido de quaisquer gorduras saturadas e, é claro, colesterol.
O durian é rico em fibras, o que é um verdadeiro “presente” para os intestinos.
Trata-se de uma fruta rica em vitamina C, um antioxidante importante para aumentar a resistência do organismo a agentes infecciosos.
Durian é uma excelente fonte de potássio — um importante eletrólito celular que auxilia no controle dos batimentos cardíacos e da pressão arterial.
Trata-se, por fim, de fonte de aminoácidos essenciais, como o triptofano — que, no corpo, metaboliza-se em serotonina e melatonina, neurotransmissores importantes para a indução do sono e para o tratamento de epilepsias.
Fonte da imagem: Reprodução/WikimediaCommons
Enfim, mas serão o odor e o sabor do durian realmente suportáveis? Talvez o melhor seja você mesmo experimentar — embora seja aconselhável evitar locais públicos. Há opiniões positivas, afinal: “É um sabor excelente que ultrapassa o de todos os outros frutos do mundo”, afirmou um viajante inglês sobre o fruto em 1599.www.megacurioso.com.br
sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
COMO EXTERMINAR O CULOTE
domingo, 23 de dezembro de 2018
Cyndi Lauper
quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Seios grandes demais - Hipertrofia de mama
Nem toda cirurgia plástica na mama é de aumento, embora a prótese de silicone seja uma das cirurgias mais realizadas atualmente.
Existem mulheres que sofrem com o problema oposto – a hipertrofia das mamas, seios grandes. Esse sofrimento transpassa o lado estético, sendo também um problema funcional.
Seios muito grandes podem causar a dores originada pelas alças nos ombros, dores nas costas, assaduras ao redor das mamas e marcas profundas na pele da alça do sutiã utilizadas para sustentar o peso excessivo das mamas. Essas alterações podem ser irreversíveis caso esse excesso de peso não seja tratado a tempo pois podem alterar a anatomia da coluna vertebral ocasionando hérnias de disco e desvios na coluna.
Sem dúvida a maioria dos casos de hipertrofia de mama (seios desproporcionais ) ocorrem após a primeira menstruação – chamada de hipertrofia puberal, onde as mamas femininas respondem exageradamente ao estímulo hormonal que está se iniciando. Outra forma muito comum de ocorrência é após a gravidez que mesmo cessado o estímulo hormonal deste período, as mamas crescem para proporcionar o aleitamento e não retornam ao tamanho inicial.
Antes desta, e de qualquer cirurgia plástica, após a primeira consulta, é solicitado os exames pertinentes, entre eles o ECG, hemograma , Rx tórax e o Risco Cirúrgico. As minhas pacientes sempre realizam uma mamografia antes da cirurgia, que além de afastarem diagnóstico de câncer de mama servirão para o acompanhamento destas no pós operatório.
A idade mínima para ser realizada esta cirurgia, está em torno dos 15 anos de idade ou quatro após a primeira menstruação no caso de mamas que cresceram muito no período da adolescência.
Em casos queo crescimento se deu após a gravidez o procedimento esta liberado após o período de amamentação, embora o ideal seja esperar mais seis meses após esse fim.
As técnicas de redução mamaria visam basicamente três pontos: 1) retirar o excesso de glândula e/ou gordura; 2) Criar uma forma arredondada à nova mama e 3) reposicionar as aréolas que normalmente estão caídas nestes casos.
Existem diversas técnicas utilizadas para esses propósitos, criadas desde o século VII, sendo que os maioria dos cirurgiões plásticos utilizam técnicas que terminam com a cicatriz ao redor da aréola e uma cicatriz em âncora (o mesmo que T invertido).
cicatriz final de uma mamoplastia redutora – a âncora ou T invertido associada a cicatriz da aréola.
No pós operatório, nos primeiros dias, é comum a mulher sentir leves dores, que são controladas facilmente com o uso de analgésicos comuns. Há de se chamar a atenção para a necessidade de repouso relativo por cerca de duas semanas após esse tipo de cirurgia. Esse consiste em não carregar pesos maiores que 1Kg, evitar movimentos bruscos com os braços e não eleva-los além da altura dos ombros. Retorno ao trabalho esta liberado após cerca de 7 dias. O sutiã modelador deverá ser utilizado por trinta dias e noites seguidas e por mais trinta noites.
Banhos de sol só são permitidos após 60 dias da cirurgia. A cicatriz costuma ser quase imperceptível na maioria dos casos quando acompanhadas adequadamente e tratadas conforme a necessidade com cremes e fitas de silicone.
Após superar todas essas etapas a mulher tem o resultado definitivo de sua cirurgia entre 4 à 6 meses.
Por: Dr. Moises De Melo.
quinta-feira, 6 de dezembro de 2018
Detran.SP disponibiliza CNH digital
Em caso de dúvidas, acesse o portal: https://servicos.serpro.gov.br/cnh-digital.
domingo, 2 de dezembro de 2018
O DIA EM QUE ETS ''PROMETERAM'' VIR NO BRASIL E UMA CIDADE ACREDITOU
Você já imaginou os alienígenas marcarem hora, data e local para visitar a Terra? Bom, foi mais ou menos isso que aconteceu 1980. Uma cidade inteira parou e se programou para aguardar o tão esperado momento. O ponto de encontro era em uma fazenda distante do centro da cidade e todos foram para o local.
O dia era 8 de março de 1980 e todos foram para o ponto de encontro marcado. Uma pista de pouso foi indicada e o prefeito da cidade chegou a comprar uma enciclopédia para presentear o visitante ilustre. A notícia repercutiu mundialmente e a NASA até mandou um representante para o local. Todas as regalias possíveis foram preparadas para agradar ao visitante alienígena.
Notícia da visita extraterrestre
Edílcio Barbosa é o responsável por espalhar a notícia. Foi ele quem anunciou para as pessoas da cidade sobre a visita alienígena. E não pense que essa seria uma visita simples, seria também uma devolução de quatro seres humanos que haviam sido abduzidos. Enfim, toda a cidade se organizou e se preparou para o momento.
Inclusive, rodava pela cidade uma série de mandamentos que foram espalhados pela cidade. Eram como instruções para ter uma boa relação com o alienígena. No dia e hora marcados, cerca de 8 mil pessoas se reuniram e aguardaram a chegada dos visitantes que, no fim das contas, não apareceram.
Porque os alienígenas não vieram?
Quando as pessoas perceberam que não haveria encontro algum, Edílcio, o responsável por dar a notícia, teve de ser escoltado para longe. As pessoas se revoltaram e partiram para cima do homem. No entanto, em momento algum, ele voltou atrás sobre o que disse, na verdade, ele até tinha uma explicação para a ausência dos alienígenas.
O grande número de pessoas no local, seria o motivo para que os alienígenas não descessem. Ele chegou a anunciar que os jupterianos dariam sinal de vida novamente, dessa vez em uma cidade próxima. No entanto, Edílcio morreu pouco tempo depois e não teve a oportunidade de presenciar o momento que novamente não aconteceu.
Apesar da visita de fato não ter ocorrido, no dia anunciado, algumas luzes bizarras apareceram sob a cidade de Rio Bonito. Mas alienígena que é bom, nada.
E aí, você já sabia desse quase encontro com os aliens? Comenta aqui embaixo o que achou dessa história, no mínimo, engraçada. Aproveita também pra compartilhar com aquele amigo que é doido por alienígenas.
POR LETICIA ROCHA // www.fatosdesconhecidos.com.br
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
Fotos tiradas antes de tragédias
As fotografias são um registro de um momento mágico e fugaz. Elas oferecem um aperitivo de um instante e lugar através da perspectiva de outra pessoa. Outras vezes elas servem como recordação de um tempo bom
Foto: Reprodução
Mas Infelizmente, às vezes nos encontramos olhando para um momento de puro infortúnio. Confira a seguir algumas fotos que foram tiradas antes de momentos trágicos.
oto: Reprodução
Isso é mais do que repugnante e possivelmente a imagem mais horripilante dessa lista. Uma menina do Texas de 14 anos chamada Regina Kay Walters foi mantida como refém por um serial killer enlouquecido, que tirou fotos dela em perigo. Ele acabou matando Walters, depois de cortar seus cabelos e fazê-la usar um vestido preto e sapatos de salto alto. Na foto ela aparece claramente apavorada. Robert Ben Rhoades foi posteriormente considerado culpado pelo assassinato e permanece preso até hoje. Acredita-se que ele tenha matado mais de 50 mulheres, embora ele tenha apenas três vítimas confirmadas.
Foto: Reprodução
Em 2008, um vendedor chamado Travis Alexander foi morto por sua ex-namorada, Jodi Arias. Esta foto dele foi tirada no chuveiro às 15h29 do dia da sua morte. Seu corpo sem vida foi mais tarde achado no chão do banheiro. Antes ele foi esfaqueado e baleado pela antiga companheira. Acredita-se que ele foi morto momentos depois dessa foto ter sido tirada.
Foto: Reprodução
Em 1970, o australiano Keith Sapsford, de 14 anos, inexplicavelmente se escondeu na roda de um avião com destino ao Japão saindo de Sydney. Um fotógrafo amador testando sua nova lente da câmera registrou sem querer a queda livre do menino. Ele caiu cerca de 200 pés até parar no chão. Infelizmente o jovem não sobreviveu para contar essa história.
Foto: Reprodução
Um pedestre chamado Darsh Patel foi morto por um urso enquanto caminhava pela floresta de Nova Jersey em 2014. Ele conseguiu capturar imagens desse animal de 300 quilos antes que de ser morto. O telefone de Patel foi recuperado posteriormente, com algumas marcas dos dentes do urso. Verdadeiramente assustador!
Foto: Reprodução
Em 1961, um boeing 707 caiu enquanto viajando de Nova Iorque para a Bélgica. No total, 73 pessoas morrerem por conta do trágico choque. O acidente matou toda equipe americana de patinação artística que estava em rota para um campeonato mundial em Praga. Aqui, a equipe aparece feliz antes de embarcar para uma viagem sem volta.
Foto: Reprodução
Mais uma história triste em nossa lista. O destemido russo Pavel Kashin estava gravando seu novo vídeo no topo de um prédio quando resolveu fazer um backflip na sacada. Infelizmente, ele perdeu o equilíbrio e despencou do 16º andar. Na foto ele aparece bem na hora que tentava a arriscada manobra.
Foto: Reprodução
Uma história chocante que virou um famoso e premiado filme. Esta é a última foto tirada do lendário transatlântico de luxo Titanic antes dele afundar no Oceano Atlântico em 15 de abril de 1912. Mais de 1.500 pessoas morreram no horrível acidente marítimo. Quem não conhece essa história? Confira a seguir outras imagens chocantes.
Foto: Reprodução
Aqui está o ator Paul Walker entrando no Porsche modelo Carrera GT de 2005. A estrela da saga “Velozes e Furiosos” acabou morrendo minutos depois do registro fotográfico, após uma colisão que ocasionou um incêndio fatal. A jovem filha de Paul, Meadow Walker, entrou com um processo de homicídio culposo contra a Porsche.
Foto: Reprodução
A devastação atingiu o sudeste da Ásia em 26 de dezembro de 2004, quando um tsunami massivo tomou conta do litoral. Mais de 200 mil pessoas morreram no desastre. Deborah Garlick, 31 anos, estava de férias na Tailândia na época e foi morta pelo tsunami. Os pais de Deborah acharam essa foto em sua câmera depois que recuperaram seus pertences.
Foto: Reprodução
Esta é a última foto perturbadora do Vôo 182 da Pacific Southwest Airlines. A aeronave colidiu com outro avião sobre San Diego em 25 de setembro de 1978 às 9h da manhã. Todos os 137 passageiros a bordo morreram, além de sete civis no solo. Para piorar, vinte e duas casas foram totalmente destruídas com o impacto do avião.
Foto: Reprodução
Budd Dwyer foi o tesoureiro da Pensilvânia durante os anos 80. Em 22 de janeiro de 1987, ele convocou uma coletiva de imprensa. Para surpresa de todos, ele pegou um revólver e deu um tiro na cabeça. Seu suicídio foi visto em aparelhos de televisão em todo o estado. Esta foto foi tirada logo após Dwyer puxar a arma para fora. Inacreditável!
Foto: Reprodução
Moira Smith, uma oficial do Departamento de Polícia de Nova Iorque, é vista aqui ajudando um homem ferido longe do World Trade Center logo após os ataques terroristas de 11 de setembro. Minutos depois, ela correu para a torre sul do WTC para ajudar a evacuar mais vítimas, mas o prédio também desmoronou. Ela foi a única oficial do NYPD que morreu nos ataques. Ela também foi a primeira policial a relatar os ataques depois de testemunhar o primeiro prédio atingido pelo avião.
Foto: Reprodução
Ki-Suk Han, um pai de 58 anos, é retratado momentos aqui no momento de sua morte prematura. A foto foi tirada depois que ele foi empurrado na frente de um trem que se aproximava no metrô de Nova York. Ao olhar para a foto, podemos ver claramente o destino trágico que ele teve.
Foto: Reprodução
Um menino inocente chamado James Bulger foi sequestrado, torturado e assassinado por dois garotos de dez anos na Inglaterra em 1993. O pobre James foi tirado de um shopping center local, e seu sequestro foi registrado por câmeras de vigilância.
Foto: Reprodução
Em 1986, o ônibus espacial da NASA, o Challenger, quebrou apenas 73 segundos após o lançamento. Todos os sete tripulantes foram mortos. Aqui estão eles, enquanto se preparam para embarcar na nave poucas horas antes do acidente. A explosão foi transmitida ao vivo por canais de TV de todo o mundo, tornando o acidente da Challenger uma ferida profunda no orgulho norte-americano.
Foto: Reprodução
O primeiro surto de Ebola, em 1976, matou 280 pessoas. Esta mulher acima é uma enfermeira chamada Mayinga N’Seka, retratada apenas alguns dias antes de sucumbir ao vírus que ela ajudou a combater.
Foto: Reprodução
Vale fazer de tudo para tirar uma boa selfie? Esta menina acima é Xenia Ignatyeva. A jovem de 17 anos queria uma selfie dramática, e ela conseguiu. Logo depois que essa foto foi tirada, ela perdeu o equilíbrio e caiu. Infelizmente ela acabou morrendo.
Foto: Reprodução
William Becker foi o prefeito de St. Louis de 1941-1943. Em 1º de agosto de 1943, ele participou de uma demonstração de uma nova aeronave. Assim que o avião decolou, sua ala direita partiu ao meio e todos os dez passageiros acabaram morrendo. Um verdadeiro desastre! Este é o grupo retratado antes da decolagem.
Foto: Reprodução
Mais um registro surpreendente em nossa lista! Esta foto dos dois irmãos (Michael McQuilken, 18 anos, e seu irmão, Sean, 12) foi tirada em um acampamento em 1975, no Sequoia National Park, na Califórnia. Os dois jovens foram atingidos por um raio logo após a foto ser tirada e, felizmente, ambos sobreviveram. Menos mal!
http://www.desafiomundial.com
terça-feira, 20 de novembro de 2018
Despedida do Arnaldo Cezar Coelho
© Reprodução Arnaldo Cezar Coelho se emociona antes do amistoso entre Brasil e Camarões
Chorando ao lado do companheiro de transmissões, o narrador Galvão Bueno, Arnaldo disse que “valeu, e estão valendo” os anos de trabalho na emissora. “Além de termos feito uma amizade grande e bonita entre nós – nos falamos quase todos os dias nesses últimos 30 anos em que estamos juntos -, eu aprendi muito com você. Você me ensinou muito, a ser mais paciente. Entre chutar o balde e engolir sapos, me ensinou a engolir um pouco mais de sapos. Eu te agradeço muito, fará uma falta muito grande”, disse Galvão Bueno, também emocionado.
“Quando estreei há 29 anos, eu me propus a explicar a regra do futebol de forma didática, porque é o esporte mais praticado dentro do Brasil e poucos sabiam de regras. Hoje eu acho que meu dever está cumprido. Acho que todos nós conhecemos um pouco mais de regra e discutimos um pouco mais”, afirmou Arnaldo.
Valeu Arnaldo!!!
jogo mais importante da carreira dele.
fonte:www.msn.com
segunda-feira, 19 de novembro de 2018
Dia Nacional da Consciência Negra
Origem do Dia Nacional da Consciência Negra
O Dia da Consciência Negra foi estabelecido pelo projeto Lei nº 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. No entanto, apenas em 2011 a presidente Dilma Roussef sancionou a Lei 12.519/2011 que cria a data, sem obrigatoriedade de feriado.
No entanto, atualmente, o Dia Nacional da Consciência Negra é considerado feriado em mais de mil municípios
História de Zumbi
No período do Brasil colonial, Zumbi simbolizou a luta do negro contra a escravidão que sofriam os africanos. Zumbi morreu enquanto defendia a sua comunidade e lutava pelos direitos do seu povo.
O Quilombo dos Palmares, localizado no atual estado de Alagoas, liderado por Zumbi, formavam a resistência ao sistema escravocrata que vigorava. Ali os negros escravizados recuperavam sua liberdade, preservavam a cultura africana na colônia e viviam do plantio e do comércio realizado com cidades próximas.
O assassinato de Zumbi o transformou num mito entre os africanos escravizados e sua história foi passando de geração em geração.
Zumbi lutou até a morte contra a escravidão, que só terminaria em 13 de maio de 1888, com a abolição oficial da escravatura no Brasil, cerca de 193 anos após sua morte.
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sexta-feira, 16 de novembro de 2018
VIADUTO QUE PODE CAIR
O Secretário de Mobilidade e Transportes de São Paulo, João Octaviano Machado Neto, disse à GloboNews que a Prefeitura vai fazer obras de escoramento do trecho onde ouve a ruptura do viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros na manhã desta quinta-feira (15). Ainda não há previsão de quando toda a obra de recuperação deverá ser finalizada e a pista liberada.
"A estrutura precisa ser estabilizada para depois fazer o trabalho da estrutura para fazer o alinhamento da via para dar segurança", disse o secretário. "A Marginal Pinheiros vai ficar interditada este período. Equipe da engenharia da CET quer fazer operação para retirar veículos da pista local para a Gastão Vidigal."
Os técnicos analisam a estrutura que sustenta o viaduto. Na parte que cedeu, a estrutura foi esmagada pelo bloco gigante de concreto da pista expressa da Marginal. "O melhor cenário é que a estrutura esteja íntegra para sofrer 'macaqueamento' (ser reposicionada com macaco hidráulico gigante) ao alinhamento da pista. Assim poderemos fazer testes de materiais no trecho para saber se podemos fazer a liberação", disse Octaviano.
"É uma interdição importante. Vamos trabalhar com que a interdição seja a menor possível desde que seja a mais rápida possível. Fazer as medidas de contenção e iniciar imediatamente o processo de recuperação."
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras (SIURB) informou que vai realizar o escoramento do viaduto na marginal de Pinheiros para que possam ser feitos os ensaios para apurar as causas do acidente e dar início às obras de recuperação. Ainda não é possível prever um prazo para conclusão dos trabalhos.
O escoramento é necessário para aliviar a carga no pilar onde houve o rompimento da estrutura e garantir a segurança dos profissionais que irão trabalhar no local.
A secretaria informa, em nota, que durante as vistorias não foram constatados riscos estruturais.
Veja a parte debaixo do viaduto que cedeu na Marginal Pinheiros — Foto: TV Globo/Reprodução
Marcos Penido, secretário das subprefeituras da Prefeitura de São Paulo, disse que o escoramento é importante para garantir não só a estabilidade desse trecho como também a segurança de todos os técnicos que vão ficar embaixo dessa viga para poder refazer o ponto de sustentação do pilar.
"Já foi acionado para que iniciemos esse processo de escoramento. Hoje é um feriado, nós temos de buscar todo esse material e equipamentos, mas por se tratar de uma questão emergencial a nossa previsão é que se faça isso o mais rápido possível, nós queremos entrar com essa tubulação imediatamente e terminar a manhã para que a gente possa efetivamente entrar com o serviço de recuperação. Há uma previsão de que a gente possa começar amanhã com o trabalho de engenharia propriamente dito", afirmou.
"Vamos recompor o aparelho de apoio, como a gente fala na engenharia, a cabeça do pilar, seria usar um macaqueamento hidráulico, levantar essa viga, recompor o pilar e novamente descansar a viga sobre o pilar. Não costuma ser um processo demorado, mas só poderemos emitir qualquer laudo de prazo a partir do momento que nós tivermos a condição dos técnicos avaliarem no local todo o acontecimento, construir no projeto o que tem de ser feito. Nós precisamos de fazer um projeto para que toda a distribuição de carga da viga seja bem equilibrada."
Perguntado se há risco de o viaduto cair, Penido disse: "Houve uma estabilização, o projeto está estável, não vamos permitir que ninguém fique nesse canteiro de obras da CPTM por motivos de segurança e a operação da CPTM por não passar embaixo desse trecho não está comprometida".
Técnicos observam a parte que cedeu no viaduto da Marginal Pinheiros — Foto: TV Globo/Reprodução
Por Paula Araújo, GloboNews
g1.globo.com
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
O Barulho é tema sério
Foto: Free-Photos/Creative Commons
Já a hiperatividade do eixo hipotalâmico-hipofisário-adrenal (HHA) está associada a situações de estresse crônico, quando o corpo secreta o hormônio cortisol. Sentimentos de aflição, ansiedade e depressão estão associados a esse quadro, aponta o relatório. Ou seja, a exposição recorrente a muito barulho causa a liberação desregulada de hormônios, o que afeta negativamente o organismo.
A OMS recomenda que uma pessoa não esteja exposta a mais de 30 decibéis A-ponderados (dB(A)) no quarto de dormir. Igualmente, é recomendado que escolas restrinjam o barulho em sala de aula a menos do que 35 dB(A), para garantir condições de ensino ideais.
Por exemplo, zero dB(A) é considerado o ponto em que uma pessoa começa a ouvir sons. Um sussurro a cerca de 90cm de distância equivale a 30 dB(A). Uma autoestrada a 15 metros de distância corresponde a cerca de 80 dB(A). Já uma motosserra chega a até 110 dB(A).
A exposição a sons que ultrapassem os 120 dB(A) sem o uso de proteção pode causar dor física.
Grupos vulneráveis
Alguns grupos são mais vulneráveis a esse tipo de problema, segundo a OMS: "As crianças passam mais tempo na cama do que os adultos, elas ficam mais expostas ao ruído à noite".
"Doentes crônicos e idosos são mais sensíveis a distúrbios e os trabalhadores noturnos correm maior risco, porque sua estrutura de sono está sob estresse", exemplifica o relatório.
Além disso, as populações mais pobres, que muitas vezes não podem escolher morar em bairros mais calmos ou ter residências com isolamento adequado, também sofrem desproporcionalmente mais.
O comprometimento do desenvolvimento e da educação na primeira infância causado pelo ruído "pode ter efeitos ao longo de toda a vida no desempenho acadêmico e na saúde" alerta a OMS.
A exposição contínua de crianças a ruídos altos como o de aeronaves prejudica o desempenho cognitivo, afeta o bem-estar diminuindo a motivação e atua sobre a pressão sanguínea e secreção de hormônios.
Foto: Counselling/Creative Commons
Qualidade de vida perdida
Avaliando os níveis de poluição sonora na Europa Ocidental, a OMS quantificou a perda de anos de vida saudável em decorrência da exposição ao barulho. O impacto das doenças foi calculado numa medida única, que soma os anos de vida perdidos por mortalidade prematura e os anos vividos sofrendo de incapacidade decorrente da má saúde.
"Esses resultados indicam que ao menos um milhão de anos de vida saudável são perdidos a cada ano em decorrência do barulho ambiental causado pelo trânsito na Europa Ocidental", diz o documento.
Cerca de 40% da população europeia está exposta a ruídos de transito que excedem 55 db(A), sendo que 20% da população sofrem diariamente com uma exposição ainda mais intensa, que chega a níveis de 65 dB(A).
"A poluição sonora nas nossas cidades está aumentando, arruinando as vidas de muitos cidadãos europeus. Mais do que um incômodo, barulho excessivo é um risco de saúde, contribuindo para doenças cardiovasculares, por exemplo. Precisamos agir contra as muitas fontes de poluição ambiental - de veículos motorizados a discotecas e shows - para proteger nossa saúde", disse a dra. Zsuzsanna Jakab, diretora da OMS para Europa em comunicado.
O escritório regional da OMS não soube informar estimativas específicas para o Brasil, mas ressaltou que as recomendações para limitar o nível de poluição sonora são globais.
Obesidade e barulho
O pesquisador do Instituto Karolinska da Suécia, dr. Andrei Pyko, estuda os efeitos da poluição sonora na saúde humana e seus levantamentos serviram de base para as recomendações da OMS. Ele constatou que há uma relação entre exposição ao barulho do trânsito e a obesidade.
"O barulho do trânsito, por exemplo, poder influenciar funções cardiovasculares e metabólicas por meio de distúrbios do sono e estresse crônico. O sono é um importante moderador da liberação de hormônios, da regulação de açúcares e de funções cardiovasculares. Distúrbios do sono podem afetar as funções imunológicas, influenciar o controle central do apetite e o gasto de energia, bem como aumentar os níveis do hormônio de estresse", explicou à BBC News Brasil.
"No nosso estudo, vimos que o ruído do tráfego rodoviário foi significativamente relacionado com a circunferência da cintura, com um aumento de 0,21 cm por 5 dB (A). Isso significa que uma pessoa na média dos nossos dados tinha 0,21 cm de circunferência da cintura maior em comparação com aqueles expostos 5dB (A) a menos de ruído", disse Pyko.
"Ou se compararmos as médias da circunferência da cintura entre aquelas pessoas expostas a 45 dB, em contraste, as médias daqueles expostos a 65 dB (diferença de 20 dB ou quatro vezes por 5 dB) esperaríamos uma diferença das médias de 4 * 0,21 = 0,84 cm", exemplificou.
Então, os brasileiros deveriam evitar ter o hábito de tocar música alta em espaços públicos?
"Há amplas evidências de que altos níveis de ruído causam danos auditivos e que intervenções para reduzir a exposição ao ruído são eficazes na diminuição desse risco. Reduzir a exposição prejudicial ao ruído de lazer não requer recursos intensivos, mas se concentra em mudanças de comportamento que podem ser difíceis de implementar devido a fatores culturais", disse à BBC News Brasil Dorota Jarosińska, do centro europeu para meio ambiente e saúde da OMS em Bonn, na Alemanha.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS)
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